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Economia

Seca avança e aumentam os prejuízos na região

Em Itatiba do Sul as perdas já passam de R$ 13 milhões e em Três Arroios R$ 15 milhões. Os dois municípios decretaram situação de emergência

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Perdas já passam de R$ 13 milhões
Em Três Arroios prejuízos já somam R$ 15 milhões
Por Ígor Dalla Rosa Müller
Foto Divulgação

Depois de sofrer perdas enormes na safra 2019/2020, o produtor se depara, novamente, com o problema da estiagem na safra 2020/2021. Os prejuízos já são efetivos no campo impactando diretamente na renda dos produtores. Realidade de Itatiba do Sul e Três Arroios, mais dois municípios da região a decretar situação de emergência com perdas que já ultrapassam R$ 13 milhões em Itatiba do Sul, inclusive com falta de água para consumo humano e animal. Em Três Arroios os prejuízos passam de R$ 15 milhões.

Um levantamento realizado nos escritórios municipais da Emater mostrou que a chuva desta quarta-feira (11) foi irregular no Alto Uruguai e está sendo insuficiente em algumas regiões. Em Erechim choveu cerca de 20 milímetros; em Erval Grande variou de 0 a 12 milímetros; Paulo Bento oscilou de 15 a 30 milímetros; Carlos Gomes de 25 a 35 milímetros; em Ipiranga do Sul foi bem desparelha com precipitação entre 2 a 60 milímetros; Estação de 30 a 80 milímetros, também irregular, mas em boa hora; Áurea 21 milímetros; São Valentim não choveu; em Charrua oscilou de 0 a 40 milímetros; Itatiba do Sul também não houve precipitação; assim como Benjamin Constant do Sul, Aratiba, Três Arroios e Mariano Moro, segundo o engenheiro agrônomo, Luiz Angelo Poletto, assistente técnico regional em Sistemas de Produção Vegetal da Emater/RS-Ascar.

Itatiba do Sul

Segundo a prefeita de Itatiba do Sul, Adriana Kátia Tozzo, o município decretou situação de emergência e, atualmente, a prefeitura está transportando de 8 a 10 cargas de água por dia, totalizando aproximadamente 80 mil litros/dia. A prefeita destaca, ainda, que o potencial de danos futuros caso a estiagem persista é extremamente elevado. “O leito dos rios estão se exaurindo e a rede de distribuição pública não comportará o abastecimento do rebanho e para consumo humano se a chuva não voltar”, afirma.

Conforme laudo técnico das perdas econômicas do município, desde o dia 8 de setembro está tendo falta de chuva, situação que perdura até o momento e está causando na área rural “severos danos às produções agropecuárias”, e “o potencial de dano futuro é alto, em caso de permanência do déficit hídrico”. “Aproximadamente 430 famílias rurais sofrem algum tipo de perdas em função da estiagem, inclusive, com a falta de água para a dessedentação humana e animal”, diz o laudo.

De acordo com o técnico agropecuário do escritório municipal da Emater, Leandro Richwicki, a estiagem está bem severa e trazendo problemas para suinocultura; bovinos de leite e corte; fumo; milho; soja; citricultura; e, produção orgânica e hortifrútis. Ele comenta que na suinocultura, por exemplo, diversas propriedades estão com falta de agua para dessedentação dos animais, necessitando de auxílio da prefeitura para o abastecimento.

Na produção de leite, explica Leandro, a redução da oferta e da qualidade das pastagens fez a produção de leite cair drasticamente. No fumo, “as plantas estão com desenvolvimento reduzido, iniciando a fase de desbrote com baixo número de folhas e de tamanho reduzido. Em muitos casos, ocorre a perda de plantas e em todas as lavouras observa-se a maturação forçadas, principalmente das folhas do baixeiro”.

Segundo Leandro, o milho é a cultura mais afetada pela estiagem, a redução de produtividade é enorme e irreversível, com áreas com perda total. A cultura da soja, a semeadura está atrasada devido à falta de umidade no solo.

Três Arroios

A situação de Três Arroios também é crítica. Em função da seca as perdas nas lavouras de feijão chegam a 74%; no milho para colheita do grão 40%; na lavoura de milho para silagem 50%; trigo as perdas estão em 28,3%; cevada 28% e na produção de leite 30%.

Segundo o prefeito Lírio Zarichta a estiagem está afetando o município há mais de 100 dias. Ele explica que as chuvas que ocorreram entre o mês de agosto e outubro foram irregulares e localizadas. Conforme o Escritório Municipal da Emater, do dia 1º de agosto a 9 de novembro houve um acumulado de chuva de 249 milímetros, o que representa em torno de 32% da média histórica para o período.

O prefeito ressalta que há perdas irreversíveis na produção agropecuária e no abastecimento de água do município, que tendem a se agravar mais se o regime de chuvas não se regularizar. Por exemplo, na bovinocultura de leite, os prejuízos são decorrentes da redução drástica na oferta de pasto, já que é a principal fonte de alimentação do rebanho. A quebra na cultura do milho para silagem também vai se refletir no setor, uma vez que a baixa qualidade do milho e a diminuição da quantidade irão levar a perdas futuras com índices bem superiores aos atuais.

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