Para o presidente da Unindústria, Antonio Carlos Carbonari Jr., o mundo procura respostas de curto prazo aos estragos proporcionados pela Covid-19 - as quais, segundo ele, não estão ‘disponíveis’, ao menos por enquanto. Sem isso, não teríamos uma base solida para projeções de como será o mundo pós-pandemia. Individualmente, observa Carbonari, também não há respostas prontas. “Cada um de nós terá uma vivencia, um entendimento e a sua maneira/capacidade para explicar como passou por essa experiência’, prevê.
Governos terão que se reinventar
Segundo o dirigente, contudo, é certo que governos/estados terão que se reinventar, criando novas estratégias econômicas e fiscais para enfrentamento desta crise - que não deve parar tão cedo. “Basta dizer que a maior potência mundial acena para uma crise econômica, os Estados Unidos”, completa. Entretanto, na opinião do empresário, duas coisas parecem se solidificar: que as relações comerciais nunca mais serão as mesmas e, apesar da crise estar já instalada por aqui, alguns setores sairão extremamente fortalecidos.
O poder da tecnologia
Para Carbonari, o ser humano surpreende e, apesar da falta de interação - que é básica a cada um de nós, as pessoas se adaptaram às novas necessidades através, principalmente, da tecnologia, mostrando ser possível se reinventar (mesmo que virtualmente) por meio de novas e velhas siglas: home office, estudo a distância, lives de shows ou experiências culturais imersivas, negócios através de plataformas B2B e B2C. “A partir de agora, não são mais itens passiveis de discussão e implantação ou projeções futuristas, mesmo que ainda não estruturadas, são realidade e viraram; porque não dizer: ‘cotidiano’, bastando observar que o tradicionalíssimo Supremo Tribunal Federal passou a se apresentar e enviar sentenças online”.
Fim das reuniões distantes e custosas?
O mercado de trabalho também passará por uma sensível mudança, e entender que alguns setores, ações ou funções não são tão necessários quanto se imaginava e outro são quase que fundamentais para a ¨nova economia¨, também parece ser uma situação emblemática que, segundo Carbonari, nos afetará para esta e as próximas décadas. Exemplo são as grandes companhias que enviavam executivos a reuniões distantes e custosas. “Nem o executivo estará mais ‘lá’, nem as reuniões serão feitas da mesma forma, tendo um terceirizado ou freelancer contratado por resultado para tal função. Vamos utilizar de modo efetivo o home office para tal operações - o que afetará o locatário da sala de reunião, transfer´s, a companhia aérea, agências de viagem, hotéis e restaurantes acerca do cliente, podendo ser citado assim outros casos, tanto ¨positivos¨ quanto ¨negativos¨ desta mudança de postura”.
Agronegócio desponta
Para o presidente da Unindústria, o agronegócio parece despontar mais que qualquer outro segmento, seguido de perto por empresas de alimentação e consumíveis. Contudo, pontua Carbonari, mesmo com as notícias boas de vários setores, soaria como negligência deixar de observar que “o fluxo do dinheiro irá diminuir globalmente e que a inadimplência será apenas um fantasma. Tais atores, com certeza, serão vistos rondando nossos negócios e trabalhos”.
Uma nova consciência
Por fim, o empresário sustenta que será preciso “entrar em todas as searas e assuntos como nova consciência social, de saúde, política e tantas outras”. Certamente, diz, não será fácil - o que demandará uma reflexão mais extensa e profunda. “Uma coisa me parece certa; os modelos da forma que conhecemos, nunca mais serão os mesmos”, finaliza.