Neste mês, em que o foco principal dos debates é a saúde do homem, vale lançar um sinal de alerta quanto a esse assunto. Ao procurar menos o seu especialista (no comparativo com as mulheres), de modo geral, o público masculino precisa ficar atento e, porque não, buscar uma mudança de postura, que priorize as visitas nos consultórios e a intensificação de bons hábitos, seja de alimentação, de exercícios físicos, entre outros.
O médico urologista de Erechim e sócio do Centro Hospitalar Santa Mônica, Antônio Ernesto Todeschini, avalia que, nesse ano, em razão da pandemia causada pelo novo coronavírus, houve uma diminuição de acesso aos consultórios. Contudo, assinala, nesse período muitas pessoas já estão retornando, ao passo que se habituaram melhor com as medidas de prevenção. “Acredito que a solução para a covid-19 é a vacina e o tempo. Do mesmo modo, penso que, tão logo isso passar, as pessoas irão voltar com mais frequência para suas consultas de rotina”, destaca.
Conforme o especialista, atualmente, no caso do câncer de próstata, a avaliação e o exame preventivo devem ser feitos a partir dos 50 anos, se não houver histórico familiar da doença. Do contrário, deve ser a partir dos 45 anos.
O câncer de próstata é o tipo mais frequente no homem, com exceção do câncer de pele não melanoma. “Na consultas é feito o toque retal, procedimento pelo qual o médico pode avaliar o formato, o tamanho e a textura da próstata, além de identificar a presença de nódulos que podem ser indicativos de um tumor maligno. Posteriormente, caso houver necessidade, se faz a ressonância magnética multiparamétrica de próstata e pélvis para identificar o local exato do tumor. Além disso, em alguns casos é solicitada a cintilografia (método de diagnóstico por imagem utilizado na detecção e acompanhamento de diversas doenças)”, explica.
O médico de Erechim afirma que o procedimento contribui muito para um diagnóstico preciso.
Tratamentos
Os tratamentos incluem a vigilância ativa, cirurgia, radioterapia e hormonioterapia, dependendo do estágio da doença que pode ir de I a IV. “Houve muitos avanços nesse campo da Medicina e ampliaram-se as possibilidades. Contudo, a prevenção é essencial e, hoje em dia, é possível obter expressivas chances de cura”, ressalta Todeschini, acrescentando que vários pacientes de Erechim e região, em que foi sugerida a cirurgia, estão curados, são continentes e potentes. “Isso é muito importante para a qualidade de vida dos pacientes”, destaca.
Sinais
De acordo com o especialista, a partir dos 50 anos, alguns homens podem perceber um pouco de dificuldade para urinar, porque acaba ocorrendo o crescimento da glândula prostática, que varia de paciente para paciente. “Na maioria das vezes (em torno de 90%), esse problema trata-se de uma hiperplasia prostática benigna e cerca de 10% são considerados câncer de próstata. Os sintomas são semelhantes e, no caso do câncer, podem haver menos sinais de alerta. Diante disso, o paciente é convidado para fazer uma avaliação anual por meio do toque e do PSA”, orienta.
Outros problemas
Dr. Todeschini reforça que na área de Urologia também devem ser considerados outros problemas que podem afetar a saúde e o bem-estar do homem. “Um deles é o tumor de bexiga – diretamente relacionado ao cigarro; além do tumor de testículo – o qual, após a biópsia e uma quimioterapia posterior, é possível curar a maioria dos pacientes; e o tumor de rim. No caso dos jovens, ocorre a doença de Peyronie - curvaturas penianas e também os casos de impotência. É possível tratar e obter resultados importantes”, salienta.
“Saúde é o nosso maior bem, valorize!”
O que você faz em prol da sua saúde? Aparentemente, essa é uma pergunta simples, no entanto, se observada de um modo amplo, podem surgir alguns questionamentos, dificuldades e dúvidas. Nesse sentido, o urologista, sócio-proprietário do Centro Hospitalar Santa Mônica e secretário municipal de Saúde, Dércio Nonemacher, enfatiza que a saúde é o maior bem do ser humano e, muitas vezes, não é valorizada. “Em razão da pandemia, muitas pessoas deixaram de consultar e ter esse cuidado preventivo”, frisa.
