21°C
Erechim,RS
Previsão completa
0°C
Erechim,RS
Previsão completa

Publicidade

Saúde

Na linha de frente e com anseio por mais conscientização

teste
Fernando Tozzo Palhano
Por Izabel Seehaber
Foto Divulgação

Desde março, o assunto que ganha mais evidência é a pandemia causada pelo novo coronavírus. Em meio a tantas informações, dicas, alertas, fases com menos casos positivos e outras de extrema preocupação, como a atual, vale reforçar que os cuidados preventivos (tão reforçados no cotidiano), podem fazer a diferença e devem ser seguidos.

Nesse sentido, nada melhor que saber mais sobre o ponto de vista de quem está diretamente no contato com pacientes, a chamada ‘linha de frente’. Por isso, a reportagem conversou com o médico de Erechim, Fernando Tozzo Palhano, que atua no atendimento aos casos com suspeita de covid-19, na unidade de referência localizada na Unidade de Pronto Atendimento (UPA).

Aumento expressivo e rápido de casos positivos e internações

Segundo o médico, o aumento desse número está relacionado às próprias atitudes, em determinadas situações, inconsequentes da própria comunidade, de modo geral. “A necessidade de convívio entre as pessoas está fazendo com que isso aconteça, principalmente por parte dos jovens que, em muitos casos, não usam álcool gel, máscara e a situação tende a se complicar, principalmente porque eles têm contato com outras pessoas, por vezes de mais idade ou com comorbidades. Com isso, ampliam-se as chances de contágio”, frisa, citando que os feriados contribuíram para esse cenário, pois habitualmente as pessoas vão para o litoral, balneários, acampamentos, confraternizações, além de bares e outros estabelecimentos, sem seguir os devidos cuidados. “Muitos adultos usam a máscara no queixo, abaixo do nariz, no pescoço, ou de vez em quando, em momentos que consideram haver mais necessidade. Muitos idosos também consideram que a máscara “irrita”. Portanto, é algo difícil mas que precisa ser levado a sério”, reitera.

No caso das internações, elas referem-se, em sua maioria, a pacientes que testaram positivo e tem comorbidades. “Há um trabalho árduo das equipes, porém, existem complicações devido a outras doenças”, completa.

O médico observa que deveria haver uma “cobrança” dos estabelecimentos de Erechim, de forma geral, além de uma mudança de postura por parte de muitas pessoas, principalmente idosos e jovens, que, na maioria das vezes, não usam frequentemente a máscara. “Não adianta somente deixar o álcool gel nas proximidades. O cumprimento das normas (uso de itens e distanciamento entre mesas) se torna uma proteção para o dono do local e também para os consumidores”, orienta, ponderando que a preocupação com a saúde deve ser prioridade. “Alguns acham que, caso pedirem a colaboração, serão indelicados, contudo, é necessário tomar todas as iniciativas para diminuir os riscos”, diz.

De acordo com Fernando, esse aumento de casos positivos e internações irá repercutir ainda mais após as festas de fim de ano. “É um período atípico que as pessoas deveriam passar nas próprias casas, sem aglomerações. Porém, sabemos que nem todas as famílias irão agir assim”, acrescenta.

No entanto, opina o médico, se chegar a ser definida bandeira preta na região, o comércio, por exemplo, pode ser ainda mais impactado, caso não sejam seguidas todas as medidas.

Enfrentamento da pandemia

Segundo o profissional de saúde, para conter um pouco o vírus, é preciso que haja conscientização de crianças, jovens, adultos e idosos. “Nas escolas, por exemplo, devem ser cumpridos todos os protocolos. Na faixa etária dos três aos 10 anos de idade, eles costumam acatar melhor as orientações. Já na adolescência pode haver mais dificuldade. Além disso, no nosso Estado há muito a questão do contato físico e o ideal, nesse momento, é evitar”, observa.

Ações das autoridades

Na opinião de Fernando, no município estão sendo tomadas as medidas cabíveis no atendimento, incluindo o fornecimento de exames. “No entanto, há muitas pessoas e nem sempre as estratégias são tomadas no momento certo. Um exemplo está relacionado a cobrança do seguimento dos protocolos e, ainda, a liberação de funcionamento de algumas atividades.  Acredito que, se necessário, poderia ser aplicada até uma multa se não forem cumpridas as normas”, comenta.

