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Economia

Custo elevado: “está horrível”

Afirma aposentada sobre o preço dos alimentos. Reajustes impactam diretamente no bolso e na qualidade de vida dos consumidores

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A comida está muito cara, afirma Neusa Artuzo Adrichen
"Tudo isso pesa no orçamento”, afirma Helena Antônia Prichoa
Por Ígor Dalla Rosa Müller
Foto Ígor Dalla Rosa Müller

O consumidor erechinense viu uma escalada de preços dos alimentos nos últimos meses, em plena pandemia do novo coronavírus (covid-19), crise sanitária e econômica. Os elevados preços atingem arroz, feijão, hortifrútis, óleo de soja, carne, entre outros produtos essenciais do dia a dia.

Alta nos preços

De acordo com o IBGE, a inflação de agosto foi a mais alta para o mês desde 2016, embora o índice (0,24%) tenha desacelerado em relação a julho (0,36%). “Pesaram mais no bolso do consumidor, principalmente, a gasolina, que subiu pelo terceiro mês seguido, e os alimentos, que chegaram a registrar certa estabilidade de preços em julho, mas voltaram a subir em agosto. Para as famílias de menor renda, o impacto é maior”, disse o instituto.

Pesquisa

Um estudo da Mobills, startup de gestão de finanças pessoais, mostrou que após três meses de enfrentamento da pandemia no Brasil, 34,9% dos gaúchos ainda estão enfrentando um momento delicado em relação às finanças pessoais - sendo que 3,9% tiveram suas receitas totalmente perdidas e 31% parcialmente reduzidas.  Em relação ao aumento de gastos aos últimos dois meses, 73,64% afirmaram ter gastado mais com o mercado e 43,41% tiveram aumentos nas contas de água, energia e gás. A pesquisa foi realizada entre os dias 2 e 13 de julho, com mais de dois mil usuários da plataforma, sendo que o recorte para o RS contou com 129 respondentes.

Situação complicada

Segundo a aposentada, Neusa Artuzo Adrichen, que faz regularmente compras no mercado, a comida está muito cara. “Está horrível”, diz. Para ela, os preços dos alimentos mudaram muito neste período de pandemia. “Todos os mantimentos, carne, ovos, estão muito caros, ainda mais com a gente que é aposentada e ganha salário mínimo”, afirma.

Neusa ressalta que toda essa situação tem um agravante, além do aumento dos preços dos alimentos, que já pesam no orçamento familiar, ainda tem os remédios pra comprar, e tudo isso, ganhando salário mínimo. “Sou casada e o meu marido também é aposentado, mas se aposentou mal. Aí não é fácil, tudo fica muito complicado”, diz.  

A aposentada ressalta que, às vezes, é preciso deixar de comprar alguns alimentos. “E só levar o mínimo, o essencial, sem supérfluos. O bom é que moramos na nossa casa, não precisamos pagar aluguel”, disse.   

Ela ressalta que a pandemia mudou muito o preço dos alimentos, e essa situação a preocupa muito. “Ainda mais a gente que gasta bastante com remédios”, afirma. Enquanto a entrevistava no centro de Erechim, Neusa aguardava a farmácia abrir. “E os remédios são um gasto principal também, porque não tem como deixar de tomar, porque é com os remédios que a gente vive”, disse.

Diferença grande

A vendedora, Helena Antônia Prichoa, afirma que o preço dos alimentos variou bastante. “A diferença é grande, de modo geral, frutas, verduras, ovos, carne, senti bastante as mudanças de preço, e tudo isso pesa no orçamento”, comenta, já que ela é uma funcionária comissionada. Ela enfatiza que não chegou ainda a mudar os meus hábitos alimentares. “Mas me controlo bastante pra conseguir fechar a conta”, diz.   

Mais do que antes   

A aposentada, Gertudres Santin Sirena, também sentiu muita diferença nos preços dos alimentos. “Os preços estão altíssimos. É inacreditável que numa pandemia as coisas estejam tão caras, não tem como continuar dessa forma”, afirma.  

“As pessoas estão sofrendo muito com isso, porque o dinheiro está encurtando cada vez mais e tudo está encarecendo muito. A gente tem filha estudando, então tem que se privar das coisas. Senti muita diferença nos alimentos do dia a dia, arroz, feijão, carnes, principalmente. Então, tem que optar por alimentos mais acessíveis, que antes podia comer toda hora agora tem que controlar”, diz.  

Para Gertrudes tem que haver uma mudança muito grande em toda essa situação porque da maneira que está não tem como continuar. “A gente que tem renda fixa já está difícil. E, agora, as pessoas que estão desempregadas eu fico imaginando como elas fazem para viver com um salário mínimo. Não tem como! Sem falar na saúde, ou se come ou compra remédio, tem que fazer opções, isso é horrível, tem que escolher nesse mês posso fazer isso e aquilo no outro mês e assim por diante”, afirma.

Absurdo  

Para Luana Ketlin Rosa, que há pouco tempo virou mãe, teve recentemente uma filha, os preços dos alimentos subiram muito. “Na verdade, quase todos os alimentos aumentaram, azeite, arroz, feijão, ovos, tudo aumentou neste período de pandemia. E foi um aumento absurdo, porque a gente vai no mercado com R$ 100 e sai com poucas compras, parece que o dinheiro não tem valor”, disse.

Segundo Luana, não tem mais condições de ir no mercado. “Sentimos muito a diferença, ainda não deixamos de comprar as coisas que precisamos, mas mesmo assim, ao ir no mercado tem que escolher o que está mais em conta, porque senão não tem como comprar, é necessário pesquisar e comprar em oferta”, disse.

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