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Economia

“Os próximos passos serão decisivos. E ligados a questão estrutural”

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Julio Brondani, professor e empresário: “Somos uma cidade empreendedora com vocação industrial e de
Por Rodrigo Finardi
Foto TV Bom Dia

O professor de marketing e empresário Julio Brondani, em entrevista relata os desafios que teremos pela frente, as novas relações de trabalho, o perfil da população erechinense, a força dos empresários e qual é a nossa vocação

Como será a economia pós pandemia?

Com relação à economia pós pandemia temos que levar em consideração que ela gerou uma crise mundial de proporções inéditas na história recente e certamente irá impactar e está impactando de alguma maneira na vida das pessoas. Isso a nível municipal, estadual, nacional e mundial.  

Após essa análise inicial, como será a retomada?

A retomada que se fala vai depender muito da diminuição desses efeitos e da própria expansão dela. Mas já temos sinais positivos, vendo a diminuição na China e na Europa. Será fundamental a percepção das pessoas com relação a isso. Começará a retomada quando tivermos um bom índice de confiança das pessoas e das instituições

Tudo isso requer um tempo?

Sim. Isso leva muito tempo. Temos no país além da crise da pandemia, a crise política. Essas forças se unem para algo não muito bom. Espero que nos próximos aja entendimento nessa questão. A nação brasileira é muito mais importante que todos esses problemas que estão presentes no nosso dia a dia e nos noticiários.   E repito, será lenta a retomada e passará fundamentalmente pela confiança do consumidor e isso levará si, um tempo.

 A história recente mostra que tivemos outras crises mundiais. Mas não com essa proporção.

Exatamente. Tivemos vários problemas recentes com impacto mundial. Em 2004 a queda das Torres Gêmeas gerou clamor e pavor em todos os lugares do mundo. Em 2008, ocorreu quebra de confiança com a queda do Banco Lehman Brothers causando grandes efeitos na economia. Em 2009, teve a gripe H1N1, também com impacto mundial, mas nada se assemelha o que estamos vivendo com essa pandemia da Covid-19. Mas a economia irá se recuperar.

E os desafios para Erechim nesse momento?

 Erechim eu sempre menciono que é o ‘Erechim Grande do Sul’ pelo seu povo, pela sua gente, pelas suas lideranças e pela capacidade empreendedora e por ser uma comunidade ordeira e trabalhadora. Estamos vendo a grandeza de nossa comunidade pela postura das lideranças e organizações nesse momento de dificuldade, unindo forças para os impactos serem os menores possíveis.

Temos uma característica nova a partir de agora?

Com toda essa situação que temos com a pandemia, praticamente vivemos uma vida normal, em função de nossas características que já citei.  Os próximos anos serão não menos desafiadores que os 101 anos que já passamos. Mas os próximos passos serão decisivos. E todos estão ligados a questão estrutural.

Quando fala em questão estrutural, se refere ao quê?

A principal meta que vejo como decisiva é a ligação de Erechim e o Alto Uruguai, com a Região Nordeste. Vejo que existem movimentos de prefeitos e lideranças para isso. E fica o desafio para que o deputado Paparico Bacchi assuma esse compromisso e faça que essa obra aconteça.  Erechim precisa da Região Nordeste e eles precisam da gente, pela pujança, e identidade cultural e das etnias que fizeram e desenvolveram essas regiões.

Viveremos uma nova relação de trabalho, acelerando processos?

Sim, mas não por causa da pandemia. Se vê no mundo uma transformação que já anda nesse sentido. O que está se vivendo hoje em função da ciência e da tecnologia, é a era da economia nômade da IV Revolução Industrial.

O que é economia nômade?

É uma relação entre empregado e empregador com menos amarras e mais autonomia, respeitando individualidades e escolhas. No mundo as pessoas entre 25 e 34 anos permanecem em média três anos num posto de trabalho. De 35 a 44 anos, menos de cinco anos.   

 E qual a razão desse novo perfil?

Esse é um perfil diferente de outras gerações. Hoje não querem comprar bens e sim viver experiências. Por isso ocorre troca de empregos com prazo menos. O desenvolvimento de habilidades causa muitos impactos nas relações de trabalho.  

Então o Home Office veio para ficar?

Sem volta. O Home Office é uma realidade e quem tende a crescer, principalmente em função da mudança de expectativas dos profissionais. E com essa nova realidade o desafio das empresas de gerir talentos e relacionamentos, passa a ser condição muito especial.     

Isso exige que os empresários abram a cabeça?

As organizações estão em busca de executivos e dirigentes que tenha as habilidades de cultivar a inovação e gerenciar a complexidade, e principalmente como se portar diante de todas as dificuldades. É preciso se adaptar, aprender e reaprender no novo mercado. Isso passou a ser essencial. Tudo está ligado as novas relações de trabalho e as novas exigências do mercado  

Qual nossa maior vocação para atravessarmos esse momento?

O nosso maior valor como comunidade é a responsabilidade com que cada um tem com todos.

 

Somos uma cidade empreendedora com vocação industrial e de serviços e com grande capacidade de trabalho. E isso nos faz ser grande e diferente. O mundo inteiro está buscando se adaptar a essa nova realidade. A trajetória de nossos empresários sempre foi construir relações, adaptando-se em outras situações de dificuldade. E isso tem sido um diferencial importante na nossa história. Suas trajetórias de vida foram forjadas no trabalho duro e nas dificuldades. Sempre foram além de suas possiblidades. E isso é uma vantagem competitiva.   

 

Diante de tudo que expôs, nesses 102 anos, temos e muito para comemorar?

Somos arquitetos de nosso próprio destino, graças à Deus. Somos assim há 102 anos como município e pelo menos desde 1910 como povoado. Nossa trajetória é o fruto do esforço coletivo e do comprometimento das lideranças e da população para o êxito de nossa comunidade.  A todos esses cidadãos que aqui nasceram ou adotaram Erechim para viver, sonhar, morar e trabalhar, meus sinceros parabéns. Erechim é ‘Erechim Grande do Sul’ por sua capacidade de fazer, sonhar, construir, se relacionar e ter múltiplas habilidades.

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