O médico destaca que os locais onde estão sendo feitos os atendimentos deveriam ganhar uma atenção especial, pois há situações que referem-se a uma consulta investigativa e também à urgências. “Nos casos em que acontece mais a busca por informações, o mais correto seriam panfletos e outros materiais informativos para que pudessem ser sanadas as dúvidas e diminuído o tempo de espera”, analisa.

Atendimentos no setor

Quanto às rotinas de atendimento na UPA, em outubro, foi providenciado mais um profissional para atender no setor. Com isso, a unidade conta com dois médicos no turno da manhã e dois à tarde.

Sobre as condutas, o profissional explica que a cada momento chegam novas instruções e diretrizes encaminhadas pela Secretaria de Saúde e Governo do Estado. “Hoje, para o médico com sintomas (suspeita), o afastamento deve ser de quatro dias. Caso positivo, se amplia para 10. Do mesmo modo, para a população como um todo, na situação de suspeita do novo coronavírus, que vai realizar o exame. Já os familiares devem ser acompanhados por 14 dias. Vale reforçar que, a partir do momento que será testado um paciente, ele é um suspeito direto e, por isso, as pessoas que residem na mesma casa, precisam ser monitoradas”, declara.

Fernando e os outros colegas atendem, em média, 120 pacientes por dia. Nesses últimos, a estimativa é que em torno de 250 pessoas passem pela unidade diariamente.

O médico alerta que há pacientes fazem uso da medicação de modo aleatório, citando o exemplo da Ivermectina. “Muitos aderiram ao remédio para prevenir a covid-19, contudo, não há comprovação de que ela tem essa função para evitar. A Cloroquina está sendo usada em algumas situações e o resultado é efetivo. Já em outros não pode ser administrada, devido aos efeitos colaterais”, reforça.

No mês de setembro, a faixa etária que mais testou positivo, oscilava dos 50 aos 75 anos. Em meados de outubro, houve uma mudança brusca e o público dos 18 aos 30 anos é que mais registrou confirmações para a covid-19. “Nesse momento, o cenário contempla todas as idades. Há, inclusive, crianças com teste positivo”, informa.

Pós-pandemia

O período de pandemia exige o isolamento e as restrições. Em paralelo, houve um aumento significativo de pacientes idosos com quadros de depressão. “Esse será um novo desafio: quando conseguirmos conquistar a questão do vírus, com uma vacina efetiva, haverá essa denominada “síndrome pós pandemia”, que merecerá um foco especial”, reitera o médico de Erechim.

Relato

“Nós, enquanto profissionais, não somos máquina, somos seres humanos. Temos sentimentos, necessidades, podemos, em algum momento, estar com covid. Por isso, precisamos dessa colaboração de todos. Sou dessa terra, amo a cidade, as pessoas, quero fazer o bem sem olhar a quem, mas muitas vezes não somos compreendidos”, desabafou o erechinense.

Desde que iniciaram os atendimentos de pacientes com covid-19, ele e muitos outros médicos, enfermeiros, que muitas vezes também são pais de família, se preservaram de momentos que, antes, integravam o dia a dia de forma mais tranquila. Entre eles está o próprio contato com a família, mesmo com todos os Equipamentos de Proteção Individual – EPI’s adequados. “Ao entrar em casa, os filhos querem abraçar e isso não é permitido logo na chegada. Tiramos o calçado, a roupa é separada e já providenciamos que seja lavada. É algo muito custoso. Do mesmo modo no trabalho: trocamos de roupa e na saída há todo o cuidado para tentar evitar algum tipo de contaminação. No início usávamos máscaras que ficavam desconfortáveis e depois foram providenciados os protetores faciais. É algo cansativo, há uma exaustão emocional também, e acabamos perdendo muitos momentos importantes”, relata Fernando.

Dicas à população

* As pessoas devem buscar atendimento médico somente se houver necessidade;

* Quando precisar dessa assistência em saúde, primeiro se pergunte: tenho sintomas que podem estar relacionados à covid-19? Não podemos esquecer que estamos em um período de transição entre a primavera e o verão, e há também, outros problemas como Chikungunya, Dengue, que, clinicamente podem apresentar sintomas semelhantes;

* Todos devem estar conscientes que os testes somente serão realizados se o paciente apresentar sintomas que podem estar relacionados ao novo coronavírus;

* Quando procurar a unidade de saúde, tenha a compreensão de aguardar, pois somente serão priorizados os casos de urgência.

 

Leia também

Publicidade

Blog dos Colunistas

;