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Rural

Soja: chuvas regulares minimizam perdas e cenário aponta para safra recorde

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Atualmente é possível encontrar lavouras em diferentes estádios
Por Izabel Seehaber
Foto Divulgação

O mais recente Informativo Conjuntural, produzido e divulgado pela gerência de Planejamento da Emater/RS-Ascar, sinaliza que a regularidade das precipitações que vêm ocorrendo nos últimos dias tem favorecido a cultura da soja e o bom desenvolvimento vegetativo (30%), florescimento (44%) e enchimento de grãos (25%). No atual período trazem tranquilidade aos agricultores que haviam atrasado o início do plantio em função da baixa umidade do solo.

Para entender melhor alguns detalhes sobre o cultivo da soja e também do milho, a reportagem do Bom Dia conversou com o engenheiro agrônomo e consultor técnico, Fernando Losado dos Santos.

Inicialmente ele ressalta que no Alto Uruguai, entre as principais culturas de lavoura que se destacam em termos de produção e extensão agrícola, a soja e o milho representam o maior percentual de área cultivada. “Nessa época do ano, considerando os estádios fenológicos de cada cultura, bem como, o efeito climático de estiagem ocorrido no ano passado, por meio do La Niña, já é possível perceber os impactos de perdas na produção”, observa.

Segundo Fernando, essa redução do potencial produtivo já inicia na semeadura, levando em conta que as regiões possuem um calendário “zoneamento agrícola de risco climático” e devido à falta de chuvas, os produtores acabaram atrasando a semeadura e, consequentemente, comprometendo parte da produção. “Desde dezembro houve uma sequência de dias com precipitações de volumes e intensidades variadas na região Alto Uruguai, contribuindo para a finalização do plantio das culturas de soja e milho”, acrescenta.

Cenário atual

Atualmente é possível encontrar essas culturas em diferentes estádios. “Algumas lavouras de soja estão na fase de enchimento de grãos - para aqueles produtores que conseguiram efetuar a semeadura nos meses de outubro e novembro - e outras estão com a soja no estádio vegetativo de V3 (terceiro nó e três trifólios) a VN (Enésimo nó, início da floração), naquelas situações em que houve um atraso no período da semeadura devido à falta de chuvas”, explica o consultor.

Para a cultura do milho, inúmeras áreas já estão sendo colhidas, apresentando a produtividade abaixo do esperado. Conforme Fernando, a consolidação dessas perdas, tem fator diretamente relacionado com a ocorrência da estiagem nos períodos em que a cultura necessitava de maior índice pluviométrico. “De uma forma geral, as plantas de milho apresentam um desenvolvimento desregular e baixa estatura, e regionalmente deverá ser mantida a redução no rendimento de grãos e também para a produção da massa verde (silagem)”, pontua.

Equilíbrio dos fatores climáticos

O fator clima é determinante para o êxito dos resultados. Se favoráveis às condições de temperatura, chuva, umidade do solo, do ar, ventos e radiação solar, as culturas tendem a se desenvolver de uma forma mais adequada, desde a germinação até a colheita.

Sempre que existe um desequilíbrio, seja pela falta ou pelo excesso de algum dos fatores climáticos, haverá consequências que impactam na produção. “No caso de períodos consecutivos de chuva, existe a dificuldade ou impossibilidade de realização dos tratos culturais, pois o solo encontra-se encharcado e o produtor não consegue acessar a lavoura para efetuar as aplicações dos defensivos agrícolas. Com a sequência de muita chuva, também ocorre a desestabilidade da estrutura física e química do solo, reduzindo a insolação e o oxigênio do solo, e que influencia o metabolismo, a nutrição e a sanidade das plantas”, esclarece o engenheiro agrônomo.

