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Rural

Muita chuva, mas sem prejuízos para a soja

Depois de duas secas seguidas, no ano passado, precipitações voltaram ao normal, acumulado de janeiro já chega a 348 milímetros em Erechim. Se tudo ocorrer bem, só a produção de soja deve gerar uma receita bruta de quase R$ 2,5 bilhões na região

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Se tudo ocorrer bem, só a produção de soja deve gerar uma receita bruta de quase R$ 2,5 bilhões na r
Por Ígor Dalla Rosa Müller
Foto Divulgação

Depois de duas fortes estiagens no ano passado, uma no início e outra no segundo semestre, as chuvas voltaram a ocorrer com frequência em janeiro deste ano, e até excessivamente em algumas regiões do Alto Uruguai. Para se ter uma ideia, só no mês de janeiro já choveu 348 milímetros, segundo a Emater/Ascar, tendo como referência a captação em Erechim.

No entanto, é importante dizer que nem toda a região recebeu essa precipitação, já que ela está sendo esparsa, em alguns lugares chove e outros não. Neste fim de semana, só pra se ter uma ideia, entre sábado, domingo e segunda-feira (25) choveu 95 milímetros. 

Tempo

O acumulado de chuva do primeiro mês do ano já superou muito a média normal de precipitação de Erechim para este período. Segundo Aldemir Pasinato, analista de Sistemas da Embrapa Trigo - Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) em Passo Fundo, que acompanha os dados meteorológicos, a média normal de Erechim é de uma precipitação de 160 milímetros para o mês de janeiro.  

Ele acrescenta que a chuva permanece em Erechim com pancadas até quinta-feira (28), com temperaturas oscilando entre a mínima de 18º graus e máxima de 30º graus.

Soja

Segundo o gerente-adjunto da Emater/Ascar, Marcos Gobbo, em alguns lugares têm chovido menos, mas ainda assim tem colaborado com a cultura da soja, que está com um bom desenvolvimento, entrando na fase de floração. “A cultura está se desenvolvendo bem, com uma estimativa de boa produtividade”, diz. Ele explica que, nesta fase, a planta tem uma exigência maior de chuvas até o enchimento de grãos, o que vai definir a produtividade da lavoura. O Alto Uruguai tem uma área plantada de soja estimada em 235 mil hectares.

Gobbo comenta que a estimativa inicial de produtividade da lavoura de soja é de 65 sacas por hectare. “Pode ter mudanças, conforme andamento do clima”, afirma.

Riqueza

Para se ter uma ideia da força da agricultura na região Alto Uruguai, só a produção de soja deve gerar uma receita bruta de quase R$ 2,5 bilhões, considerando o valor de R$ 159 a saca (26/01).

Milho

Conforme a Emater/Ascar, o milho que foi plantado mais tarde está tendo um desenvolvimento normal. A região tem 46.760 hectares de milho plantados para grão, a situação é diferente onde as chuvas foram normais, como por exemplo em Erechim, Sertão, Estação, Charrua e Getúlio Vargas, que não houve, praticamente, nada de perdas.

No entanto, na região do Vale do Rio Uruguai as perdas foram bem significativas, chegando na safra inicial a uma quebra de 49% na produtividade esperada, que era para ser de 155 sacos por hectare.

Custo de produção

O custo de produção do milho varia entre R$ 3,5 mil a R$ 4 mil por hectare, em média, e o da soja oscila entre R$ 3 mil e R$ 3,5 mil por hectare, em média. O preço da saca da soja está R$ 159, e a saca de milho R$ 79, conforme praticado pela CooperAlfa (26/01).

Reservas hídricas

Segundo o engenheiro agrônomo, Luiz Angelo Poletto, assistente técnico regional em Sistemas de Produção Vegetal da Emater/RS-Ascar, as chuvas de janeiro não fizeram, de modo geral, estragos nas lavouras, e, de certa forma, são importantes para começar a fazer a reposição dos mananciais hídricos, que estavam deficientes devido às estiagens ocorridas na região.

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