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Economia

Consumidor deve mudar hábitos após isolamento

Dados foram revelados em pesquisa divulgada nesta quinta-feira (16), na Assembleia Legislativa. Setores de alimentação e saúde sobem; viagens e moda descem.

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Já os considerados não prioritários serão viagens (81%), roupas e calçados (77%) e estética e beleza
Por Redação
Foto Divulgação

Pesquisa divulgada na tarde de quinta-feira (16), na 5ª reunião do Fórum de Combate ao Colapso Social e Econômico, coordenado pelo presidente da Assembleia, Ernani Polo (PP), mostra que o comportamento do consumidor será diferente após o fim do isolamento. “Na China, o lockdown produziu uma nova consciência nas pessoas, trouxe um pensamento mais sustentável e racional em detrimento ao pensamento consumista. Nos chama atenção a valorização do básico. O consumidor quer qualidade, mas acima de tudo, preço”, destacou o empresário João Satt, do Grupo G5, que apresentou o estudo para deputados e líderes de entidades que integram o grupo.

O empresário e estrategista apresentou, conforme reportagem do Jornal do Comércio, a pesquisa “O mundo pós Covid-19”, que ouviu na internet mil pessoas das regiões Sul e Sudeste do Brasil, entre os dias 1 e 3 de abril, sobre o que pensam sobre o isolamento e suas projeções de hábitos de consumo depois do fim da quarentena. O estudo identificou que, apesar de as pessoas desejarem o resgate da “vida normal”, de boas condições de vida e de volta ao consumo, haverá preocupação, após o fim do isolamento, com o risco de contágio nas ruas e estabelecimentos comerciais, a insegurança financeira com o desemprego e término de atividades, e a violência.

Alimentação e saúde sobem, turismo e viagens desce

Satt relatou que 50% dos entrevistados dizem que voltarão ao consumo com preferência pelo pagamento à vista, ou seja, estarão mais preocupados com descontos e preço do que com prazos. Os setores de alimentação e bebidas (74%), saúde (43%) e educação (26%) serão os prioritários. Já os considerados não prioritários serão viagens (81%), roupas e calçados (77%) e estética e beleza (71%), ainda que desejados pelas pessoas. Os setores econômicos que devem ser os mais prejudicados, pelo receio das pessoas com aglomerações, conforme a pesquisa, serão os restaurantes, shopping centers, comércio e serviços, turismo e eventos. Por outro lado, alguns deles estão entre os mais desejados, ou seja, que as pessoas mais gostariam de frequentar: bares e restaurantes, lojas e comércio em geral, shoppings e salões de beleza, pela ordem. “Eventos grandes devem ser evitados porque não terão público”, analisou Satt. A pesquisa também mostrou que a maioria das pessoas (56%) vai preferir, por conta do medo de contágio, o deslocamento em veículos próprios (56%) e avião (21%), o que traz desafios para apps de transporte (12%) e ônibus (8%).

Satt ainda trouxe dados sobre o cenário na China depois do fim do isolamento. No país asiático, 80% das pessoas voltaram ao trabalho, mas 20% continuam em casa. O fluxo de veículos retornou 70%, mas nos shoppings o movimento não passa de 40%. No comércio, as lojas físicas registraram queda de 50%, mas o e-commerce cresceu 24%. Segundo os dados apresentados, estão em queda os setores de moda, cosméticos, joias, móveis, lojas físicas, restaurantes, hotéis e apps de transporte. Em alta, saúde, com foco em corpo e mente, e alimentação mais sustentável.

Com reuniões desde 26 de março, o Fórum tem como objetivo analisar a situação gerada pelo coronavírus e propor medidas para o pleno funcionamento dos setores estratégicos para a produção de alimentos, comércio, indústria e serviços, incluindo segmentos que dão suporte a eles. Em 7 de abril, o grupo entregou ao governador Eduardo Leite (PSDB) um protocolo de procedimentos para o funcionamento dos estabelecimentos elaborado pelo Sistema Fecomércio. Em decreto publicado na quinta-feira (16), o governador autorizou o funcionamento do comércio em cidades gaúchas caso autorizadas pelos prefeitos, com exceção das que fazem parte da região metropolitana de Porto Alegre – originalmente a Serra também estava incluída na restrição até 30 de abril, mas foi retirada. Em Erechim, o comércio foi reaberto já na quinta-feira, levando milhares de pessoas às ruas do centro e dos bairros.

 

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