21°C
Erechim,RS
Previsão completa
0°C
Erechim,RS
Previsão completa

Publicidade

Rural

As previsões não são animadoras e a situação já é complicada

Apesar dos preços atrativos, clima não está colaborando. Trigo teve quebra em função da forte geada. Milho já contabiliza perdas devido à seca. Soja na espera pela chuva para iniciar o plantio

teste
Se não chover, as perdas no milho podem ser ainda mais devastadoras
“Agora entramos num estágio da planta complicado nos próximos dias"
Por Ígor Dalla Rosa Müller
Foto Ivan Dalla Rosa Müller

Os agricultores do Alto Uruguai estão apreensivos e na expectativa pela chuva.  A última precipitação expressiva em Erechim foi de 15 milímetros no dia 16 de setembro. Isto é, hoje (16) completa um mês sem chuvas significativas no município. Essa falta de água já preocupa os agricultores, principalmente, quem plantou o milho mais cedo para colher o grão ou para fazer silagem para os animais. O déficit hídrico também está interferindo nas pastagens. Havia previsão de chuva para esta semana, assim como para semana passada, que também não aconteceu. As previsões não são animadoras e a situação já é complicada.    

Milho

A situação já está difícil para as lavouras de milho, já que há perspectiva de pouca chuva para o fim de semana, afirma o engenheiro agrônomo, Luiz Angelo Poletto, assistente técnico regional em Sistemas de Produção Vegetal da Emater/RS-Ascar. A estimativa de cultivo de milho para a safra 2020/2021 é de 45 mil hectares, dessa área, 15 mil hectares serão destinados para produção de comida aos animais: silagem.

Se o tempo persistir sem chuva, os prejuízos no milho serão inevitáveis. E, para se ter uma ideia isso afeta diretamente 4.553 produtores comerciais de leite, com um rebanho de 77.413 vacas e uma produção anual que gira em torno de 310.908.926 litros por ano, segundo o engenheiro agrônomo e doutor em Agroecossistemas da Emater/RS-Ascar, Vilmar Fruscalso.

Poletto observa que o milho está praticamente 90% plantado e todo ele em estado vegetativo. “No momento, aguentando”, diz. Ele ressalta que o tratamento com ureia não funcionou bem e está faltando chuva para a planta se desenvolver melhor.

“Agora entramos num estágio da planta complicado nos próximos dias, e se não chover põe em risco mais 60% da safra da região Alto Uruguai, que já tem perdas”, afirma. Ele comenta que já a lavoura de milho já tem prejuízos bem significativos, e se prolongar por mais dez dias esta estiagem serão ainda piores para a cultura. “Podemos chegar a perdas que ultrapassem 60% do milho na região”, enfatiza.   

Trigo

Segundo Poletto, nesta semana está iniciando a colheita do trigo em algumas propriedades. Neste ano, houve um aumento de área nas culturas de inverno para 32.050 hectares, o que representa acréscimo de pouco mais de 11% em relação à safra passada.

Alguns produtores na região que utilizam boa tecnologia na cultura estão conseguindo colher uma média de 70 sacos por hectare de trigo. A saca hoje (15) está em R$ 68, segundo site da Cotrel e preço praticado pela CooperAlfa. Segundo a Embrapa, o custo de produção está estimado em 44 sacas. A produtividade média da região, no ano passado, que teve uma safra boa, foi de 55 sacos por hectare.

Conforme o gerente regional da Emater/RS-Ascar, Gilberto Tonello, a geada fora de época ocasionou perdas nas lavouras de trigo nas áreas mais baixas, que chegam a 20%. “A cultura também sentiu um pouco a falta da chuva”, afirma.

Soja

Conforme Poletto, o plantio da soja não está sendo realizado em função da falta de umidade no solo, falta de chuvas. “Assim que der uma chuva entre 20 mm a 30 mm aí se inicia o plantio. Acreditamos que isso possa ocorrer na semana que vem. O produtor já fez a dessecação e está com as plantadeiras preparadas para iniciar o plantio, mas somente vai plantar depois da chuva”, comenta. A projeção inicial de área de plantio para a soja é de 234 mil hectares.

Ontem (14), a saca de soja estava R$ 149 conforme preço praticado pela CooperAlfa, no site da Cotrel. A média de produtividade da soja na região está em 60 sacas por hectare.

Radiografia da região

Faxinalzinho

Conforme Poletto, em Faxinalzinho o principal problema é a falta de água em algumas propriedades e na bovinocultura de leite. As pastagens estão sem rebrote e impossibilitando plantio, e as que estão plantadas não desenvolvem.  “O milho não tem como quantificar perdas, mas atrasou a aplicação de ureia e quem aplicou, a última chuva foi de 4 milímetros”, diz.

Erval Grande

A situação de Erval Grande está muito semelhante à de Faxinalzinho, o milho já está sentindo a falta de chuva e alguns produtores não aplicaram nitrogênio. A produção de leite está em queda e os pomares de citros recém-plantados sendo molhado pelos produtores.

Itatiba do Sul

Poletto afirma que em Itatiba do Sul a realidade é parecida com a de Erval Grande, com um agravante, ataque de lagartas, favorecido pelo período seco na cultura do milho.

Sertão

“Em sertão choveu no mês de agosto 120 milímetros; em setembro, 142 milímetros; e, em outubro 13 milímetros até hoje. A precipitação normal para esses meses são, na ordem, 187,8 mm; 197,7 mm e 152,9 mm. Portanto, as chuvas estão abaixo das normais, confirmando as previsões até o momento de La Nina”, afirma.

Ele explica que a cultura do milho recém- implantada está de maneira geral com a adubação em cobertura atrasada e comprometida. Os cereais de inverno, como cevada e trigo, em fase de enchimento de grãos e maturação, começam a aparecer efeitos das geadas e falta de chuvas, comprometendo qualidade como tamanho dos grãos na cevada e peso hectolítrico (PH) do trigo.

Áurea

O município de Áurea já tem pedidos de seguro Proagro referente à geada, e se não chover nos próximos dias certamente terá solicitação de Proagro em função da seca, já que as perdas já iniciaram.

Três Arroios

Conforme Poletto, em Três Arroios a última chuva foi de 19 mm no dia 26 de setembro, sendo que a média histórica de precipitação deste mês é de 220 mm.  O mês de setembro fechou choveu 73 mm.

As culturas de inverno estão, nitidamente, antecipando a maturação. E as culturas de verão, como o milho já tem problemas pontuais de germinação, atraso na aplicação de nitrogênio e desenvolvimento, e algumas lavouras já apresentam sintomas de “murcha”. As pastagens estão com rebrote e desenvolvimento deficientes. E algumas culturas como melão, melancia, alho estão com seu desenvolvimento já comprometido.

Severiano de Almeida

No mês de setembro choveu 87 mm, sendo que a média histórica do município, numa série de 25 anos, é de 218 mm. E no mês de outubro foram somente 2 mm de chuva, sendo que a média histórica (série de 25 anos) é de 279 mm. “A situação atual é preocupante, muitos produtores fizeram aplicação de nitrogênio e ureia em duas ocasiões que havia prenuncio de chuva, mas acabou não acontecendo. Seguindo esta tendência que se observa parece que o efeito climático anunciado está se instalando na região”, afirma.

Leia também

Publicidade

Blog dos Colunistas

;