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Economia

Para o gás nada e para o diesel pouca diferença

Esse será o resultado prático pelo governo ter zerado as alíquotas do PIS e da Cofins. Revendedor de gás de cozinha e de combustíveis amargam prejuízos com a atual política de reajustes de preços, e o consumidor paga a conta

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Diesel deve diminuir cerca de R$ 0,35 zerando as alíquotas, e gás de cozinha não vai ter redução de
Por Ígor Dalla Rosa Müller
Foto Ígor Dalla Rosa Müller

A Petrobras fechou o ano de 2020 com lucro líquido de R$ 7,1 bilhões, conforme publicado no site da empresa no dia 24 de fevereiro, deste ano, “encerrando 2020 com sólido desempenho operacional e financeiro”. Nesta conta, onde está o consumidor e o revendedor? De outro lado, o presidente, Jair Bolsonaro, editou na noite de segunda-feira (1º) um decreto e uma medida provisória que zera as alíquotas da contribuição do Programa de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público (PIS) e da Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (Cofins) que incidem sobre a comercialização e a importação do óleo diesel e do gás liquefeito de petróleo (GLP), gás de cozinha. Mas qual será o impacto desse decreto na hora de comprar?

Gás de cozinha

Conforme o responsável técnico de uma revenda de gás em Erechim, Maico Roberto Moura, as medidas implantadas pelo governo não irão reduzir o preço do gás liquefeito de petróleo (GLP), o gás de cozinha, para o consumidor final. “Zerar PIS e Cofins é apenas questão política, de mídia. Ele poderia, simplesmente, interferir na política de preços da Petrobras e aí sim haveria impacto ao consumidor”, diz.

Ele explica que o percentual do PIS é de 0,65% e da Cofins de 3% sobre a composição do preço. “Não haverá nenhuma mudança pro consumidor e, além do mais, a Petrobras está reajustando de 15 em 15 dias o preço do gás. Nos últimos nove meses foram 11 aumentos”, comenta.

Maico observa que ainda não repassou o reajuste anunciado pela empresa na segunda, desta semana, que entrou em vigor na terça (2), para o consumidor, que foi de R$ 3,15. “O valor hoje do gás de cozinha, na portaria, vai ficar entre R$ 90 a R$ 93, e se for entregue na residência, entre R$ 95 e R$ 98”, comenta. Ele ressalta, porém, que provavelmente este aumento será maior em função, também, do aumento do diesel e o reflexo disso nos valores do frete.

E para piorar a situação, explica Maico, junto com o aumento da Petrobras vem também o reajuste da companhia engarrafadora. “Ou seja, em plena pandemia, as engarrafadoras vão ainda aumentar mais R$ 1,17 e não sabemos bem ao certo o porquê, eles dizem que é reequilíbrio dos custos ou da margem de lucro”, destaca.

Combustíveis

Trabalhando há 20 anos com venda de combustíveis, Alexandre Batista, comenta que a atual política de preços não beneficia os consumidores e, muito menos, os revendedores de combustíveis. “Tem quem haver uma profunda reestruturação da Petrobras, os aumentos constantes não estão se justificando, em função do que o mercado internacional está nos mostrando. Esses acréscimos significam queda nas vendas, prejudicando consumidor e revendedor”, explica.

Ele ressalta que são muitos aumentos semanais, praticamente, e com o último de segunda (1º) já são cinco reajustes no ano. “Nosso setor está bem complicado. A nossa margem como revendedor diminuiu porque o nosso volume de vendas caiu, não existe uma compensação para o revendedor”, observa.

O empresário ressalta que tanto revendedor quanto consumidor ficam refém desta situação. “Além disso, o governo federal quer colocar uma normativa em que o posto de combustível tem que colocar, também, a rentabilidade dele, mas vai faltar um elo nesta corrente, que é quanto a distribuição está ganhando dentro da cadeia toda”, ressalta.  

Conforme Alexandre, o Estado do Rio Grande do Sul interfere muito no preço final do combustível e leva a maior fatia. “O Estado está ganhando limpo, hoje, de ICMS sobre o litro da gasolina em torno de R$ 1,60 a R$ 1,70 por litro vendido. Arrecada muito dinheiro”, afirma.  

Diesel

Com relação ao PIS e Cofins, ele comenta que o governo federal arrecada cerca de R$ 0,35 por litro de diesel. “Ao zerar o PIS e Cofins do diesel muda um pouco o preço, vai abaixar uns R$ 0,35 centavos”, afirma.

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