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Economia

Rede social e internet ajudam, mas não são suficientes para fazer frente à pandemia

Vendas de roupas sociais e calçados foi severamente impactado com isolamento social. Novas estratégias digitais estão longe de manter os negócios

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“A internet nos ajudou até 15% das vendas, mas sapatos envolve prova, então não é um caminho muito a
Lindanir comenta que mesmo antes da pandemia a loja já fazia vendas pelo facebook, instagram, e que,
Por Ígor Dalla Rosa Müller
Foto Divulgação

A pandemia do novo coronavírus (covid-19) afetou todos os setores da economia, impôs novas regras de produção, comercialização, e com elas, novas estratégias de vendas. E, uma dessas abordagens foi fazer uso das redes sociais, internet e aplicativos para divulgar os produtos e atrair clientes.    

A pesquisa nacional “O Impacto da pandemia de coronavírus nos pequenos negócios – 6ª edição”, realizada pelo Sebrae e publicada em 3 de setembro, mostrou que aplicativos e internet são canais de venda mais utilizados pelas mulheres empreendedoras do que pelos empreendedores masculinos. Cerca de 70% das empresárias já vendiam ou passaram a vender on-line, a partir da crise. Entre os empresários, esse percentual é de 63%.  Além disso, a pesquisa revelou também que a grande maioria dos empresários (81%), de ambos os sexos, mostrou diminuição do faturamento mensal na pandemia, com as mulheres sendo um pouco mais penalizadas. Em relação a uma semana normal de trabalho, as perdas para elas foram de 59% e, para eles, de 57%.

Essas mudanças na maneira de vender trouxeram resultados?

Vestuário

Segundo a empresária do setor de vestuário, Lindanir Canelo, as vendas nesse setor caíram muito, presencialmente e, também, via internet. “De março para cá, as vendedoras fizeram todo tipo de cursos para usar as redes sociais, internet, e mesmo assim está difícil”, diz.

Lindanir comenta que mesmo antes da pandemia a loja já fazia vendas pelo facebook, instagram, e que, neste período, as vendas via redes sociais e internet variaram de 3% a 5%, mas depois de mudar o conceito da loja. “Porque o nosso mercado era de roupa social, peças melhores, mais elaboradas. Como não houve festas e eventos, o meu segmento sofreu. Na pandemia não vendi nenhum vestido para festa, nem na internet”, afirma.  

Alternativa

Segundo ela, a saída foi se readaptar ao mercado, procurar novos fornecedores, mudar os produtos, mudar a identidade da loja e vender produtos mais populares. “O que caiba no bolso do cliente. Como, por exemplo, trabalhar com moletons, agasalhos, e foi aí que a gente começou a vender via Internet. Tivemos que refazer o conceito da loja e, por isso, está muito difícil agora”, explica.

Dificuldades

A comerciante ressalta que as vendas, como alternativa, pela internet não foram suficientes para fazer frente à pandemia. “Porque quando entramos com os produtos mais simples, aí a loja não era conhecida nesse nicho de mercado, não tinha essa identidade com os clientes”, comenta.

Ela comenta que a pandemia trouxe efeitos muito prejudiciais ao comércio de roupas, fazendo as vendas presenciais caírem até 38%, o que levou à redução de funcionárias. “Sempre tive nove colaboradoras e, hoje, estamos em quatro, pra poder manter a loja aberta”, afirma. E, acrescenta, “acho que só vai voltar ao normal no momento que tiver vacina, liberação para festas, e voltar as aulas. Por enquanto estamos sobrevivendo”, observa.

Calçados        

Segundo a proprietária da loja de calçados, Ilza Luíza Farina, a pandemia afetou muito o segmento de calçados, em função de que as pessoas não saíam para gastar com o isolamento social.  

“A internet nos ajudou até 15% das vendas, mas sapatos envolve prova, então não é um caminho muito aberto, não traz muito retorno. A todo tempo chamamos os clientes via redes sociais, mas não foi muito produtivo, não foi a salvação, a nossa venda é feita olho no olho”, explica.

Ilza afirma que as vendas diminuíram 50% neste período, mas como a empresa está bem estruturada, sem gastos excessivos e desperdício, conseguiu se manter equilibrada, sem precisar demitir colaboradoras. “Até porque o nosso quadro já é enxuto, estamos em seis pessoas na loja”, afirma.  

Ela explica que com a internet a loja conseguiu atender os clientes antigos, mensalistas, porque a empresa tem crediário próprio, nos pagamentos, e isso ajudou a equilibrar as contas. “Mas a internet não se mostrou um suporte diferenciado para vendas”, disse.

Perspectivas

Segundo Ilza, que trabalha há quase 40 anos no comércio, é preciso acreditar que isso tudo vai passar, e o mais importante, “continuo acreditando que o trabalho ordinário alcança a graça extraordinária”. Ela afirma que é preciso ver o cliente como alguém que precisa do auxílio do vendedor. “Sempre acreditei que atender bem as pessoas, de coração, é o caminho”, diz.

Na sua avaliação, com o passar dos dias, as vendas não voltarão ao que era, porque o consumo não é mais o mesmo. “Mas alguém sempre precisará de um calçado”, diz.

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