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Cultura

Música: presença marcante que vai além da pandemia

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Gleison Juliano Wojciekowski e Patrick Borgmann
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Por Izabel Seehaber
Foto Divulgação

O mês de outubro inicia com uma homenagem especial à arte da música. Ela que se torna, até mesmo, uma companhia para muitas pessoas, independente do estilo ou gênero, conquista diferentes faixas etárias e proporciona benefícios para o corpo e também à mente.

Neste 1º/10, Dia Internacional da Música, o professor, mestre em Música, História e especialista em Regência Orquestral, Gleison Juliano Wojciekowski, relata que, nesse ano, de modo especial, diante da pandemia do novo coronavírus, aparentemente a data não teria razões para ser celebrada. Ledo engano, reforça, afinal, mesmo com tantos desafios que compreendem essa “nova normalidade”, em que os shows, bailes, espetáculos e as diversas formas de aglomeração se encontram proibidas, levando o setor a uma crise econômica sem precedentes, o campo da música busca sempre se reinventar. “Isso acontece de diferentes formas, seja por meio de ensaios remotos, lives, gravações, vídeos, novas formas de aulas e apresentações seguras, em que os profissionais mostram toda sua capacidade de adaptação”, afirma.

Gleison reitera que, exatamente nesse momento de dificuldades, a música mostra sua real importância para a humanidade. “Não é mera coincidência que todas as culturas ao longo da existência da humanidade tiveram alguma forma de expressão musical, fazendo com que alguns pesquisadores afirmassem que somos o Homo Musicales”, acrescenta.

Vale lembrar, ainda, que após o período da Peste Negra, no fim da Idade Média, a humanidade passou por um momento de transformação na cultura, economia, política, religião e na sociedade de modo geral, chamado de Renascimento. Neste período a música e as artes, como um todo, tiveram uma grande valorização e desenvolvimento.

Mudança de postura

A partir da pandemia, período em que as pessoas foram privadas do convívio social, enfrentando um novo momento, a prática musical em coros, as orquestras e aulas de música, também sofreram algumas restrições. “Quando aliada a uma exclusão tecnológica, houve uma ruptura musico-social, o que não raro levou diversas pessoas a problemas de ansiedade e depressão. Ouvi inúmeros relatos de casos em nossa região”, alerta.

Ao mesmo tempo, pontua o músico, houve um aumento significativo de interesse pelas aulas particulares de música. Entre os motivos está a busca pela realização pessoal, melhoria da qualidade de vida, da forma de enfrentar as dificuldades do momento atual, com mais serenidade. “Enfim, um remédio para a mente e para alma”, destaca.

De acordo com Gleison, muitos músicos (amadores inclusive) gravaram faixas e vídeos para a Internet, sendo que as pessoas em seus lares continuaram a consumir música, apesar das dificuldades. “No futuro, quando os pesquisadores estudarem o nosso tempo, poderão ter uma real dimensão de tudo que está acontecendo, mas acredito profundamente que vivemos um período de transição, e, nesse futuro, poderemos viver um “novo renascimento”. As escolhas dependem exclusivamente de cada um de nós. Porém de uma coisa tenho certeza, a música continuará a fazer parte de nossa vida, como tem feito desde o surgimento da humanidade”, ressalta o professor.

A expectativa pela mudança de cenário

Atuando no ramo da música há cerca de 10 anos, o estaçonense, Patrick Borgmann, salienta que a música representa sua própria vida. “É minha terapia, meu "ganha pão" e é como expresso meus sentimentos, minha personalidade. Creio que para as outras pessoas também seja parecido, algo fundamental. Afinal, a música cura, alegra, acalma e consola”, comenta.

Entre os principais impactos observados desde o início da pandemia (seja em relação aos shows e apresentações em barzinhos, por exemplo, como também ao trabalho como professor), o jovem músico disse que nunca sequer imaginou um cenário como esse. “Por sorte eu tinha uma reserva, prestava serviços com contratos, além de trabalhar com carteira assinada. Consegui encaminhar o seguro desemprego, mas minha principal fonte de renda vinha dos shows (entre nove e 17 por mês) e eu completava com aulas. Com a pandemia, vieram as mudanças. É triste ficar “sem chão”. É lamentável pois investimos tanto tempo, dinheiro”, desabafa.

Por outro lado, Patrick reforça que, felizmente, aos poucos, o setor está retomando as atividades. “É preocupante, pois, quem põe comida na nossa mesa? Muitos de nós não recebeu nem mesmo o auxílio emergencial”.

Na busca por tentar amenizar os prejuízos, muitos profissionais da área optaram pelas lives. “Eu fiz e participei de algumas para ajudar os mais necessitados. Não é fácil conseguir patrocinadores e parte do povo nos incentiva para que façamos lives para ajudar alguém, sendo que estamos a mais de seis meses sem shows”, acrescenta.

Patrick enfatiza que a música, como qualquer outra forma de arte, está sempre se modernizando. “Basta fazer uma retrospectiva das últimas décadas. Felizmente hoje a Internet facilitou muito para que possamos ouvir qualquer música, a qualquer hora. Artistas de diferentes esferas usam as plataformas digitais para divulgar seus trabalhos. Isso significa que cada vez mais veremos novos talentos surgindo, mas, em contrapartida fica um pouco mais complicado para o ouvinte filtrar aquilo que está na redes”, pondera Patrick.

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