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Economia

Alugueis: hora de se ajudar

Crise sanitária gerou muitos prejuízos e perdas para todos os setores, no entanto, não a possibilidade de ter sensibilidade, conversar e renegociar

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Foto ilustração
Em torno de 15% a 20% das empresas conseguiram renegociar os valores do aluguel em Erechim
“Houveram, também, muitos casos de entregas de salas ou imóveis residenciais para buscar outros com
“Eu não consegui negociação com o valor, quando entrei neste imóvel em que estou (desde dezembro)"
Por Ígor Dalla Rosa Müller
Foto Divulgação

A pandemia do novo coronavírus (covid-19) tirou muitas vidas no Brasil e no mundo, é uma tragédia que não tem data para terminar. A crise sanitária afeta, severamente, também, todos os setores da economia. Ninguém ficou de fora dos efeitos negativos, sociedade em geral, trabalhadores que perderam empregos e empresas, que ficaram sem receita. A crise sanitária gerou a crise econômica. Além disso, o custo de vida do brasileiro vem aumentado, ano após ano, tendo um impacto direto no poder aquisitivo da população. E quem paga aluguel sabe que não é fácil, todo mês, ter que desembolsar tal quantia para ter um local para viver ou trabalhar.

Há um ano

A treinadora de Comportamentos Nutricionais Corretos, que também trabalha há 10 anos como servidora pública federal, Viviane Marmentini, está há um ano morando de aluguel. Antes disso, era casada e morava na sua própria casa. “Eu me divorciei e saí de casa. Então, há exatamente um ano passei a morar de aluguel. Inicialmente, em um apartamento direto com o proprietário, com um valor até razoável, depois tive que mudar, e caí numa imobiliária. O valor aumentou muito”, explica.

Sem renegociação

Na avaliação dela, os alugueis são muito caros em Erechim. “Eu não consegui negociação com o valor, quando entrei neste imóvel em que estou (desde dezembro) eu tentei renegociar pela questão da pandemia, mas me disseram que está barato comparado com demais lugares. Sinceramente, eu não vejo como barato um aluguel que, entre as taxas de condomínio e aluguel, hoje, me consome cerca de 12% a 15% da renda, cerca de R$ 1.200 por mês”, comenta.

“Viver de aluguel é difícil”

Conforme Viviane, viver de aluguel é difícil e pesa nas contas. “Hoje, estou avaliando, porque, às vezes, financiar um imóvel próprio, ainda que as taxas de juros sejam absurdas, vale mais a pena. A mensalidade abate a sua prestação, enquanto o aluguel é um valor que literalmente ‘vai pelo ralo’", ressalta.

Mais sensibilidade

Para ela, as imobiliárias poderiam estar mais sensíveis, principalmente, neste momento de pandemia. “O aluguel em Erechim, no geral, é caro. Especialmente nas regiões centrais, e mesmo assim, o valor do aluguel, somado às taxas administrativas, é caro em qualquer lugar, aqui em Erechim, pelo que eu tenho conhecimento”, diz.

Vender e alugar

Viviane foi pesquisar para alugar ou vender a sua casa e constatou que a valorização do imóvel para vender está muito baixa, em compensação, o aluguel não diminuiu proporcionalmente a isso. “Se for vender um imóvel vai se ganhar de 10% a 20% até 35% abaixo do valor. Fiz uma cotação esses dias, quando o valor do aluguel não baixou nem 10%, nem 20%, pelo contrário tem aumentado”, afirma.

E, acrescenta, “neste momento, poderia ter uma diminuição nas taxas administrativas, cada um tem que tirar o seu, mas daqui a pouco, se organizar enquanto categoria de imóveis, conseguir uma negociação com os proprietários, seria uma sensibilização”.

Renegociação parcial

Segundo presidente do Sindicato de Hotéis, Restaurantes Bares e Similares de Erechim, Ademir Luiz Zarbielli, o setor está passando por muitas dificuldades em função da pandemia, que limitou muito o rendimento desses negócios. Ele explica que em torno de 15% a 20% das empresas conseguiram renegociar os valores do aluguel em Erechim, mas foram pequenas alterações. “O restante insistiu e não obteve resultados”, diz.

Mesmo em bandeira preta, comenta ele, o setor está conseguindo programar a aquisição de insumos, está tendo receita estável, já que a bandeira preta estabelece 25% da capacidade, e não está oscilando.

Ademir faz um apelo aos proprietários das salas de restaurantes, lancherias, hotéis, para que tenham mais sensibilidade e ajudem o setor a manter as empresas abertas, já que no atual momento o setor está tendo um prejuízo muito maior.    

Associação dos Corretores de Imóveis de Erechim

O presidente da Associação dos Corretores de Imóveis de Erechim (Acime), o corretor, Nelson Gonçalves, da Erechim Imóveis, explica que alguns setores da economia local não sofreram com os efeitos da pandemia, sendo que alguns poucos até aumentaram a receita, como, por exemplo, mercados e farmácias.

“No entanto, a grande maioria foi afetada pelo isolamento social e, consequente, redução de sua receita. Como consequência houveram muitas negociações pleiteando uma baixa temporária dos valores de aluguel. Houveram, também, muitos casos de entregas de salas ou imóveis residenciais para buscar outros com menores valores”, explica.

Segundo Nelson, nos últimos meses, uma grande parte dos locatários de imóveis comerciais e residenciais foram surpreendidos, na renovação de seus contratos, com os altos valores do IGP-M, que é o índice padrão para correção dos alugueis. “A solução foi renegociar e, até mesmo, alterar o índice contratado para outro mais baixo, como por exemplo o IPCA”, afirma.

Conselho Regional dos Corretores de Imóveis

O delegado do Conselho Regional dos Corretores de Imóveis do Rio Grande do Sul, Jaime Alberto Menegatti, da Menegatti Imóveis, afirma que devido à pandemia vários clientes solicitaram descontos nos alugueis as imobiliárias, sendo a maioria nos comerciais. “Os alugueis residenciais, em alguns casos, imóveis mais antigos, tiveram valor diminuído em maiores proporções, e os novos nem tanto”, observa.

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