O produtor de Centenário, Kassio Roberto Spitcza, resolveu investir na lavoura de feijão preto, segunda safra, com objetivo de melhorar a renda da família, já que está diminuindo a produção de leite, outra atividade da propriedade. “Está difícil, os custos de produção estão muito elevados, estou carregando vacas para o abate. Estava produzindo 500 litros de leite por dia, mas estou reduzindo a produção pela metade, e a tendência é parar com o leite, mesmo sendo produção familiar. Hoje, não vale a pena produzir em função dos custos”, disse. O problema é que, se não chover, o produtor deve ter perda total na lavoura de feijão, e na renda que viria dela, ficando somente com as contas para pagar.
Situação crítica
O objetivo de Kassio era produzir feijão para ser comercializado na região. Ele plantou 26 hectares em parceria com o seu pai. “O feijão poderia produzir entre 40 a 50 sacas por hectare, que está entre R$ 250 a R$ 300, a saca. O que seria um preço bom se a lavoura produzisse, mas a situação está ficando crítica sem chuva”, explica. Ele ressalta, no momento, se continuar mais uma semana sem chuva vai perder, praticamente, toda a lavoura.
Sem chuva
O produtor lembra que desde o florescimento da planta até o enchimento de grão não choveu na sua propriedade. “Faz em torno de 30 dias que não chove, e o feijão é uma lavoura de ciclo curto, no máximo 86 dias”, afirma.
Problemas na colheita
Kassio comenta que a colheita do feijão é mecanizada e não poderia ser diferente disso. Mas como a planta não cresceu, ficou baixa, as vagens vão ficar muito perto do chão inviabilizando a colheita do que sobreviver a seca. “A colheitadeira não vai conseguir recolher esse feijão, não vamos conseguir colher, o que produzir vai ficar na lavoura”, desabafa.
Ele explica que a produção que sobreviver a seca, senão chover nos próximos dias, terá que ser colhida manualmente. “O que não existe, é impossível, não tem mão de obra”, ressalta. E, acrescenta, “se não chover nos próximos sete dias nós vamos perder quase 100% da lavoura”.
Emater de Centenário
Segundo o extensionista rural da Emater de Centenário, Leandro Kubiak, o município tem área plantada de 150 hectares de feijão da segunda safra, e o rendimento esperado inicial era de 1800 quilos por hectare. “Mas hoje se espera colher, no geral, metade disso 900 quilos por hectare”, afirma.
Alto Uruguai
A área de feijão segunda safra na região Alto Uruguai chega a 2195 hectares. Segundo o engenheiro agrônomo, Luiz Angelo Poletto, assistente técnico regional em Sistemas de Produção Vegetal da Emater/Ascar, se este prevendo uma produtividade média de 1500 quilos por hectare do feijão safrinha. A maior parte desta lavoura está na fase de enchimento de grãos, período que precisa de água. “E está faltando chuva. Se chover, neste momento, poderemos ter ainda uma boa safra de feijão”, afirma.
Poletto afirma que os municípios que plantaram as maiores áreas de feijão safrinha são Centenário e Faxinalzinho, que tradicionalmente vem plantando bastante feijão. “Existe uma tendência de aumento de área de plantio pós-milho para o próximo ano”, disse.
Milho – soja
O engenheiro agrônomo comenta que ainda tem 10% do milho para ser colhido, principalmente, aquele que foi plantado mais tarde e também está precisando de chuvas. Conforme ele, a colheita da soja deve terminar dentro de uma semana. A partir daí os produtores devem se voltar para a colheita do milho, que já está pronto. A área de milho a ser colhida chega a uns 5 mil hectares, plantada na safrinha.
Falta de abastecimento
Além disso, observa Poletto, o maior problema da estiagem é a falta de chuvas para abastecer os mananciais hídricos, que já estão com déficit, começando a escassear as fontes, açudes e águas nas propriedades. “Porque as chuvas que têm ocorrido, se fizer um levantamento, há mais de anos não abastecem os mananciais hídricos e só servem para manutenção das lavouras”, afirma.
Atualmente
Ele comenta que os levantamentos da Emater mostram que houve chuvas bem esparsas no Alto Uruguai. “Desde 26 de março não está chovendo parelho na região. Estamos praticamente passando por uma nova estiagem, e as previsões do fim de semana são de poucas chuvas”, disse.
Conforme Poletto, se chover neste fim de semana, vai amenizar um pouco a situação, principalmente, das pastagens, que já estão com sérios problemas. Além disso, os produtores não conseguem plantar aveia, já que não tem umidade suficiente no solo.