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Economia

Semana Farroupilha: sem eventos presenciais o prejuízo é generalizado

Acampamento de Erechim já foi considerado um dos maiores do estado, mas em função da pandemia deixará de movimentar diferentes setores e serviços da economia

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Galpões fechados e sem público. Essa é a realidade do Acampamento Farroupilha deste ano, situação qu
Por Ígor Dalla Rosa Müller
Foto Arquivo BD/Ígor Dalla Rosa Müller

A Semana Farroupilha está oficialmente aberta e vai até próximo dia 20 de setembro, data em que se comemora a Revolução Farroupilha. Neste ano, as comemorações realizadas pelas entidades tradicionalistas serão em formato on-line, sem a presença do público, que participava dos eventos, mas em função da pandemia do novo coronavírus (covid-19) não poderá vivenciar os festejos, danças, cultura e comidas gaúchas. E qual o impacto disso na economia local, já que neste ano a Semana Farroupilha não terá o essencial: pessoas celebrando juntos a tradição.

O Acampamento Farroupilha de Erechim já foi considerado um dos maiores do Rio Grande do Sul, evento que movimenta diferentes setores da economia. Para o coordenador da 19ª Região Tradicionalista (RT), Armelindo Rosset, esse ano será tudo muito diferente.

Ele explica que a Semana Farroupilha, com uma programação normal, movimenta todo o comércio, lojas de vestuário tradicionalista, carnes, bebidas, alimentos. “Mas neste ano tudo isso ficou prejudicado”, afirma.

Além disso, acrescenta Rosset, não estão acontecendo os bailes das entidades tradicionalistas nos CTGs o que movimentava muito todos esses setores. Ele cita como exemplo, a abertura oficial da Semana Farroupilha no domingo em que contou com a presença de 30 pessoas, e que no ano passado com o público dos galpões havia 400.

Segundo ele, outro ponto que vai refletir muito nas vendas do comércio se dá em função de que grande parte do público presente nos eventos tradicionalistas participam mais das festividades da Semana Farroupilha. “E, assim, investem em trajes típicos, o que não vai ter este ano. Como também iriam consumir mais alimentos e bebidas, e isso iria gerar vendas, movimentar o comércio, gerar impostos ao município”, afirma.

O coordenador da 19ª Região Tradicionalista (RT), Armelindo Rosset, ressalta que neste ano será feito somente o necessário para manter viva as tradições gaúchas.  

Vestuário

Para a proprietária da loja Prenda Rosa de confecções tradicionalistas, Rosa Maria Bolfe, as vendas deste período diminuíram aproximadamente 80% em relação ao ano anterior. Ela, praticamente, deixou de vender quase todas os itens da loja, vestidos, sapatos, chapéus, bombacha, alpargatas em função da pandemia e do cancelamento dos eventos.  Numa situação normal, a comerciante estaria realizando muitas vendas neste momento. “Não sei como vai ficar”, afirma.

“A gente vendia para os CTGs, que faziam ensaios, para as Invernadas, concursos regionais, estaduais, e em função de tudo isso ser cancelado, as vendas caíram muito. As pessoas investem mais em trajes quando tem os eventos, roupas sob medida, tanto público masculino quanto feminino”, explica. Rosa ressalta que perto do que se vendia, anteriormente, quando ocorriam os eventos, a venda de hoje é insignificante.  

Apesar da redução nas vendas a empresária não demitiu nenhuma das quatro funcionárias, e achou na produção de máscaras para a pandemia uma alternativa para manter parte do faturamento da loja e segurar as colaboradoras.

“No começo de tudo isso se tinha a perspectiva que em agosto, setembro, tudo estaria numa situação normal, mas não é isso que está ocorrendo. Então, a partir de agora não sei como será”, observa.  

Rosa salienta que a expectativa de vendas para a Semana Farroupilha é praticamente mínima. Ela tem a loja desde 1996 e foi a primeira vez que viu uma queda tão grande nas vendas.

Alimentos

A proprietária do Supermercado Querência, Silvania Martovicz, comenta que a sua empresa sempre esteve ligada ao CTG Sentinela da Querência, fornecendo alimentos há mais de 20 anos. “Neste ano está atípico, porque tudo que estava planejado não aconteceu”, diz.  

Segundo a empresária, neste ano, sem nenhum tipo de evento e comemoração, as vendas de alguns itens diminuíram. “O que se percebe é que a venda de bebidas, carnes e pão, não é mais como nos anos anteriores. São produtos específicos, usados mais neste momento. Como também não há procura por charque, que vendia antes, e agora é algo que dificilmente vai vender. Não é a mesma coisa, houve um impacto”, observa. E, acrescenta, “com a pandemia todos os hábitos mudaram”.  

Para o gerente do Caitá Supermercados em Erechim, Wanderlei Dick, realmente se percebeu uma redução nas vendas. A venda de bebidas diminuiu até agora uns 10%, assim como, outro produto muito simbólico da cultura gaúcha: a costela. “Os consumidores levavam muito costelão inteiro, e isso também diminuiu em torno de 10%, agora”, diz. Ele acrescenta que essa avaliação é deste momento, porque daqui uns dias pode ser ainda maior a queda no percentual de vendas. 

Segundo Dick, isso porque, o consumo e a demanda por alimentos na Semana Farroupilha era quase que diária. “Eram quase 15 dias diretos de consumo, praticamente três semanas em que se vendia mais, e agora não vai ser vendido. Tinha grupos que faziam cadastro no mercado porque retiravam produtos todo dia e acertavam no final do evento”, lembra. Ele acrescenta que nos dias de shows aumentava ainda mais as vendas para o público tradicionalista.  

Cultural

A cultura é outro segmento da economia que está sentindo muito os reflexos da pandemia e do isolamento social. Para a empresária do grupo Os Monarcas, Tatiana Santin, a falta de eventos presenciais, como o Acampamento Farroupilha, está afetando muito o conjunto, que está passando por um momento muito complicado.

“Tínhamos esperança que tudo voltasse ao normal, com brevidade, mas já estão cancelando eventos da nossa agenda do início do ano que vem. Estamos buscando algumas alternativas, mas há muitas dificuldades em realizar os próprios eventos, coisa que a gente nunca precisou fazer. Ser os proponentes. Agora, com essa pandemia estamos nos reinventando, mas mesmo assim encontrando muitas barreiras para fazer as coisas acontecerem”, comenta.  

Segundo Tatiana, toda essa situação é muito desmotivadora. “Sabemos que a classe artística, não somente os músicos, mas as pessoas envolvidas com a cultura, diretamente, estão sendo muito afetadas, senão as mais prejudicadas, e poucos são os órgãos competentes que estão olhando para essa classe”, destaca.

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