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Rural

De supersafra para quebra na produtividade

Essa é a realidade da produtora de soja Mara Motter que iria colher muito bem, mas com a falta de chuva viu sua produção despencar e chegar a menos de 30 sacas por hectare. Perdas podem ultrapassar 50% da lavoura

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"A nossa perda gigantesca está na falta de água”
Mara Motter cultiva 320 hectares entre os municípios de Três Arroios, Aratiba, Severiano de Almeida
Por Ígor Dalla Rosa Müller
Foto Divulgação

A colheita da soja avança, aos poucos, no Alto Uruguai, e deve se estender até maio, tendo maior intensidade no mês de abril. A região tem cerca de 240 mil hectares da cultura implantados, em 32 municípios, com previsão inicial de produtividade de 60 sacas por hectare. Havia até uma expectativa de uma grande safra regional, no entanto, essa realidade não é geral, já que em alguns municípios vai ter quebra de produção em função da estiagem.

Reviravolta

Já para a produtora de soja, Mara Motter, que cultiva 320 hectares entre os municípios de Três Arroios, Aratiba, Severiano de Almeida e Mariano Moro, a safra 2020/2021 será muito diferente do que ela vem vivenciando nos últimos anos. Ela observa que a germinação da lavoura foi muito eficiente, a estrutura das plantas estava muito forte o que sinalizava, claramente, uma superprodução. “Mas tudo isso foi interrompido no momento de enchimento de grãos, começou a faltar chuvas, o que atingiu tanto a soja plantada mais cedo como a mais tarde”, afirma.

A produtora comenta que isso não aconteceu em toda a região, porque a 30 quilômetros de onde ela está choveu bem e tem lavouras com expectativa de 70 a 90 sacas por hectare. “As nossas áreas também demonstravam isso, mas com a falta de chuva a gente está tendo muito abortamento de vagem na soja mais tardia, enchimento de grão extremamente comprometido, com vagens que deveriam ter três grãos tem somente um, e, às vezes, sem grão, ou muito pequenos, com a metade do tamanho”, explica.

Efeitos

Segundo Mara, os efeitos da estiagem são nítidos porque, agora, na maturação, as plantas de soja não fizeram o processo certo que é amarelar a folha e cair do pé. “A folha morreu e ficou toda na planta. A nossa perda gigantesca está na falta de água”, disse. Ela lembra que no ano que passou, na safra 2019/20, a média de produtividade das suas lavouras ficou em 60.5 sacas por hectare. “Nesta safra 2020/21 tememos colher em algumas áreas menos que 30 sacos por hectare. Estamos no quinto talhão de colheita, todos eles muito diversificados, em quantidade por hectare. As lavouras tardias irão ter a pior produção. A minha perda foi de 50% ou muito mais, não conseguimos medir, ainda, porque se chover conseguimos recuperar um pouco, e se não chover, será ainda pior, é muito preocupante”, afirma.

Vai faltar grão

Neste ano, com preços recordes vai faltar grão para ela, observa, já que a região de Três Arroios, Aratiba, Severiano de Almeida e Mariano Moro, onde ela planta, foi muito afetada com a falta de chuva. “Eu não tinha visto uma estiagem tão devastadora assim, que vem levando milho, soja do cedo e do tarde”, diz.

Venda antecipada

“Quem fez venda antecipada, como eu, fica com medo de não conseguir cumprir os contratos. A verdade é que a gente nunca colheu tão pouca soja. Fizemos vendas com contratos futuros com uma diferença muito grande do que está hoje, a minha média de contrato foi de R$ 93 a saca, e a realidade de mercado é R$ 162 a saca. A diferença é muito grande”, explica. Na região Alto Uruguai mais de 30% da soja foi vendida antecipadamente, a preços que variaram de R$ 80 a R$ 100, segundo a Emater regional.   

Para não se angustiar, ainda mais, ela acrescenta que tem que olhar para outro lado e ver quanto foi o seu custo de produção quando fez a venda antecipada.

Nova safra

Contudo, além dos prejuízos atuais, Mara já está preocupada com a safra nova de 2021/2022, que segundo ela vai ser desafiadora. “Porque o custo dos insumos, fertilizantes está altíssimo. E aí vamos conseguir vender no ano que vem o nosso grão aos preços de hoje”, questiona.

Panorama

Em Erechim, por exemplo, segundo o engenheiro agrônomo da Emater municipal, Adriano Szynkaruk, a produtividade deve variar entre 50 a 70 sacas por hectare, isso vai depender do nível tecnológico empregado em cada lavoura. Ele afirma que a média de Erechim vai girar em torno de 60 sacas por hectare.

Municípios como Sertão e Quatro Irmãos, a produtividade média pode passar de 70 sacos por hectare, conforme o engenheiro agrônomo, Luiz Angelo Poletto, assistente técnico regional em Sistemas de Produção Vegetal da Emater/Ascar.

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