Nestas circunstâncias, deve ser atentado ao manejo mais adequado. No caso da cultura de soja, outro fator negativo, pontua o consultor, é o apodrecimento de grãos e germinação dentro das vagens. “Ambientes úmidos representam condições favoráveis à pressão por doenças, em especial a ferrugem asiática. Durante todo o seu ciclo, a soja necessita de 400 a 800 milímetros de água, levando em conta que a necessidade é maior durante a floração até o enchimento de grãos, sendo que após esse período a exigência passa a ser menor. Portanto o ideal é a melhor distribuição destas chuvas ao longo do ciclo das culturas, para obtenção de um aproveitamento mais efetivo e, consequentemente, ganhos na produtividade e rentabilidade”, salienta.

Orientações aos produtores

Fernando comenta que, em relação ao manejo, são inúmeros fatores ou processos (aproximadamente 54) que devem ser levados em consideração, dentre eles, as adequadas propriedades físicas, químicas e biológicas dos solos, escolha do melhor cultivar ou genética, qualidade de semente, plantabilidade adequada, adubação e nutrição equilibrada, prevenção aos estresses abióticos, controle de patógenos, plantas daninhas e pragas. “Para a elaboração de um sistema de produção, é importante observar e manter um equilíbrio nutricional e hormonal de plantas. Todos os fatores, são independentes e, quando interligados, incrementam a produtividade”, alerta.

Após o Sistema de Plantio Direto, ele reforça que é imprescindível a adoção de rotação de culturas e em períodos de entressafra a utilização de coberturas verdes, que além de proteção, disponibilizam ou devolvem ao solo nutrientes que serão essenciais nas culturas sucessoras.

De acordo com o consultor, entre os problemas mais comuns identificados nas lavouras da região, está a falta do uso de corretivos de solo ou condicionadores, o desequilíbrio nutricional e hormonal, a inobservância ao zoneamento agrícola de risco climático e a não adoção das práticas de rotação de culturas. “Como consequência, teremos um solo menos fértil, plantas menos nutridas e com problemas de sanidade, plantas com baixo vigor, maior incidência de doenças, patógenos e pragas que criam resistência quando não controladas preventivamente”, completa.

Expectativa positiva para a safra

Na avaliação do engenheiro agrônomo de Erechim, a cultura da soja se destaca tanto como cultura, bem como pelo mercado líquido mais volátil, isto é, o agricultor obtém maior retorno financeiro. Desse modo, outras culturas ocupam um menor espaço no sistema de produção. “Quanto a expectativa de safra da soja de um modo geral, é positiva, visto que, apesar das adversidades climáticas, da falta de chuvas no ano passado, hoje, a realidade de precipitações é de excesso. As condições atuais, minimizaram as perdas que a falta de chuvas ocasionou, favorecendo então o desenvolvimento da cultura”, reforça, acrescentando que, por meio do escalonamento da semeadura da soja é possível observar a cultura em diferentes estádios fenológicos. “Assim, pode-se dizer que a região talvez não atingirá todo o potencial produtivo das lavouras, devido a irregularidades climáticas registradas durante esta safra, todavia, estima-se uma produção recorde”, reitera.

Características regionais

Fernando destaca que uma peculiaridade das culturas de grãos no Alto Uruguai é a vantagem e possibilidade de armazenamento por longo tempo, sem perdas significativas da qualidade.

Porém, afirma o engenheiro agrônomo, esse armazenamento prolongado só pode ser realizado quando adotadas corretamente as práticas de colheita, limpeza, secagem, combate a insetos e prevenção de fungos.

Outro atributo, enfatiza o consultor técnico, é a demanda mundial por grãos que está aquecida, com forte propensão de ascendência nos preços. “Considerando a rentabilidade que a cultura de grãos proporciona, observamos a importância econômica da produção agrícola regional e os reflexos ao estado e país, fazendo parte de um contexto histórico”, exalta Fernando.

Segundo a fonte Conab, o Brasil ocupa a posição de maior produtor de soja do mundo, e a nível nacional o estado do Rio Grande do Sul é o terceiro maior produtor, atrás do estado do Mato Grosso e do Paraná.

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