A indústria brasileira mostrou retração em todos os seus indicadores em abril e a produção industrial caiu 18,8% nesse período, conforme os indicadores econômicos do IBGE. Segundo o instituto, esse resultado se dá em função do isolamento social deflagrado pela pandemia do novo coronavírus (covid-19) no Brasil. Em Erechim o mês de abril foi marcado por elevada diminuição do faturamento das empresas locais que chegou a até 80%.
Queda mais acentuada
Conforme o IBGE, a queda de 18,8% na passagem de março para abril foi a mais acentuada desde o início da série histórica, que começou em janeiro de 2002. “Esse resultado se refletiu na expansão do número de segmentos com taxas negativas, que atingiram todas as quatro grandes categorias econômicas e 22 dos 26 ramos pesquisados, evidenciando o aprofundamento das paralisações em diversas plantas industriais, devido ao isolamento social por conta da pandemia da COVID-19. O índice de média móvel trimestral caiu 8,8% em abril de 2020 frente ao nível do mês anterior, intensificando o recuo de 2,4% verificado em março”, disse.
Erechim
Segundo o presidente da Associação Comercial, Cultural e Industrial de Erechim (Accie), Fábio Vendruscolo, “infelizmente, isso é resultado das paralisações em diversas plantas industriais, devido ao isolamento social por conta da pandemia da covid-19, reduzindo os indicadores econômicos, sendo que em bens duráveis a queda foi de -79,6% e bens de capital -41,4%, de acordo com dados do IBGE. Conforme dados, a produção recuou em todas as categorias econômicas e em 22 dos 26 ramos”.
Ele comenta que no mês de abril, a ACCIE e a ACCIE Jovem fizeram uma pesquisa on-line com seus associados para ter uma visão da situação atual das empresas em razão da pandemia. “Naquele momento, já se apontava para uma redução do faturamento de 40% a 80%. Apenas 11,1% dos entrevistados responderam que o faturamento permaneceu igual”, disse.
Vendruscolo explica que para as empresas que responderam à pesquisa, as maiores dificuldades em manter suas atividades, em virtude da pandemia da covid-19, estavam em continuar com a estrutura em funcionamento (43,7%), pagamento de colaboradores (24,6%), pagamento de fornecedores (11,1%), redução de investimentos no negócio, inadimplência de clientes, confinamento das pessoas, entre outros (20,6%). “Mas todas responderam que estavam adotando medidas de prevenção ao vírus em suas empresas, o que tem continuidade até hoje”, diz.
“Em uma pesquisa rápida com algumas indústrias, o cenário de maio para muitas se confirmou em uma redução de faturamento de 30% a 40%, também nas horas trabalhadas e na produção. Queda maior verificada em março, quando estava tudo paralisado. As indústrias estão com redução de pessoal, que chega a 25%, em alguns casos, inclusive nas indústrias de alimentação”, observa.
Entretanto, comenta ele, os empresários começam a ficar otimistas, acreditando que o cenário irá melhorar nos próximos meses. “Porém, sem esperar um retorno aos níveis do início do ano”, afirma.