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Cultura

Por que o Castelinho tem valor histórico?

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O prédio é a mais antiga construção de madeira de Erechim ainda existente. Sua construção iniciou em
Atualmente o Castelinho vem sofrendo com a falta de manutenção e apresenta vários tipos de problemas
Por Rodrigo Finardi
Foto Arquivo histórico e Rodrigo Finardi

Cada vez que se fala do Castelinho, enxurrada de comentários invadem as redes sociais. Foi assim no último sábado, quando a coluna publicou o jardim do prédio histórico, soterrado em função de um tapume que está sendo colocado no local, como parte da decoração natalina desse ano em Erechim.

A torcida por sua queda

Os comentários (em sua maioria) ignoram sua importância histórica, e torcem para ele cair, que seja demolido, que não se invista nenhum real de dinheiro público. Esse estigma criado sobre o Castelinho, precisa terminar, ele tem um grande valor histórico e precisa sim ser preservado.

Não pode ser considerado um ‘estorvo’

Uma obra de restauro não é barata. É um trabalho artístico. Tem que se buscar parcerias a nível estadual, federal, recursos a fundo perdido. Devem existir recursos para essas finalidades, sem retirar dinheiro dos cofres de Erechim. Mas é necessário trabalhar de forma proativa e não deixar ele de lado, como se fosse um ‘estorvo’ para a administração. Ou se devolve para o Estado, e caso venha a ruir, se arque com as consequências.

Dados do Livro Tombo

O arquiteto erechinense Rodrigo Adonis Barbieri, que reside em Porto Alegre, compartilhou a matéria do Jornal Bom Dia, e oportunamente, publicou um texto sobre a história do Castelinho, que todos deveriam ler, e entender, de uma vez por todas, do que ele representa como Patrimônio Histórico do Estado. Os dados escritos por Rodrigo, que é professor na Ulbra de Canoas e membro da Câmara Técnica do Patrimônio Histórico e Artístico que integra o Conselho Estadual de Cultura do Rio Grande do Sul (CEC-RS), estão no Livro Tombo e arquivos do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico do Estado (IPHAE).

Testemunho da política imigratória

Conheça um pouco da história:  O prédio conhecido como Castelinho, a antiga Sede da Comissão de Terras do Estado, é a mais antiga construção de madeira de Erechim ainda existente. Localizado na área central da cidade, constitui um importante testemunho da política imigratória, implementada no Governo Borges de Medeiros no início do século XX. Em 1915 deu-se o início da construção do prédio, em madeira beneficiada. A obra foi contratada por Guilherme Franzmann e o construtor foi Germano Müssig”.  

Comissão de Terras

“Em 20.04.1916 foi instalada no prédio a Comissão de Terras, com a finalidade de demarcação e venda de lotes rurais e urbanos, instalação de núcleos agrícolas e urbanos, assentamento de imigrantes europeus como agricultores nas novas colônias, abertura de estradas coloniais”.

Desenho requintado

“O prédio compreende três pavimentos, estando o primeiro pavimento abaixo do nível da rua. Possui estrutura, pisos, forros e paredes de madeira, com as peças de vedação colocadas no sentido vertical. Os lambrequins, elementos decorativos de madeira de acabamento nos beirais, apresentam desenho requintado.

O motivo de sua preservação e a doação  

“O casarão tornou-se um documento representativo da inserção do imigrante na região, daí seu valor histórico, motivo de sua preservação. Em 1998 foi doado pelo Estado ao Município de Erechim, através da lei estadual nº 11.229/1998”

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