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Economia

Além da falta de matéria-prima, aumento de até 80% nos insumos

Esses foram alguns dos efeitos da pandemia no setor, que precisou se reinventar para conseguir produzir. Dificuldades persistem com mercado aquecido

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“Neste ano já perdi a conta, orçávamos num dia e dois dias depois era outro preço e continuava subin
Por Ígor Dalla Rosa Müller
Foto Divulgação

Um dos principais efeitos da pandemia do novo coronavírus (covid-19) na economia foi o desabastecimento de matéria-prima para a produção industrial nas empresas. Essa situação ocasionou atraso na produtividade e, o pior, um reajuste expressivo nos preços dos insumos que chegaram a um aumento de até 80% em poucos meses.   

ACCIE

Segundo o presidente da Associação Comercial, Cultural e Industrial de Erechim (ACCIE), Fabio Vendruscolo, as empresas continuam com dificuldades de produção por falta de matéria-prima. “Praticamente, em todos os segmentos produtivos, serviços e na construção civil, estão com sérias dificuldades”, afirma.

Vendruscolo ressalta que está faltando itens básicos para a indústria como aço, plástico e material reciclado. No setor gráfico, por exemplo, não tem papel-cartão, e na indústria de embalagens também há falta de insumos. Ele ressalta que aço, papel, papelão, plástico, pvc, são os itens que mais estão faltando no setor industrial. Ele ressalta que em praticamente todos segmentos falta alguma coisa.

Ele comenta que as fábricas davam prazo até dezembro, mas agora estão remarcando para janeiro, fevereiro. “Então, não tem estimativa nenhuma de produção”, diz. Essa situação é um problema porque as indústrias não conseguem acondicionar as suas mercadorias para embarcar, e a cadeia produtiva como um todo fica prejudicada.

Com relação se há prejuízos ou não neste período pandêmico, o presidente da ACCIE afirma que não tem como estimar neste momento se há perdas. Ele acredita que a maior dificuldade é conseguir organizar o embarque da produção para o seu destino, em função da falta de material.  

Segundo Vendruscolo, apesar das dificuldades de produção e escassez de matéria-prima houve uma maior demanda pelo setor industrial nos últimos dois meses, em plena crise sanitária. “Todos os segmentos contrataram nos últimos 60 dias. E esse é um sinal bom de aquecimento e mesmo com a falta de matéria-prima as indústrias estão em pleno vapor”, comenta.

Na sua avaliação o presidente da ACCIE não visualiza mudanças deste cenário no curto prazo. “Acho que a gente passa o fim de ano nesta situação, mas vamos entrar janeiro, fevereiro e março com mercado aquecido. O consumo está muito bom e as indústrias estão com vontade de recuperar o atraso causado pela pandemia”, afirma.

Conforme ele, a indústria da construção civil está sendo muito afetada com falta tijolos, cimento, toda linha de acabamento. “Tem muito investidor adiando as obras em função de saber que não tem os itens necessários para conclusão dos empreendimentos. Falta itens desde o piso até o telhado”, disse.        

Metalúrgica LBN

Segundo a assistente administrativa, Andressa Zin Piccolo, da Metalúrgica LBN a empresa também sentiu os reflexos da falta de matéria-prima, neste período de pandemia. E, para não ficar sem os insumos para produzir buscou novos fornecedores. No entanto, o problema foi o aumento significativo no preço do aço que chegou a um acréscimo superior a 80%. A Metalúrgica LBN trabalha com estrutura metálica e equipamentos para a construção civil como andaimes e carrinho de mão.

Andressa comenta que a empresa não parou a produção porque percebeu que estava faltando aço e ampliou os estoques, já que alguns fornecedores, também, já haviam comunicado que haveria essa dificuldade. “Por isso não diminuímos o nosso ritmo produtivo, nos abastecemos com muita matéria-prima e conseguimos manter a capacidade produtiva, mas buscando novos fornecedores”, disse.   

Ela explica que num período normal, sem pandemia, os reajustes no preço do aço eram avisados pelos fornecedores com muita antecedência. “Ocorria dois ou três reajustes anuais. Neste ano já perdi a conta, orçávamos num dia e dois dias depois era outro preço e continuava subindo”, afirma.

Na avaliação de Andressa essa situação ainda não se normalizou e vai longe. “Os fornecedores estão dizendo que a programação está toda atrasada. A nossa matéria-prima será entregue em janeiro, março do ano que vem. Então, temos que ter um jeito de conseguir a matéria-prima sem depender desses fornecedores com prazo muito longo de entrega”, comenta.  

Conforme Andressa, a empresa teve que ser flexível, neste momento, para atender o cliente da melhor forma possível, e se adequar ao que estava acontecendo no mercado.

Apesar das dificuldades e dos efeitos da pandemia, a empresa conseguiu aumentar a demanda. “Vendemos mais do que o ano passado, atingimos as metas. A nossa percepção era que seria o contrário quando começou a pandemia, que não íamos fechar bons negócios e as metas não seriam atingidas, mas vendemos mais do que o esperado, além da meta”, disse.

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