A erva-mate é uma cadeia extremamente importante para a economia do Alto Uruguai, que envolve milhares de produtores e movimenta milhões de reais. No entanto, o setor está vivendo um momento muito atípico, segundo o engenheiro agrônomo, Valdir Zonin, supervisor regional da Emater e presidente da Associação dos Produtores de Erva-Mate do Alto Uruguai (Aspemate).
Conforme Zonin, essa situação se deve a pandemia, que está ocasionando a alta geral dos preços dos alimentos. “Incremento na demanda global por erva-mate e coprodutos; crescente exportação para a Argentina que convive nos últimos anos com menor oferta do produto em decorrência de estiagens e fortes geadas; escassez da matéria-prima no Brasil, principalmente, RS, SC e PR devido à estiagem de 2019 e 2020”, afirma.
Cadeia produtiva
Segundo o presidente, conforme dados da Aspemate, o Alto Uruguai tem, atualmente, em torno de 1.500 produtores de erva-mate numa área de aproximadamente 5.500 hectares. “Muitos desistiram da atividade erradicando ervais nos últimos anos, em decorrência das dificuldades de mão-de-obra para implantação, manejo e dependência na tarefa de colheita, além das complicações trabalhistas. Fato também estimulado pelo bom momento dos grãos e que exigem menor esforço braçal”, observa.
Efeitos
Zonin explica que a primeira e normal consequência disso tudo foi o aumento do preço da erva-mate colocada na indústria. “A erva-mate convencional, no Paraná, está variando de R$ 25 a R$ 28. No RS e, também, na nossa região, a mesma aumentou para aproximadamente R$ 22 a R$ 24 (a plantada), e R$ 25 a R$ 30 nativa e orgânica”, comenta.
O engenheiro agrônomo observa que até o momento esse incremento de praticamente 100%, de um ano para cá, não foi repassado na totalidade ao consumidor, mas que em breve deverá acontecer. “Até porque a produtividade média dos ervais está 30% a 40% inferior ao normal, que seria em torno de 700 arrobas por hectare. Apenas na nossa região são mais de 23.000 toneladas de erva-mate perdida, um prejuízo de aproximadamente R$ 80 milhões, considerando o preço final ao consumidor”, afirma.
“Com informações da Emater/RS - ASCAR - região de Erechim verificamos, principalmente, nos municípios de Viadutos, Gaurama e Áurea, entre outros, a morte de plantas devido à estiagem de 2019, e a redução de produtividade devido à estiagem em curso (setembro a novembro). Observamos, também, grandes perdas de mudas nos ervais plantados em 2020, nos meses de junho e julho, com praticamente 50% das mudas já mortas, murchas ou já sem folhas”, relata.
Cenário preocupante
O presidente da Aspemate ressalta que a cadeia produtiva da erva-mate, certamente, terá nos próximos 4 ou 5 anos momentos difíceis. “O produtor, apesar dos bons preços, terá baixa produtividade e deverá replantar novas mudas. A indústria, além dos altos custos de produção, não deverá conseguir atender as demandas. Os tarefeiros terão menor oferta para colheita. Já aos consumidores caberá a fatia de pagar preços mais salgados”, explica.
Recomendações técnicas
O engenheiro agrônomo e supervisor regional da Emater, sugere aos produtores que cuidem o melhor possível os ervais que estão sobrevivendo. “É muito importante a adoção de técnicas no sentido de minimizar as perdas por estiagens, como, por exemplo, sombreamento leve dos ervais”, disse.
Além disso, Zonin recomenda a introdução de coberturas verdes como aveia ucraniana e nabo no inverno, bem como amendoim-forrageiro e leguminosas no verão. “Fertilizações orgânicas e fosfatos naturais também auxiliam neste sentido. Lembramos também que a erva-mate orgânica é uma tendência universal em benefício de todos”, observa.