Com a economia ainda patinando, desemprego em alta e o dólar na estratosfera, o mar continua longe de ‘estar para peixe’ no Brasil. Mesmo assim, o Bom Dia – estimulado por um universo expressivo de leitores – traz nesta reportagem, com informações levantadas junto ao Sebrae, caminhos, dicas e informações para aqueles que, apesar dos pesares, sonham em começar a própria empresa, até como alternativa à maré de dificuldades.
O processo, contudo, não é dos mais simples – embora, se feito com planejamento, conhecimento do mercado e foco, possa se revelar recompensador financeiramente e pessoalmente.
Investimento inicial = boa ideia + força de vontade + planejamento
Além de uma boa ideia e força de vontade, é necessário investimento inicial para viabilizar a empresa, a fim de comprar itens de infraestrutura, insumos para a produção, contratar colaboradores e fornecedores e cumprir exigências legais.
Para calcular o investimento inicial da empresa e saber o capital necessário, o Sebrae diz que segredo é não ter preguiça e colocar todos os gastos iniciais na ponta do lápis – ou, de preferência, na planilha no computador. A seguir, mostramos dois métodos para calcular o investimento inicial. Confira também alternativas para ser bem-sucedido nesse processo.
Método 1
1º método para obter o investimento inicial: Somar os investimentos e o capital de giro
Objetivando calcular o investimento inicial de um negócio, é possível somar o investimento fixo ao investimento pré-operacional e ao capital de giro. Entenda o que significa cada um desses termos:
- Investimento fixo: é todo o recurso financeiro utilizado para adquirir bens e dar início ao negócio. Geralmente, são investimentos em estrutura física, como aluguel ou compra de salas, prédios, computadores, equipamentos, máquinas, móveis, utensílios, veículos, segurança, decoração, estoque, compra de softwares e armazenamento em nuvem.
- Investimento pré-operacional: é mais uma forma de investimento inicial, mas não voltado para a aquisição de bens, e sim para ações que deem o pontapé inicial nas operações da empresa, sendo que algumas são realizadas uma única vez, e outras recorrentes. Fazem parte do investimento pré-operacional os gastos com a formalização da empresa, a obtenção de alvarás, o treinamento da equipe, o pagamento de um contador e o registro de marca, dentre outros.
- Capital de giro: é o dinheiro que supre as necessidades de fluxo de caixa. Montante necessário para garantir que haverá recurso para pagar as contas da empresa até que o faturamento chegue. É o valor que faz a empresa girar. Fazem parte dele as despesas gastas com salários, pró-labore, pagamento aos fornecedores, contas de luz, de água e de internet e impostos e obtenção de alvarás. Para obter o capital de giro, some os totais desses três tipos de despesa.
Método 2
2º método para obter o investimento inicial: análise de break even
Outra forma de calcular o investimento inicial é analisar o break even da empresa. Ele é o cálculo que mostra a partir de que momento a empresa passará a ter lucro. Além de dar o investimento inicial, o break even é uma ferramenta que serve para medir a saúde financeira do negócio. Em resumo, é o ponto de equilíbrio entre as receitas totais e o custo total, consistindo na fórmula matemática RT (Receitas Totais) = CT (Custos Totais). Para obtê-lo, é necessário entender alguns conceitos, como Custo Fixo, Custo Variável, Custo Total e Receita Total.
- Custo fixo (CF): soma das despesas fixas, aquelas que não se alteram com a quantidade de produção ou das vendas. São elas o aluguel de salas ou prédios, compra de computadores, máquinas e equipamentos, obtenção de alvarás, dentre outros.
- Custo variável (CV): soma das despesas que sofrem interferência de diversos fatores. Fazem parte dele os gastos com o time de colaboradores, a obtenção de matéria-prima, o pagamento de impostos (dependendo do tipo de empresa, pois o MEI, por exemplo, paga um valor fixo por mês), dentre outros.
- Custo total CT: soma entre o Custo Fixo e o Custo Variável.
- Receita total (RT): valor obtido ao multiplicar o preço unitário do produto pelo número de vendas realizadas.
O ponto de equilíbrio do break even é quando a Receita Total fica equivalente ao Custo Total (RT = CT). O lucro da empresa começa somente após esse ponto; esse valor também corresponde ao seu investimento inicial.
Outras dicas para calcular o investimento inicial
Aspectos importantes para ficar de olho na hora de calcular o investimento inicial:
- Informe-se sobre os custos com a legalização da empresa: Sabemos que o Brasil é cheio de exigências legais e burocracias para a abertura de empresas, e que praticamente cada uma delas envolve um gasto. Os primeiros gastos serão com a abertura do CNPJ (Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica) e o registro do contrato social, documentos que atestarão a existência da empresa, o ramo de atuação, seu objetivo e o tipo de sociedade que possui. Há também os gastos com alvarás sanitário, do Corpo de Bombeiros e alvarás específicos para cada tipo de atividade exercida.
- Não esqueça as despesas administrativas: Não considere para o cálculo do investimento inicial apenas despesas com a elaboração do produto ou serviço que a empresa oferece aos clientes, mas também os gastos administrativos com advogados, vendedores, equipe de recrutamento e outros.
- Considere manter uma reserva de dinheiro: Caso seja possível, inclua no investimento inicial uma reserva financeira para seu negócio. O mais indicado é manter uma reserva de 5% do valor do capital de giro a fim de que você esteja preparado para imprevistos, caso ocorram, podendo arcar com eles sem se desesperar.
- Faça benchmarking: Busque e análise práticas adotadas por empresas do mesmo segmento da sua. Assim, terá noção melhor de custos operacionais e poderá verificar as estratégias que as outras empresas estão utilizando para ser bem-sucedidas na área financeira.
Através desses métodos de cálculo, preveja o investimento inicial da sua empresa e tire do papel o sonho de empreender. Bom trabalho!