O Natal de 2020 está chegando. Os enfeites começaram a ser montados no centro de Erechim. Falta um mês e meio para as comemorações natalinas que, neste ano, serão vivenciadas em meio a uma pandemia, crise sanitária e econômica. Mas o que dizem os consumidores com relação à compra de presentes na principal data do ano para o comércio.
Segundo a moradora do bairro José Bonifácio, Melania da Silva Zaions, que trabalha numa padaria em Erechim, ela pretende dar presentes neste ano, mas afirma que serão poucos. Ela imagina gastar uns R$ 250 e somente para os familiares de casa. Esse valor é bem menor do que gastou no Natal do ano passado, que ficou em torno de R$ 600.
Melania explica que a diminuição no valor dos presentes se deve, principalmente, em função da crise que se está vivendo. “E até mesmo para economizar, porque eu não sei o que vai acontecer mais adiante com tudo que está acontecendo. A gente não sabe do dia de amanhã. Hoje, tem que economizar para amanhã não passar fome”, afirma.
Conforme Aline Lenhardt, que no momento está desempregada em função da pandemia, o objetivo neste Natal é dar presentes simbólicos. Para os familiares será somente uma lembrancinha e para a filha um presentinho. “Quero gastar no máximo uns R$ 150, o que é muito menos do que gastei no ano passado, que chegou a R$ 350”, afirma.
Aline comenta que esta diminuição nos gastos se deve a crise do momento e o desemprego. “Está muito difícil, faz sete meses que estou desempregada. O que me ajuda é o auxílio emergencial, faço faxina também, e estou fazendo campanha para complementar a renda. Pago aluguel, luz, as despesas da casa e da minha filha”, conta.
Ela ressalta que, neste momento, é importante que as pessoas vejam as dificuldades dos jovens em encontrar serviço e se aprimorar. Aline afirma que é preciso aumentar a oferta de cursos de qualificação profissional para as pessoas conseguirem melhorar o currículo, se atualizar e preencher os requisitos do mercado de trabalho.
A cuidadora de idosos, Doraci Pereira da Silva, que há 30 anos se dedica a esta profissão, afirma que com a pandemia não tem como gastar dinheiro em presentes. Ela conta que mora com a mãe e não vai gastar nada neste ano, e que nunca foi muito de comprar presentes na época de Natal. Além disso, Doraci ressalta que está pagando a casa própria, que deixou de gastar com aluguel - já faz quatro anos -, e, por isso, precisa economizar. “Fiz empréstimo, comprei uma casinha e todo mês tem que pagar. E ainda faltam dois anos para terminar”, afirma.
A moradora do Cristo Rei disse que este ano os gastos serão só com comida. “E deu. Ah, e saúde se precisar comprar algum remédio, e nada mais”, afirma.
Programação de Natal
A abertura da programação de Natal de Erechim será no dia 21 de novembro. Segundo a prefeitura, a decoração será distribuída do pórtico, em frente ao Colosso da Lagoa, até o final da avenida Maurício Cardoso. A Praça da Bandeira será o ponto de maior destaque da decoração.
Pesquisa
Conforme pesquisa do IBGE, publicada nesta quarta-feira (11), em setembro de 2020, o comércio varejista nacional cresceu 0,6% frente a agosto, na série com ajuste sazonal, quinta alta consecutiva desde maio de 2020. A média móvel trimestral foi de 2,8%. Na série sem ajuste sazonal, em relação a setembro de 2019, o comércio cresceu 7,3%, quarta taxa positiva consecutiva. No acumulado do ano, o varejo registra estabilidade (0,0%), após cinco meses no campo negativo. Já o acumulado nos últimos 12 meses aumentou 0,9%.