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Economia

“O Brasil esboçava deslanchar e a Covid 19 mexeu com a vida da Terra”

Afirmação é do presidente da Cooperalfa, Romeu Bet, que em entrevista fala sobre os desafios num momento de desaceleração da economia e crescimento do desemprego

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Romeu Bet, presidente da Cooperalfa: “O bom senso indica levantar o pé do acelerador, exceto naquele
Por Da Redação
Foto Divulgação

A Cooperalfa tem um trabalho forte em Erechim e região. A cooperativa catarinense, se instalou na Capital da Amizade e assumiu parte do trabalho que vinha sendo feito pela Cotrel, auxiliando os agricultores que ficaram desamparados. Em entrevista, o presidente da Cooperalfa, Romeu Bet relata o que se está vivendo com a pandemia e o que vem pela frente  

Tinha a expectativa de o país crescer 2% do PIB este ano, ou seja, seriam 2 milhões de empregos formais a mais. Em março, o Titanic muda de rumo de forma abrupta com o novo coronavírus. Qual seu sentimento nesses últimos 60 dias?

Romeu Bet: Estamos vivendo algo totalmente diferente dos últimos 100 anos, após a gripe espanhola. O Brasil esboçava deslanchar e a Covid 19 mexeu com a vida da Terra. É um momento delicado, com o barco à deriva e sem timoneiro. Veem-se empresários angustiados. Gostaríamos de desfrutar de um rumo. Não o temos! Quando o vírus vai parar? Quando será o pico da curva? Resta-nos os cuidados e prosseguir, todos unidos. 

Que avaliação faz da situação econômica do país em meio à pandemia?

Bet: É extremamente preocupante e grave, juntamente com a situação política. Viramos para 2020 com um dólar na faixa de R$ 4,00 e agora disparou, batendo praticamente a R$ 6,00 em meados de maio. Isso desnorteou a todos. Quem atua com negócios de grandes volumes, volumosos, não se sabe se compra hoje, se vende amanhã. Parece ser sempre um tiro no escuro.

Qual o cenário atual das cooperativas e agroindústrias?

Bet: Por incrível que pareça, com o câmbio supervalorizado, aquela fatia de produtos exportados - no caso da Aurora Alimentos são cerca de 20% -, está sendo bem valorizada. É alta a procura internacional por carnes. Esse fator ajuda a manter as atividades agropecuárias internamente. Tivemos um quadrimestre bom em 2020, com boa safra e preços compensadores, e resultados animadores. O agricultor está satisfeito e, junto com ele, efetivamos negócios, a exemplo do Galpão Cheio Alfa, pois a equivalência de troca beneficiou, naquele momento, o comprador. Se o dólar estabilizar, ou cair, lógico que o cenário muda. Como isso ninguém sabe se vai acontecer, a sugestão que damos ao associado é que compre o que precisa e se tranquilize.

Proteínas, como aves, leite e suínos, seria possível projetar os próximos meses?

Bet: A não ser que haja uma reviravolta, algum fato novo, a tendência das proteínas continuará de satisfatória a boa, seja para as indústrias, seja para o produtor. Exceção seja feita ao leite, cujo preço não está tão compatível quanto deveria. Caso a procura de fora por carnes continue acelerada, deveremos ter um 2021 bem interessante. 

Com a atual volatilidade do Dólar, como está o planejamento logístico para a chegada dos insumos. Vamos dar conta de cumprir prazos?

Bet: Sim, estamos adiantados. Antes mesmo da virada do ano, já compramos alguns estoques e no início de 2020 operamos mais compras. Estamos aproveitando a ida de soja ao porto, para os fretes de retorno. E os compradores podem ficar tranquilos. Na hora do plantio, todos os pedidos serão atendidos.

Em relação aos investimentos, a Alfa está em que nível?

Bet: O bom senso indica levantar o pé do acelerador, exceto naqueles planos que já estavam em andamento. Os demais projetos, colocamos as barbas de molho. Com a elevada compra de cereais (soja e milho) a preços altos e grandes volumes, tivemos que contrair financiamentos a curto prazo. Em três ou quatro meses, vamos observar muito bem quais investimentos poderão ser contratados. Tudo vai depender dos resultados gerais da cooperativa e isso, hoje (fim de maio), são uma incógnita.

Em 2019, a frota técnica da Alfa girou 103 voltas na Terra prestando assistência, com mais de 4 milhões de quilômetros rodados. Como fica esse serviço para esse período, incluindo eventos?

Bet: Tivemos uma certa interrupção nos contatos presenciais, momentaneamente. Tão logo se normalize a situação, pretendemos manter o mesmo ritmo. Os programas sociais foram suspensos (jovens, liderança, mulheres). Se os encontros puderem ser feitos com segurança, vamos retomar tão logo sejam permitidos pelas autoridades competentes.

A Cooperalfa vai continuar executando o CDA (Campo Demonstrativo Alfa)?

Bet: Sim, este ano não tivemos e em 2021, já decidimos que, também não. Porém, provavelmente em 2022 retornaremos. Para isso, estamos preparando nova área, pelo menos para os sócios do RS, MS e Oeste.

Que outros destaques o senhor apontaria, os quais não foram aqui indagados?

Bet: Todos os dias, assinamos adesão de novos sócios, sendo a maioria, jovens. Isso é bom! As diretorias futuras deverão olhar com carinho para esse movimento de mudanças. Tenho absoluta segurança na continuidade da cooperativa. É evidente que a Alfa, nos próximos anos, terá que ser repaginada, em algum sentido. Se tudo muda, não é a cooperativa que vai ficar paralisada. Esse papel caberá à próxima diretoria a parir de janeiro de 2021, o de acompanhar essa evolução. Exceção a alguma catástrofe, como essa do vírus e a do cenário político atual, a Alfa deverá se manter firme. O papel primeiro é da Alfa, é o de continuar gerando segurança para que os cooperados consigam negociar com tranquilidade e confiança.

Como o senhor se sente, hoje, à frente da Alfa, já perto de findar seu 3º mandato?

Bet: Na saúde, me sinto bem. Claro, na minha idade, é natural perder um pouco o vigor. No fim ano, como rotina, certamente uma avaliação geral de minhas condições físicas será necessária. Independe de mim, tudo deve prosseguir, e bem! Quem estiver no comando, caso eu não esteja, que possa ter o mesmo equilíbrio e o mesmo discernimento, assim como foram as gestões anteriores. E que ninguém esqueça da essência da Alfa que é o de cuidar dos negócios com seriedade e das pessoas.

Que palavra usaria neste momento, de tantas incertezas?

Bet: Otimismo, sempre! Fazer as coisas bem-feitas. Cada um na sua atividade, buscar seu espaço, inovar, pois a evolução tecnológica é impressionante. Assumir e executar. Uma lavoura bem conduzida, o produtor de leite assimilar a assistência técnica, melhorar a genética e o produto final, da mesma forma o suinocultor e o avicultor. Por ora, talvez, não avançar o sinal em termos de negócios. E que, o mais rápido possível, tudo fique mais claro em relação a essa pandemia. Que o Menino Jesus proteja a cada um pois, tendo saúde, temos mais prazer em relação à vida e a tudo aquilo que precisa ser feito.

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