O acordeon, mais conhecido em nossa região como “gaita”, sempre foi um instrumento muito adorado por todos, indispensável em bailes e rodas de amigos no Rio Grande do Sul. Antigamente, era muito comum em uma família onde se tinha cinco ou mais irmãos, pelo menos um, ser gaiteiro. Os pais incentivavam, compravam instrumentos, e as crianças da época sem muita estrutura para acessar os grandes profissionais, acabavam aprendendo de forma autodidata, ou apenas observando os músicos em dias de eventos. Um exemplo disso, pode ser visto no filme “Dois Filhos de Francisco”, que conta a história de Zezé de Camargo e Luciano, onde o próprio pai sonhava com os filhos no mundo da música. O tempo foi passando, e a tradição foi ficando um pouco esquecida. Na atualidade, as crianças e jovens não se preocupam mais tanto com cultura e tradição, optando apenas por aparelhos eletrônicos. Felizmente, esse não é o caso de Jéssica.
Jéssica Gaiteira.
Jéssica Isabeli Rigo, de apenas oito anos, mora em Três Arroios, e começou sua trajetória na música recentemente. O sonho dos avós sempre foi que a neta despertasse interesse pelo acordeon, e assim aconteceu. Um belo dia, Jéssica viu sua prima Fernanda praticando. Foi “amor à primeira vista” pela gaita. “Quando vi ela tocando gostei muito. Conversei com meus pais, e eles falaram com o mesmo professor, que dava aulas em casa para ela. Como também danço no Centro de Tradições Gaúchas (CTG), sempre gostei deste instrumento que é tocado nas músicas tradicionalistas”, conta a pequena Jéssica. Ela também destacou que a prática diária é muito importante para aprimorar os conhecimentos. “Pratico em média uma hora por dia, sem falhar. Gosto muito também de acompanhar vídeos pelo Youtube de pessoas que tocam, me inspiro muito nelas. A mãe de Jéssica, Elis Rigo, também nos contou que o incentivo dado pelos pais sempre fez a diferença. “Gostamos muito de música, principalmente gaúcha. O sonho do avô Delvino José Rigo, era ver a neta tocando gaita. Quando ela se interessou, ele falou que se ela aprendesse, iriam presenteá-la com o instrumento. Ela começou a fazer as aulas em casa, devido a pandemia do coronavírus, com o professor que vinha até nós, uma hora por semana. Vendo que o interesse aumentava a cada dia, a incentivamos a assistir grupos tradicionalistas e principalmente artistas que tocam gaita. A noite toda a família se reúne e assistimos”, relata Elis. Nesta era onde a internet é um dos principais meios de comunicação e divulgação, a família de Jéssica imediatamente tomou a iniciativa de criar um canal no Youtube para a pequena artista. “Criamos um canal com um vídeo de dia dos pais, ano passado, e aí por diante, ela começou a fazer seus vídeos e publicar. Link para acessar os vídeos de Jéssica: https://www.youtube.com/channel/UCrK01bKVpFTuuWxyN8cU73A/videos
Sonhos e expectativas
Sonhar faz parte da vida. Existem sonhos que são possíveis de se realizar, e outros, que demandam um pouco mais de esforço. O sonho da Jéssica Gaiteira é conhecer o músico Gildinho, do Grupo Os Monarcas. “Já antes de começar a tocar gaita, sempre ouvia meus pais falarem que ele era uma referência de gaiteiro para nós gaúchos, e sempre me dizem que querem me ver tocar igual a ele” ressalta Jéssica. “ Assisto e ouço com minha família as músicas dos Monarcas, e não tem como não me tornar fã. Meu maior sonho é conhecer e tocar junto com ele”, reforça a gaiteira.
Gildinho
Nésio Alves Corrêa, mais conhecido como Gildinho, começou sua carreira aos 15 anos, no interior de Soledade, onde nasceu e residia na época. “Eu comprei uma gaita, e trinta dias depois, já toquei o meu primeiro baile, sabia apenas seis músicas, e assim segui meu sonho”, conta Gildinho. Logo após percorrer o caminho da música sozinho, o artista ouviu conselhos de seus ídolos, na época os Irmãos Bertussi, e resolver aperfeiçoar seu talento musical, fazendo aulas na Escola Belas Artes, de Erechim. “Me matriculei na Escola Belas Artes, onde estudei por sete anos. Foi isso que abriu os horizontes para o Gaiteiro Gildinho”, conta. Com a experiência adquirida, e a vinda do seu irmão Chiquito a Erechim, os dois formaram uma dupla que na época obteve muito sucesso em um programa de rádio da cidade. Logo após, eles lançaram o Grupo Os Monarcas, que é referência em música tradicionalista até hoje. O músico também é apoiador dos novos talentos, um exemplo foi Thomas Machado, que apadrinhado por ele, conquistou o primeiro lugar no The Voice Kids de 2017. “Essa safra nova de acordeonistas que está surgindo é algo impressionante. O único conselho que posso dar a quem está começando é que tem que estudar música. A partitura clareia toda a arte que já vem de berço”, conclui Gildinho.
Será que Jéssica Gaiteira Rigo vai realizar o sonho de conhecer o ídolo? Não deixe de acompanhar a próxima edição do jornal impresso e redes sociais do Grupo Bom Dia.