A principal data do comércio, o Natal, traz uma boa expectativa para o varejo gaúcho. A afirmação é da Federação das Câmaras de Dirigentes Lojistas do Rio Grande do Sul – FCDL-RS que estima um volume de vendas semelhante ao de 2019, mas o faturamento deve ser entre 10% e 12% maior do que o registrado no último ano. No que diz respeito aos produtos mais procurados, as roupas, brinquedos, calçados e produtos de beleza e perfumaria continuam tendo a preferência dos consumidores.
Em Erechim, representantes do comércio também estão otimistas. Mesmo diante de um cenário diferenciado em razão da pandemia causada pelo novo coronavírus, com algumas estratégias, que levam em conta cuidados intensificados de prevenção à covid-19 e foco nas necessidades e buscas dos clientes, a expectativa é positiva. “As pessoas estão comprando, mesmo que moderadamente. É uma fase que não tem como não impactar, pois estamos vivenciando um momento diferente. Contudo, procuramos nos adaptar à situação. Como as pessoas não estão saindo muito de casa, priorizamos itens que atendessem aos anseios dos consumidores. Esse é um fator que nos ajuda muito nas vendas”, destaca Roseli Kolassa, sócia-proprietária de uma loja de roupas femininas. Segundo ela, as peças mais confortáveis estão sendo mais visadas nesse momento.
De olho nos resultados e, num comparativo com o ano passado, Roseli enfatiza que a probabilidade é de que o índice de vendas se mantenha semelhante a 2019. “Estamos focados e investindo em recursos como as redes sociais, preços atrativos, condições, além do seguimento rígido aos protocolos sanitários”, reforça, citando que uma das vantagens do estabelecimento é o contato direto (mais próximo) com os fornecedores.
Vínculo e preocupação com o cliente
Do mesmo modo, o também sócio-proprietário da loja, Guilherme Piva dos Reis, salienta que o comércio não pode ser considerado o responsável pela disseminação do vírus. “Não geramos aglomeração. Considerando esse período difícil em razão da pandemia, acredito que, se cada um fizer a sua parte, manter os cuidados de prevenção ao novo coronavírus, não há problemas em manter as atividades, as quais também são fundamentais”, pontua.
Guilherme reitera que o estabelecimento, desde a sua fundação, sempre teve como propósito central, a atenção voltada ao cliente e ao que ele precisa. “Criamos um vínculo, priorizando o atendimento de qualidade, preços competitivos e a adaptação constante ao que os consumidores buscam”, comenta. A loja, localizada na Rua Presidente Vargas, Centro de Erechim, estendeu o horário de atendimento até às 20h para as vendas de Natal.
Perspectivas de crescimento
Na opinião do presidente do Sindilojas Alto Uruguai, José Gelson Miola, o horário especial de atendimento está entre os aspectos que contribuem para o êxito das vendas natalinas. Ele afirma que sempre foi a favor da abertura do comércio durante a pandemia, desde que, intensificadas as medidas para evitar contaminações pelo novo coronavírus. “A economia necessita da manutenção dos serviços, no entanto, a prioridade é a vida”, declara.
O presidente da FCDL-RS, Vitor Augusto Koch, ressalta que o crescimento do faturamento é uma boa notícia, embora seja necessário descontar a inflação e a carga de aumento que alguns produtos tiveram, em razão da valorização do dólar e a consequente queda do real na comparação com a moeda norte-americana. “Ainda assim, a perspectiva de crescimento é um alívio para os lojistas, que enfrentaram duros obstáculos ao longo de 2020, o que trouxe quedas expressivas nas vendas durante quase nove meses do ano. Há o fator emocional do Natal, a questão das pessoas ainda não poderem se reunir a pleno com seus familiares e amigos. Então, o presente acabará tendo maior relevância para demonstrar afeto e carinho”, destaca Vitor Augusto Koch, frisando que, no atual cenário é importante que os lojistas sigam à risca todos os protocolos de prevenção à covid-19 determinados pelas autoridades, como o uso obrigatório de máscara para colaboradores e clientes, a disponibilização de álcool em gel e o distanciamento físico nos estabelecimentos. “O consumidor também precisa colaborar, obedecendo esses regramentos”, completa.