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Rural

“A reestruturação contribui para a fragilidade do sistema”

Afirma presidente da Afagro, Pablo Fagundes Ataíde. Ele ressalta que na prática não soluciona o principal problema do setor: a falta de profissionais no campo

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Segundo a Afagro, o fechamento de regionais e de inspetorias ocorreu única e exclusivamente consider
Por Ígor Dalla Rosa Müller
Foto Arquivo BD

A região Alto Uruguai perdeu a supervisão do serviço de defesa agropecuária, segundo a Instrução Normativa nº 11/2020, que reorganiza as Coordenadorias Regionais da Secretaria da Agricultura, Pecuária e Desenvolvimento Rural do Estado. Segundo essa determinação, os 31 municípios da região ficariam sob coordenação de Passo Fundo. Na prática, a IN 11 deixa dúvidas e não será positiva para Erechim e região.

Na avaliação do presidente da Associação dos Fiscais Agropecuários do Rio Grande do Sul (Afagro), Pablo Fagundes Ataíde, a reestruturação que está sendo proposta é negativa. “A IN 11 propõe a reestruturação das supervisões regionais, mas serve para cumprir uma determinação do ministério no papel. Na prática, a gente vai continuar sem profissionais no campo, faltam veterinários, técnicos agrícolas, auxiliar administrativo. Enfim, a reestruturação não resolve o problema da falta de pessoal. E, nesse ponto de vista é negativa”, explica.

Ele ressalta que o maior problema hoje é a falta de profissionais no campo, e que a reestruturação não vai resolver essa questão. “Além do mais, maquia a falta de pessoal que temos no campo, num setor que é fundamental”, afirma.

O presidente da Afagro observa que o serviço já está comprometido e vai ficar ainda mais porque não tem profissionais para trabalhar. “A reestruturação contribui para a fragilidade do sistema que está aí, não o seu fortalecimento. Mantém o sistema fragilizado, com falta de gente, numa área fundamental que é a fiscalização”, afirma.  

Segundo Pablo, o que realmente precisa ser feito é um concurso para contratação de profissionais para atuar na área. “Isso seria uma atitude séria e realmente preocupada com a falta de profissionais no campo. Essa reestruturação não resolve o problema na prática, continua uma lacuna, e tanto está se confirmando isso que não aconteceu nada na prática. É uma reforma no papel”, diz.

Afagro  

Segundo comunicado da Afagro, “a reestruturação do serviço de defesa agropecuária da Secretaria da Agricultura, Pecuária e Desenvolvimento Rural (Seapdr) leva em conta apenas o processo de retirada da vacinação contra a febre aftosa no Estado. Ao focarem na evolução do status sanitário, os diretores da pasta não consideraram os serviços executados pela área vegetal, como a fiscalização de agrotóxicos, e nem a inspeção de produtos de origem animal”.

A região atendida pela supervisão regional de Erechim tem 15 mil propriedades rurais, 25 mil produtores, um rebanho bovino de 250 mil cabeças, 600 mil suínos (um dos maiores do estado), e 15 milhões de aves alojadas. Tudo isso está sob supervisão regional de Erechim junto com as Inspetorias Veterinárias municipais na outra ponta, envolvendo um trabalho em cadeia e muito importante.

De acordo com a Afagro, a Instrução Normativa 11/2020 “foi elaborada de forma a atender os requisitos que constam no relatório do Ministério da Agricultura (Mapa) para o avanço do status sanitário para a febre aftosa. Ou seja, o fechamento de regionais e de inspetorias ocorreu única e exclusivamente considerando este critério. A IN cita os médicos veterinários, técnicos agropecuários e auxiliares administrativos, deixando completamente de fora os engenheiros agrônomos”.   

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