Nesta semana, em que foi celebrado o Dia Mundial da Visão, o Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO) divulgou um levantamento que sinaliza para o aumento no número de cirurgias de catarata. Conforme os dados, a realização dos procedimentos teria dobrado nos últimos 10 anos no Brasil.
A catarata afeta o cristalino (a lente) do olho, deixando a visão deficiente, opaca, podendo até mesmo levar à cegueira. A doença costuma aparecer com mais frequência na população a partir dos 60 anos de idade, em média e, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), é responsável por 48% dos casos de cegueira no mundo, acometendo principalmente a população idosa. A catarata também atinge crianças e adolescentes, mas são casos mais raros.
O médico oftalmologista e diretor do Instituto de Olhos Santa Luzia de Erechim, Fábio Vaccaro, destaca que a clínica é referência em toda a região e também registra um crescimento expressivo nas cirurgias de catarata. “É uma demanda grande, principalmente em razão do envelhecimento da população e também pelo aumento da expectativa de vida. Cada vez mais as pessoas buscam qualidade de vida e, por sua vez, boa visão. Com o advento das tecnologias, principalmente, essa preocupação se intensificou”, comenta.
Outro aspecto citado pelo especialista é a evolução do procedimento. Segundo ele, no passado exigia um tempo maior de cuidado. Atualmente, o paciente chega na clínica e recebe um colírio que fará a anestesia local e a cirurgia dura em média 10 a 15 minutos. Após, é possível sair com o olho aberto e sem curativos. “Graças as tecnologias e equipamentos, há chances de fazer uma cirurgia minimamente invasiva e com recuperação mais rápida. Isso reflete, ainda, na segurança do paciente, que geralmente procura o médico mais cedo e demonstra mais confiança”, enfatiza.
Sinais de alerta
Dr. Fábio salienta que, entre os sintomas da catarata está a sensação de visão embaçada (como se tivesse uma névoa na frente dos olhos); dificuldades no momento de dirigir, especialmente à noite, ou, também, no contato com a luz do sol muito forte (excesso de luminosidade, em geral); além de mudanças muito frequentes no grau do óculos e perda da sensibilidade de cores e contrastes.
Tempo de espera reflete no resultado
O médico oftalmologista explica que os métodos de tratamento evoluíram muito. Se, há mais de 20 anos a cirurgia exigia um corte de 1,5 centímetros no olho para retirada da catarata inteira, hoje é utilizado um aparelho que acessa a região por meio de uma incisão de dois milímetros, momento em que acontece a aspiração da catarata. “Além da cirurgia ser menos invasiva, quanto mais tempo o paciente esperar, mais dura estará a catarata e mais difícil será o processo. Contudo, quem decide a hora de operar é o paciente. Se ele considerar que o problema está atrapalhando muito o seu dia a dia, é importante buscar atendimento”, reforça.
Período de retomada
Em março desse ano, momento em que a pandemia começou a registrar os primeiros casos confirmados no país, as atividades oftalmológicas, incluindo as cirurgias, foram paralisadas por 15 dias, por orientação do Conselho Brasileiro de Oftalmologia.
Aos poucos, os trabalhos foram retomados, seguindo todos os protocolos de prevenção à covid-19.
As cirurgias, em um primeiro momento, diminuíram expressivamente. Isso porque os paciente são geralmente idosos e os próprios familiares pediram para que fossem evitadas as consultas.
Nos últimos dois meses, esse cenário vem se modificando e, especialmente nos últimos 40 dias, ampliou significativamente a procura, até mais do que antes da pandemia. “Observamos todos os cuidados, desde o distanciamento na sala de espera, o uso de máscara, é disponibilizado álcool em gel para evitar qualquer tipo de contaminação”, reitera Dr. Fábio.
Resultados
Conforme o especialista, em toda cirurgia, o risco principal se refere às infecções. No entanto, no caso da catarata, esse índice é muito baixo e considerado raro. “Em algumas situações, o resultado pode não ser o esperado em razão de outros problemas que vão além da catarata, como complicações na retina e na córnea. Se o olho tem somente a catarata, geralmente é uma cirurgia de grande sucesso, com muitas chances de recuperação da visão e de forma tranquila para o paciente”, ressalta Dr. Fábio.
No País
No ano passado, em todo o País, foram feitas quase 601 mil cirurgias de catarata por meio do Sistema Único de Saúde (SUS), contra 302 mil em 2009.
Santa Catarina foi o estado em que o número mais aumentou nesse período: 430%. Em seguida, aparecem os estados do Rio de Janeiro, com elevação de 324%, e da Bahia, com 249%. Em Alagoas, Amapá, Ceará, Maranhão, Mato Grosso e Roraima, os números caíram.