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Rural

Na expectativa por uma boa safra, apesar dos problemas

A produção agrícola enfrentou muitos desafios em 2020, como a seca, que continua em alguns lugares em 2021, e outros novos, deformações em plantas e até doença inédita nunca antes vista

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Além da seca, os produtores estão lidando outros fenômenos, doenças e pragas nas lavouras de milho
Por Ígor Dalla Rosa Müller
Foto Divulgação Emater/Ascar

O ano de 2020 foi de muitos desafios para o setor agrícola. Isso porque todas as áreas tiveram que enfrentar duas secas severas, uma no início do ano e outra no segundo semestre, que trouxe perdas significativas para produção de grãos, leite, carnes, hortifrútis.

Segundo o engenheiro agrônomo, Luiz Angelo Poletto, assistente técnico regional em Sistemas de Produção Vegetal da Emater/RS-Ascar, as chuvas começaram a normalizar na região Alto Uruguai, mas ainda muito esparsas. “Em alguns lugares têm precipitação de 30 a 40 milímetros e noutros praticamente nada”, disse.

Soja

A área plantada de soja na região está estimada em 235 mil hectares, 85% dessa área está em fase de desenvolvimento vegetativo e 15% em fase de início de floração. “Uma parte da soja está bem atrasada, aquela que foi plantada depois de voltar as chuvas no início de dezembro, quando começou a normalizar essa situação, mas ainda assim dentro do zoneamento agrícola recomendado. A soja não tem perdas previstas no momento”, afirma.

Milho

Segundo Poletto, a região tem 46.760 hectares de milho plantados para grão, e a situação dessa cultura é diferente na região em que as chuvas foram normais, como por exemplo em Erechim, Sertão, Estação, Charrua e Getúlio Vargas, que não houve, praticamente, nada de perdas.

“Já a região do Vale do Rio Uruguai as perdas foram bem significativas, já que na safra inicial se está com 49% de quebra na produtividade esperada, que era para ser de 155 sacos por hectare. Muitas áreas estão sendo colhidas, foram liberadas pelas perícias do Proagro. Nas regiões que estão no início de colheita, a produtividade inicial está sendo muito baixa, em torno de 40 a 50 sacos por hectare. Nestas áreas, o produtor está replantando o milho devido a necessidade de alimentar os animais”, observa.            

Milho silagem

O milho para silagem tem uma área cultivada de 14.980 hectares, comenta Poletto, e mais de 50% já foi retirado e colocado nos silos e se estima uma perda de mais de 50% na produtividade. “Estávamos esperando uma produtividade de mais de 40 toneladas por hectare de massa-silagem. Hoje, se está colhendo 20 toneladas por hectare, um alimento de péssima qualidade, sem espigas, deformadas, ou sem grãos, o que está levando o produtor a replantar o milho nestas áreas para repor alimentação necessária para o gado de leite e corte”, afirma.

Custo de produção

O custo de produção do milho variou de R$ 3,5 mil a R$ 4 mil por hectare, em média. O custo de produção da soja está variando entre R$ 3 mil e R$ 3,5 mil por hectare, em média. “Se comparar com o preço que está sendo comercializado, o milho em torno de R$ 70 e a soja variando entre R$ 150 a R$ 160 por saca, e se a produtividade regularizar, principalmente, nas áreas que estão sendo replantadas, e o tempo normalizar em janeiro e fevereiro, deverá ocorrer uma boa safra na região”, observa.

Preços dos produtos

Conforme Poletto, quanto aos preços dos produtos eles variam muito, hoje, em função da cotação do dólar, são decorrentes da “briga” que existe entre EUA, China e Brasil, e há necessidade de alimentos, principalmente, da China. “É difícil dizer se o milho vai aumentar de preço. Hoje, o milho está num pico muito alto de valor, pela necessidade do produtor desse alimento na nossa região, que é consumidora de grãos. Acredita-se que quando vier o milho-safrinha - e 70% desse milho no Brasil vem do Mato Grosso, região centro-oeste, aí deverá cair o preço. Isso deve ocorrer por volta de julho, agosto. E, depois sempre há uma elevação no valor em novembro, dezembro”, explica.

Na sua avaliação, a soja também, por ser período de entressafra, está um preço bom para o produtor. “Se o dólar baixar um pouco, mesmo na safra, o preço deverá baixar, não é essa a realidade do preço da saca da soja de R$ 160 para o mercado”, observa.

Doenças

Além da seca, os produtores estão lidando com outros fenômenos, doenças e pragas, principalmente, nas lavouras de milho, e um deles é inédito.

Conforme Poletto, o primeiro é o fenômeno de enfezamento do milho causado por uma cigarrinha, que provoca a quebradura muito fácil da planta de milho.

O segundo, comenta Poletto, é um fenômeno fisiológico, que ocorreu muito em áreas que houve estiagem. “A planta parou de crescer na fase que iria ocorrer a floração do milho, e quando as chuvas retornaram, a planta emitiu espigas, muitas delas sem grãos. Já se contabiliza que cerca de 20% a 30% das plantas com espigas, mas sem grãos”, explica.

“O terceiro fenômeno é uma doença chamada helmintosporiose e cercosporiose, que está ocorrendo em algumas variedades de milho”, explica Poletto. O detalhe, segundo ele, é que essa doença ocorreu, principalmente, em áreas em que as chuvas foram normais, e as perdas variam de 30% ou mais na produtividade.

“A gente está trabalhando para vinda de pesquisadores, estamos fazendo análises para ver se é por falta de tratamento, se for, cabe no futuro orientação”, observa. E, acrescenta, há também a questão de que determinadas variedades, altamente produtivas, precisam de tratamento para ter boa produção.

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