O tradicional churrasquinho de fim de semana está ficando a cada dia mais salgado, isto é, quase não cabe mais no orçamento das famílias. Isso porque os preços da carne subiram, significativamente, ao longo de 2020, e continuaram numa escalada de aumento, ainda, neste ano. Assar uma carne no fim de semana faz parte do estilo de vida e da cultura das famílias gaúchas, no entanto, com os preços elevados o consumidor vem deixando esse hábito de lado para conseguir fechar as contas no fim do mês.
“Um e olha lá”
O erechinense, Lucas Natan, que trabalha na indústria de carnes, gosta de comer churrasco, mas como os preços estão muito elevados, ele diminuiu a frequência. “A carne está muito cara, ultimamente, com R$ 50 não compra nem um quilo de carne pra churrasco. Eu fazia quatro churrascos por mês, hoje, eu faço um e olha lá. Mesmo nas promoções o preço é alto. E, ainda tem aluguel, as contas do mês, e aí não sobra nada do salário”, comenta.
“É um roubo, um absurdo”
O motorista Dulcinei Possamai, também, gosta de comer um churrasquinho no domingo, mas agora não dá mais para fazer todo fim de semana. “O preço da carne está um horror, está muito caro. Um ano atrás dava para assar uma carne quase todo final de semana, hoje não dá mais. Eu moro sozinho e, mesmo assim, para fazer um churrasquinho pra mim custa caro. Pesou no salário”, afirma.
Ele acrescenta que o quilo de carne boa pra churrasco chega a R$ 60. “É um roubo, um absurdo, se for fazer um churrasco pra quatro pessoas gasta mais de R$ 200. E isso que produzem muita carne na nossa região”, afirma.
Dividir para manter a tradição
“Nós gaúchos, que comemos churrasco todos os fins de semana, a conta está pesada. Eu continuo comendo mesmo sendo caro, não deixei de comer, mas compro carnes diferentes e dividimos o churrasco com mais pessoas. A ideia é juntar amigos, familiares e dividir um pouco cada um, e, assim, se mantém a tradição”, afirma o motorista, Lindomar da Silva.
Ele explica que a alternativa para quem não consegue ficar sem o churrasco de fim de semana é comprar cortes de carnes mais baratos e variar com carne de porco e frango. “Comprar paleta ou o primeiro corte da agulha, galeto, porco. Sem churrasco no fim de semana não tem muita graça”, disse. No entanto, Lindomar, ressalta que do jeito que está, a saída será intercalar, “ficar um fim de semana sem comer e fazer no outro”.
Não fecha a conta
Para o motorista, Leandro Homa, assar uma carne no fim de semana é fundamental, já virou um hábito. “O problema que os preços da carne, hoje, estão um absurdo, um corte de R$ 24 quilo foi para R$ 36 e, em alguns, pedaços chegou a R$ 42”, explica.
Conforme Leandro, pra não ficar sem o churrasco, a saída é comprar carne inferior, cortes mais baratos. “Porque se for fazer uma alcatra tá complicado, qualquer pedacinho dá R$ 50 e, se tiver quatro pessoas, vai gastar no mínimo R$ 100 só de carne”, ressalta. E, acrescenta, “e não é somente a carne que está com preço alto, tudo no mercado subiu, mas a carne tá bem salgada”.
No entanto, Leandro deixou de fazer churrasco todo fim de semana, porque se fizer, não fecha a conta, no fim do mês. “Até porque as coisas estão aumentando muito rapidamente, como todos os outros itens, arroz, feijão, gasolina, energia elétrica, água, e o nosso salário sobe pouco, e o restante demais”, comenta.
Tendência subir mais
Segundo a avaliação da proprietária do mercado Super Pampa, Luciele Chaparini, localizado no bairro Três Vendas, na divisa com o bairro Presidente Vargas, o preço das carnes não deve se manter nos patamares atuais, ao longo deste ano, aliás, há chances de aumentar ainda mais.
“Só neste ano tivemos dois aumentos nos preços das carnes, e eu acredito que não vai baixar para o consumidor, pelo o que a gente tem visto com nossos fornecedores. Tomara que se mantenha, mas a tendência é aumentar ainda mais os preços em 2021”, afirma.
Luciele comenta que, no ano passado, o mercado não sentiu a mudança na postura do consumidor, em função dos preços terem subido. “Mas, neste ano, as vendas já começaram bem abaixo da expectativa prevista”, observa.
Ela comenta que o quilo da costela de gado que se pagava, no ano passado, em torno de R$24 a R$25 hoje está por volta de R$ 33 o quilo. A alcatra que se vendia a R$ 29,90 agora está R$ 37 o quilo. “Frango e porco, também, aumentaram, se há aumento, todas sobem juntos. A costela de porco variou bastante no ano passado cerca de R$ 20 por quilo”, lembra.