Por falar em covid-19, o especialista reitera que há uma preocupação intensa dos profissionais de saúde em relação ao cenário atual da pandemia na região. “Nesse ano, o mundo foi extremamente penalizado pelos impactos a partir do novo coronavírus e a segunda onda está chegando muito antes do esperado. Aproveito para perguntar: cadê o cuidado? Muitas pessoas acham que não é grave e optam por não seguir as medidas preventivas”, alerta, citando que no caso dos jovens, por exemplo, há situações em que eles não terão sintomas, porém, podem passar o vírus para seus pais, avós, que não tem a mesma resistência imunológica. “Isso é muito grave. Nós enquanto Secretaria de Saúde, Hospital Santa Terezinha, Hospital de Caridade, Centro Hospitalar Santa Mônica, estamos muito apreensivos com essa situação”, completa.
Câncer de próstata
O Instituto Nacional do Câncer (Inca) prevê que nesse ano o Brasil deverá registrar em torno de 69 mil novos casos de câncer de próstata. “A doença é assintomática e, entre cinco e 12 anos, após o surgimento, podem se manifestar alguns sinais, como vontade de urinar seguidamente, jato urinário fraco e fino (as vezes com sangue). Se o paciente fizer uma avaliação anual, em famílias que não tem histórico de câncer, pode se antecipar às complicações”, ressalta Dr. Dércio.
Por outro lado, pondera o urologista, se não for feito nada, e a doença avançar silenciosamente pelo organismo, o paciente pode passar cinco ou 10 anos e apresentar dores ósseas provocadas por um câncer metastático (em outras partes do corpo).
Sendo assim, o chamamento da Sociedade de Urologia no Brasil e em muitos países, é para que haja conscientização sobre o diagnóstico precoce. “A doença é mais comum em pacientes obesos, fumantes, sedentários e com adiposidade abdominal muito avantajada. O homem que tiver histórico da doença na família, a partir dos 45 anos, deve procurar o urologista ou o médico da Unidade Básica de Saúde, todos os anos”, comenta, observando que o câncer de testículo pode ocorrer em pacientes jovens, a partir dos 20 anos.
Elevada expectativa de vida
Em paralelo às doenças, o especialista recorda que há cinco décadas, a média de vida da população era 50 anos. Atualmente, no RS, a estimativa é 78/80 anos. “Pesquisas e comparativos com animais, apontam, ainda, que o homem tem condições de viver até os 115 anos. Claro, há problemas ósseos que são comuns e estão sendo estudados, especialmente nos EUA. As conhecidas dores no joelho e fraturas na bacia, por exemplo, são temas de pesquisas que envolvem a busca pela identificação da origem e fatores que podem estar relacionados”.
Priorize a boa alimentação
Segundo o urologista, o cuidado da alimentação é um aspecto imprescindível na manutenção da qualidade de vida. “Sabemos que o excesso é prejudicial e é necessário fazer boas escolhas que tornem o cardápio balanceado. Para tanto, é fundamental incluir uma porção de hidrato de carbono - substância presente em alimentos como batata doce, mandioca, polenta, pão e massa. Vale esclarecer que ela não deve ser ingerida sozinha, mas junto com uma proteína, como o ovo, o peixe ou uma carne de frango. Com isso, a absorção no organismo ficará mais lenta e, logo, você irá demorar mais para sentir fome”, pontua Dr. Dércio.
Os grandes vilões, cita o médico, são: o sal e o açúcar. “O indicado é utilizar o menos possível. Outro alerta refere-se aos refrigerantes, que podem causar cálculos renais. Atualmente, em torno de 7% das mulheres e 11% dos homens sofrem com o problema. Há fatores como o calor excessivo, suor mais intenso e pouca ingestão de água que também contribuem para o aumento da concentração de cálcio na eliminação pela urina e esse cálcio pode formar um cálculo de Oxalato de cálcio”, explica.
Uma dica é investir na ingestão de sucos de frutas como: laranja, limão, lima ou abacaxi. “É algo que pode diminuir as chances de formação do Oxalato de cálcio. Se não tiver o suco, opte sempre pela água, melhor ainda, se for de fonte”, orienta.