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Rural

Alto Uruguai: situação do campo é crítica

Entidades da agricultura familiar apresentaram demandas para ministra da Agricultura. Governos estadual e federal não liberaram nenhum recurso ainda para enfrentar a seca na região

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Rios e açudes estão secando na região (foto)
Por Ígor Dalla Rosa Müller
Foto Divulgação

A estiagem está castigando o Rio Grande do Sul e o Alto Uruguai, os prejuízos milionários se acumulam dia após dia, aumentando o sofrimento e o desespero das famílias rurais que não tem água para o consumo próprio e também dos animais. Tendo em vista essa realidade, a Federação dos Trabalhadores na Agricultura Familiar (Fetraf-RS) participou de uma reunião com a ministra da Agricultura, Tereza Cristina, na tarde de segunda-feira (23), em que apresentou as demandas da agricultura familiar para minimizar os efeitos e prejuízos causados pela estiagem no estado, que ocorre pela segunda vez neste ano.   

Milho

Entre as principais questões demandadas pelas entidades está a disponibilidade de 100 mil toneladas de milho na modalidade-balcão da Companhia Nacional de Abastecimento (CONAB), com preços subsidiados, comenta o coordenador geral do Sindicato Unificado dos Trabalhadores da Agricultura Familiar do Alto Uruguai (Sutraf-AU), Douglas Cenci.

Proagro

Segundo Douglas, outra solicitação é a liberação imediata do Programa de Garantia da Atividade Agropecuária (Proagro) das lavouras de milho para que seja feito novo plantio nestas áreas.

Irrigação e preservação  

As entidades também solicitaram a criação de um programa de irrigação para agricultura familiar com a construção de açudes, cisternas, perfuração de poços artesianos e recuperação e preservação de nascentes e fontes.

Crédito

“Além disso, foi solicitado um crédito de emergência para os agricultores mais atingidos no valor de um salário mínimo por família pelo período de 6 meses”, comenta.

Expectativa

Na avaliação do coordenador geral do Sutraf-AU, a expectativa é que o governo colabore de alguma maneira, porque a situação dos produtores é muito complicada em relação à falta de água, já que o inverno também teve chuvas abaixo do esperado. “A situação nas propriedades está caótica”, afirma.

No entanto, ressalta Douglas, se lembrar como foi a última negociação a situação é bastante frustrante. “Porque tivemos muito pouco avanço, no ano passado, tanto por parte do governo do Estado quanto o governo federal”, disse.

Produção

“Do ponto de vista da produção, está sendo pior do que no ano passado, porque muitos não conseguiram semear e os que plantaram as lavouras de milho têm perdas que chegam até 90%, e em alguns casos, 100% da área cultivada foi perdida”, observa. E, acrescenta, “vai ter uma dificuldade muito grande para alimentar os animais”.  

Estoques baixos

Douglas enfatiza que as entidades que representam a agricultura familiar não irão medir esforços para fazer com que esse setor tenha as condições para produzir. “Estamos diante da possibilidade de desabastecimento do país, os estoques de alimentos estão muito baixos, e isso parece até piada, mas não é. O Brasil já começa a importar milho, porque vendeu tudo que tinha a preços baixos, inclusive, porque o governo não resolveu intervir no mercado”, destaca.

Preocupação   

Ele ressalta que a estiagem está trazendo muitas preocupações para o campo, em todas as áreas. “Os produtores de grãos, já que a estiagem não para. Preocupa os produtores de carne porque não tem matéria-prima para alimentar os animais e, no contexto geral, em função do desabastecimento de água”, afirma.

Endividamento

Outro efeito muito preocupante, observa Douglas, em decorrência da seca, pode ser o endividamento das famílias rurais. “Ainda é cedo pra falar, mas a gente já prevê o endividamento das famílias do campo, dívidas que já se arrastam do ano passado, e podem preocupar mais uma vez os agricultores”, diz.

Respostas

“Vamos aguardar a resposta do governo na próxima terça-feira (1º dezembro), já que a negociação ainda vai longe, mas tomara que chova para os produtores terem ânimo para continuar trabalhando”, afirma.

Ele ressalta que os governos estadual e federal não liberaram nenhum recurso para enfrentar a seca. “Na estiagem passada havia uma promessa de R$ 55 milhões, sendo R$ 10 milhões da Assembleia, R$ 29 milhões da bancada federal e o restante do governo do Estado, mas não se concretizou”, disse.

Na tarde de quinta-feira (26), o coordenador do Sutraf-AU participou de uma audiência da Assembleia Legislativa do RS sobre a seca, mas não houve anúncio de liberação de recursos.

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