Fortes e poderosos. Muitos homens se sentem dessa forma o tempo todo e, por isso, nem sempre imaginam que poderão enfrentar uma doença grave como o câncer de próstata, por exemplo. Contudo, as estatísticas indicam o contrário: o Instituto Nacional do Câncer (Inca), estima o diagnóstico de mais de 65 mil novos casos do câncer mais comum entre os homens – excluindo-se o câncer de pele não melanoma.
Sendo assim, vale reforçar a importância da prevenção e, com isso, o que ganha ainda mais força é a campanha ‘Novembro Azul’, lançada no ano de 2003, em decorrência do 17 de novembro, Dia Mundial de Combate ao Câncer de Próstata.
Em 2020 o Ministério da Saúde recomenda que o ‘Novembro Azul’ também seja destinado à conscientização dos riscos ao câncer de pênis, que representa hoje 2,1% de todas as neoplasias masculinas no Brasil. O foco principal da mobilização é ampliar o alerta de que o diagnóstico precoce é o melhor caminho para a cura.
O urologista, cirurgião oncológico e professor da URI de Erechim, Marcelo Guollo, considera a campanha de extrema importância e avalia que a saúde do homem, ao longo das décadas, foi um assunto deixado em “segundo plano”. “No caso da mulher houve um reforço em relação a importância de consultas anuais com o ginecologista. No âmbito masculino, há uma mudança, seja por questões sociais e até mesmo, pessoais, considerando, ainda, o preconceito que há em relação à consulta com o urologista. Outro fator é que, muitas vezes o homem não dedica um tempo especial para cuidar da saúde. Nesse contexto percebemos que há, em todas as faixas etárias, mais óbitos do sexo masculino”, comenta, citando que o objetivo é chamar a atenção para que ele tire esse tempo para a avaliação, em especial na prevenção do câncer de próstata.
Dr. Marcelo também atua no serviço de Oncologia da Fundação Hospitalar Santa Terezinha, o qual é referência no atendimento a mais de 50 cidades pelo Sistema Único de Saúde (SUS). “Percebemos uma incidência alta na região, sendo que há uma média de cinco a seis casos por mês que passam por cirurgia”, pontua.
O médico enfatiza que, nem todo tipo de diagnóstico de câncer tem indicação de procedimento cirúrgico. Por isso é muito importante que o paciente seja avaliado e, o quanto antes, busque o serviço de saúde. A taxa de cura em câncer precoce fica em torno de 90 a 95%. “Há situações em que é possível somente fazer o acompanhamento dos pacientes e tratamento de outras formas não-cirúrgicas, tais como radioterapia e braquiterapia. Então, esse preconceito que muitos homens tem ao não querer passar pela cirurgia e não ter efeito colateral, não procede”, ressalta.
Quando consultar?
A campanha sugere a avaliação anual a partir dos 50 anos, para todos os homens e, no caso de haver fatores de risco (raça negra, histórico familiar de câncer de próstata, obesidade, pessoas que tem uma dieta rica em carne vermelha, sedentarismo, entre outros), o indicado é após os 45. “Antes dessa idade é possível de ocorrer mas a incidência é bem menor”, acrescenta o urologista, explicando que nas idades mais avançadas o tratamento é adequado às condições do paciente. “Não costumamos indicar cirurgia, mas a ideia principal, até mesmo em relação à expectativa de vida, é reforçar os cuidados, especialmente na faixa dos 50 aos 75 anos”, alerta.
Sintomas
Segundo o especialista, o câncer de próstata é assintomático. Sendo assim, todo sinal como: aumento da próstata e dificuldade para urinar, pode estar relacionado a um componente de doença benigna ou já indica um quadro mais avançado. “Nessa situação, quando fizemos o diagnóstico, geralmente a doença não é mais curativa e deve ser iniciado um tratamento paliativo. Por isso, não podemos considerar o sintoma como um indicativo para buscar a prevenção. É fundamental que o homem perceba que não é um “super-homem”, pois os problemas podem surgir. Sendo assim, deve ficar atento à saúde, identificar o problema e tratá-lo, deixando o preconceito de lado”, orienta Dr. Marcelo.
No Estado
No Rio Grande do Sul, por exemplo, conforme a Secretaria Estadual de Saúde, o câncer de próstata é a maior causa de mortalidade da população masculina, entre todos os tipos de câncer. Nesse sentido, o coordenador da Política de Saúde do Homem, Carlos Antônio da Silva, enfatiza que o melhor remédio é a prevenção. “Cuidado e autocuidado são fatores de proteção, e a melhor idade para isso, é agora”, aconselha.
Silva frisa que os homens devem buscar atendimento nos serviços de saúde não apenas em novembro, mas em todos os meses do ano. O diagnóstico precoce e completo desta neoplasia é feito com o teste Antígeno Prostático Específico (PSA), com toque retal e biópsia. O acesso ao atendimento pelo SUS é a Unidade Básica de Saúde ou a Estratégia de Saúde da Família (ESF).