A reabertura do comércio na última semana, após alteração do decreto municipal de calamamidade pública editado em razão da pandemia de coronavírus, levou milhares de moradores de Erechim e de outros municípios da região (a maioria, infelizmente, sem máscaras) às lojas do centro e bairros da cidade.
No entanto, a maior procura não foi, necessariamente, pela compra de produtos, mas para o pagamento de crediários. Conforme a empresária Débora Balbinotti Lunardi, proprietária de uma loja de vestuário, o fato chamou a atenção, mostrando a boa fé dos clientes. “As vendas estão, aos poucos, começando a ganhar força, mas, num primeiro momento, as pessoas optaram por quitar valores atrasados”, observa.
O fato se repete em algumas das grandes marcas de varejo. Na Renner - que está com as portas fechadas desde o fim de março, sem previsão de retomada - os clientes só estariam autorizados a realizarem o pagamento dos crediários.
Uma população sem poupança
Apesar da boa vontade demonstrada por muitos erechinenses, pesquisa do Instituto Locomotiva aponta que 91 milhões de brasileiros estão no vermelho e deixarão de pagar ao menos uma conta no mês de abril. Em março, os inadimplentes giravam em torno de 56 mihões.
“A covid-19 chegou na reta final de uma crise econômica e encontrou uma população sem poupança”, afirmou o presidente da Locomotiva, Renato Meirelles, explicando que boa parte não pagou o atrasado porque, na falta de uma reserva financeira, o dinheiro acabou. “Quanto menor a renda, maior o endividamento relacionado a contas mais simples, como água, luz, aluguel ou carnês. Nas classes A e B, os destaques ficam para o cartão de crédito e mensalidades escolares”, destaca Meirelles.
A fala dele tem eco no comportamento da jovem, Eduarda C., moradora de Erechim. De laudo médico - e sem reserva na poupança, ela revela que teve de escolher quem pagar. ‘De quatro contas, neste mês, só vou conseguir pagar uma. Espero conseguir renegociar, e que tudo passe logo’, completa.