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Rural

Estiagem: cenário desafiador no Alto Uruguai

Região enfrenta momento delicado em razão da falta de chuva e prejuízos só aumentam

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No caso da soja, a previsão inicial era colher 64.15 sacas/ha e agora está em 47,5 sacas/ha (média r
Por Izabel Seehaber
Foto Divulgação

A falta de chuva em toda a região sinaliza para um cenário de pouco otimismo e muita preocupação em vários municípios. Além de prejuízos nas lavouras, muitas pessoas enfrentam dificuldades no abastecimento de água para consumo próprio.

De acordo com o engenheiro agrônomo e assistente técnico regional da Emater, Luiz Angelo Poletto, diante da estiagem, a perdas nas lavouras de soja crescem a cada semana.

Outra informação que preocupa é que não há previsão de chuva para os próximos dias e as temperaturas estão variáveis, baixam durante a noite – registram a média de 12ºC - e durante o dia os termômetros chegam a registrar 34 graus. “Começamos a enfrentar sérios problemas, não somente nas lavouras, mas no abastecimento de água nas propriedades e no impacto em culturas perenes, com a erva-mate em etapas como a poda, e na citricultura. Os reflexos estão, ainda, nas pastagens e, por sua vez, na produção leiteira.

Milho

Na cultura do milho, a área plantada na região é de 44.303 hectares. Conforme relatórios da Emater, a produtividade média inicial, em todo o Alto Uruguai, que era estimada em 154 sacas por hectare, caiu para 126 sacas/ hectare. No ano passado foi registrada 150 sacas/ha. “Há alguns exemplos de produtores que conseguiram superar os números iniciais, pois plantaram antes e não enfrentaram a estiagem no desenvolvimento da cultura. No caso da maioria das propriedades, 85% das lavouras já estão colhidas, 10% está na fase do desenvolvimento de grãos e 5% está maduro para colher”, explica Poletto, citando que a perda está sendo calculada a cada semana e já está em 18,5%.

Soja

Já no que se refere à soja, base da economia regional, a área plantada é de 238.062 hectares e a maioria das lavouras está na fase de enchimento de grãos (50%), momento decisivo para a cultura. Ao mesmo tempo, em torno de 40% se apresenta na etapa de maturação e 10% já foi colhida. “Os prejuízos aumentam e, caso persistirem essas condições do clima, as estimativas são ainda mais dramáticas. A previsão inicial era colher 64.15 sacas/ha (o que representa 3.849 quilos/ha). Atualmente, os números apontam para a possibilidade de 47,5 sacas/ha (o que representa 2.850 quilos/ ha), com perdas médias na região”, assinala o engenheiro agrônomo.

Na opinião de Poletto, diante dessa realidade delicada, as perdas financeiras na região podem ser bem significativas. “Os resultados a partir dos grãos, tanto no caso da soja, como do milho, poderão trazer resultados negativos nas arrecadações municipais, por exemplo, e na geração de renda, como um todo”, comenta.

Áurea decretou situação de emergência

O prefeito de Áurea, Antonio Jorge Slussarek, juntamente com o secretário da Agricultura e Meio Ambiente, Renato Kujawinski, assinaram na manhã de ontem (10), o decreto de situação de emergência no município.

Logo cedo, Slussarek reuniu toda a equipe do setor de Agricultura, Emater, produtores e Defesa Civil, com o intuito de verificar a real situação no campo.

Conforme o secretário, as dificuldades mais expressivas estão na agricultura, na falta de água para consumo próprio e também para os animais, além de expressivas perdas em lavouras. “No carnaval teve uma chuva fraca, mas não chove significativamente há mais de 100 dias no município. Está muito complicada a situação”, destaca Kujawinski.

 

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