O início da safra 2020/2021 está trazendo muitos problemas e prejuízos aos agricultores do Alto Uruguai. A estiagem se faz presente e os estragos são evidentes no campo. Para piorar o quadro ocorreram geadas em algumas comunidades da região, uma delas na última quinta-feira (5), em pleno novembro, comprometendo ainda mais as lavouras.
Esse foi o caso do produtor de Áurea da comunidade do Rio Carola, Rodrigo Levandoski, que tem 28 anos e trabalha a vida toda no campo e não lembra de ter geado nessa época, nos últimos anos. Dos seis hectares de milho plantados, em estado vegetativo, que já vinham sofrendo com a seca, pelo menos cinco hectares foram afetados pela geada fora de época. “Sobrou pouca coisa. Agora tem que esperar, porque com esta seca está complicado. Faz tempo que não chove, e esses dias deu uns 10 milímetros, mas foi pouco”, afirma.
A lavoura de milho será destinada para colheita de grãos. “Se chover o milho vai recuperar uma parte, só que ainda não vai produzir aquilo que era esperado. É certo que metade da produtividade já se perdeu”, afirma.
Na propriedade ele cultiva também 75 hectares de trigo junto com o pai. Quase terminaram de colher, a safra iniciou bem, mas depois abaixou a produção. “Ainda não colhemos tudo, mas vai fechar uma média de 45 sacos por hectare. O trigo vai sobrar alguma coisa por causa do preço, que está bom”, comenta. Hoje, o custo de produção do trigo está em torno de R$ 1500 por hectare, diz ele.
Ele comenta que a situação da lavoura do milho está indefinida e a soja ainda não foi plantada em função da seca, se está esperando chover para a terra ter mais umidade.
Análise geral
Segundo o engenheiro agrônomo do Escritório Municipal da Emater/RS-Ascar de Áurea, Dibartolomei Zorzanello, essa geada foi mais localizada numa região do município. Hoje, Áurea tem cerca de 1700 hectares de área plantada de milho, que está sofrendo muito com a estiagem.
“Teoricamente, esse milho que vai entrar em florescimento, em alguns lugares vai ter 100% de perdas. A questão é que os prejuízos já são certos. De qualquer maneira haverá perdas, mas ainda não sabemos mensurar quanto. Grande parte do nosso milho está entrando em floração, uns 15% das lavouras, que é o estágio mais crítico. Se começar a chover a partir da semana que vem alguma área poderá se salvar”, afirma.
Quanto a lavoura de soja, que tem uma área cultivada de 6300 hectares no município, somente cerca de 300 hectares foram implantados, já que os produtores estão esperando a chuva.