De acordo com o engenheiro agrônomo da Emater e assistente técnico regional Luiz Angelo Poletto, nos últimos três anos, a região do Alto Uruguai cresceu aproximadamente 700 hectares com novos plantios na área da fruticultura e ao total conta com mais de 4 mil plantados. A fruta que mais predomina são os citros, com cerca de 3.300 hectares e em seguida a uva com 400 hectares.
Conforme Poletto outra atividade que cresceu muito na região é o plantio da árvore nogueira pecã (noz). “Existe uma região que é própria para a fruticultura no Alto Uruguai que é o Vale do Rio Uruguai, e é nessa região que vem desde Marcelino Ramos até Erval Grande e abrange os municípios como Aratiba, Itatiba do Sul, Barra do Rio Azul, Mariano Moro, Severiano de Almeida e outros, com um crescimento significativo de aumento de área principalmente em citricultura”, afirma.
Produção
Neste ano, a produção de citros foi de aproximadamente 100 mil toneladas. Segundo Poletto, o valor estimado para a agricultura com esta quantidade é cerca de R$ 50 milhões somente neste setor. “Temos produtores que estão começando a se especializar nessa atividade e fazendo com que esta área cresça. Dos 4 mil hectares que temos plantado, temos aproximadamente 2 mil produtores que trabalham na atividade e a média é de 2 hectares por família. O ciclo começou a aumentar, acreditamos que pode haver pequena redução dos produtores, mas a probabilidade é que aumente, porque os produtores começaram a se especializar e consequentemente a área de produção aumenta”, salienta.
Maior área individual
No Alto Uruguai, a maior área individual de produção está no município de Aratiba, sendo também a maior do Estado com 110 hectares de fruticultura. Conforme o engenheiro, os preços das frutas no ano passado, foram péssimos, mas este ano foram bons. “Este ano, o produtor ganhou o dobro do valor, porque com a pandemia, houve um consumo muito grande de suco. A cidade de São Paulo que é o principal abastecedor de citros do mundo, teve problemas no ano passado devido à estiagem, e este ano também. Aqui na região tivemos problemas, mas não tanto quanto lá. A previsão é que haja uma redução na produção em SP de 30% e provavelmente os preços do ano que vem deverão estar novamente bons, acima de R$ 0,40, 0,50 por quilo para o produtor”, frisou.
Previsão para 2021
Poletto salienta que para 2021, devido a procura por novos negócios, exportações e a falta de estoque de sucos a nível mundial, a região será favorecida e consequentemente fará com que os preços fiquem positivos para a população. Em relação as poucas chuvas que aconteceram, a região teve muitos abortamentos de frutas (quedas), mas a previsão de produção era muito alta. “Acreditamos que com a normalização das chuvas, a produção será de 30 toneladas por hectare, uma produção muito boa de citros. Mas para as frutas que estão próprias para consumo, como por exemplo, a uva, o pêssego que houve uma queda de produtividade, mas o sol, o calor, fez com que a fruta tivesse mais teor de açúcar e mais qualidade, menos produção, mas com qualidade e o produtor pode ganhar um pouco mais”, explica.
Lavouras
Em relação as lavouras de grãos como o milho, a queda foi de 51% do que foi plantado, cerca de 60 mil hectares entre milho grão e silagem. Conforme Poletto, a expectativa era de 235 mil hectares de soja. “Na soja, houve um atraso de plantio na região devido à seca que ocorreu de maneira muito forte e em alguns lugares teve a falta de água, por estes motivos, tivemos uma perda de mais de 20 mil hectares de milho. Mas também tivemos o replantio que estaremos divulgando os dados nos próximos dias”, destaca.
Orientação: plantar em etapas
De acordo com Poletto, as previsões meteorológicas já indicavam que este ano aconteceriam estiagem e a maioria dos produtores plantaram mais cedo, principalmente o milho que perdeu cerca de 800 milhões devido à seca. “A orientação que nós podemos dar é que o produtor plante em etapas, ter plantas de cobertura de solo que é importante no inverno, utilizar mais a irrigação e os preços favoráveis estão amenizando um pouco a situação. Resumindo o produtor precisa ser um profissional na atividade que está fazendo e nós vemos que isso está acontecendo”, finaliza.