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Economia

Com alta dos preços da carne bovina, suíno pode ampliar presença na mesa dos brasileiros

Expectativa é do presidente da Associação de Criadores de Suínos do RS, Valdecir Folador. Região Alto Uruguai tem cerca de 1.000 produtores em atividade no setor

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2020 trouxe crescimento da produção de suínos, exportações recordes e preços com fortes oscilações
Presidente da Acsurs, Valdecir Folador
Por Salus Loch
Foto Divulgação

Com a oferta interna restrita e alta demanda de exportações para a China, o preço da carne bovina deve continuar subindo em 2021, fazendo com que o consumo da proteína, em tempos de diminuição de renda, desabe – atingindo patamares anteriores a década de 1990.

Para se ter uma ideia, segundo dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), o consumo brasileiro de carne bovina foi de 29,3 kg por habitante em 2020 – representando queda de 5% em relação aos 30,7 kg de 2019. O patamar atual já é o menor da série histórica da Conab, que tem início em 1996 e representa uma redução de 13,5 kg por cabeça em relação ao ponto máximo do levantamento, de 42,8 kg em 2006.

O cenário, que assusta aqueles que apreciam uma boa picanha, contudo, pode representar avanço na presença da carne suína na mesa dos brasileiros – animando os cerca de 1.000 produtores do Alto Uruguai que atuam no setor. Atualmente, a região é a 4ª em número de abates de suínos no Estado (foram, preliminarmente, 940.159, em 2020), com destaque para os municípios de Aratiba, líder do ranking local e destaque estadual, Severiano de Almeida e Barra do Rio Azul e Três Arroios.

Gangorra

Conforme o presidente da Associação de Criadores de Suínos do Rio Grande do Sul (Acsurs), Valdecir Folador, a expectativa para 2021, diante desta e de outras circunstâncias, é positiva, apesar de um início de ano que marca equilíbrio, considerando o alto custo da produção, hoje na casa dos R$ 7,00 o kg (puxado pelos insumos milho e soja). Justamente por isso, além do mercado interno, o dirigente sustenta que a exportação seguirá tendo peso importante, especialmente, na hora do produtor fechar a conta.

“Atuo na suinocultura há 35 anos, e observo que ela sempre foi uma gangorra, com bons e maus períodos. Em 2020, fechamos a operação com números satisfatórios. Para este ano, estamos enxergando possibilidade de avanço no mercado interno, embora sigamos contando com a exportação, especialmente para a Ásia, eis que China, Hong Kong e Cingapura representam cerca de 70% de nossa participação no mercado externo”, analisa Folador.

No ano passado, a produção brasileira de suínos chegou a 4,2 milhões de toneladas, sendo que cerca de 25% do total foi destinado a outros países.

 

Oportunidade ímpar

Segundo o consultor de mercado da Associação Brasileira de Carne Suína (ABCS), Iuri Pinheiro, o setor vive uma oportunidade ímpar para alavancar o consumo, que já vem crescendo ano a ano. “A carne suína sempre foi mais competitiva em termos de preço em relação à carne bovina, mas recentemente essa distância aumentou”, pontua.

Nos últimos anos, diz Iuri, a competitividade cresceu em decorrência da melhora da apresentação, da diversificação de cortes e da desmistificação de informações sobre a proteína, fazendo com que o suíno se tornasse atrativo também do ponto de vista da praticidade e da saudabilidade. “Essa mudança é clara no aumento de consumo. Estima-se que em 2020 já tenhamos atingido a marca de 17 kg per capita/ano”, completa o consultor, em matéria veiculada no site da ABCS.

O aumento da disponibilidade da carne na forma ‘in natura’ nas gôndolas, além da profissionalização da gestão da porteira para dentro, são outros elementos que contribuem para que o suíno chegue em maior número aos lares, frisa o presidente da Acsurs, Valdecir Folador, que também é diretor de mercado da ABCS.

 

Saiba mais

# Em 2020, o total de suínos enviados para abate, com dados preliminares levantados pela Acsurs, foi de 9.951.769 – representando crescimento de 5,96%, em relação a 2019.

# No ano passado, o preço das carnes subiu 17,97%, segundo o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo), bem acima da alta de 4,52% da inflação em geral. Dos cortes bovinos analisados pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), apenas o nobre filé-mignon teve queda de preço em 2020, de 6,28%. Já a picanha (17,01%), o contrafilé (12,71%) e a alcatra (5,39%) ficaram mais caros. As carnes de segunda, mais consumidas pela população de baixa renda, cujos rendimentos foram impulsionados pelo auxílio emergencial em 2020, foram as que mais subiram, com alta de 29,74% da costela, aumento de 27,67% do músculo e avanços de 26,79% e 20,75%, respectivamente, do cupim e do acém, diz a BBC Brasil.

# A alta das carnes nos supermercados acompanhou o aumento do preço do boi no campo. A arroba do boi gordo fechou 2020 cotada a R$ 267,15, uma alta de 29% em relação ao final de 2019, segundo o Cepea da Esalq/USP (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada, da Escola Superior de Agricultura "Luiz de Queiroz" da Universidade de São Paulo). Somente nos primeiros 15 dias de 2021, o preço do boi gordo já subiu 7,77%.

 

E o que esperar, na pecuária, para 2021?

No ano que se inicia, as perspectivas para quem produz carne bovina, contudo, não são melhores, já que a renda e a demanda do brasileiro devem diminuir, mas os preços não. O problema, todavia, pode não acabar em 2021. Segundo a Agrifatto,  que realiza análises de investimento em ativos agropecuários, os preços das carnes devem permanecer pressionados pelo menos até metade de 2022, por conta do ciclo pecuário. A cada dia que passa o Brasil, diz a Agrifatto, tem menos animais sendo terminados a pasto. O grande rebanho brasileiro hoje é terminado em confinamento – realidade diferente de 15 anos atrás, quando havia menos de 20% de animais terminados a cocho.

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