O mercado de veículos seminovos vive um momento, excepcional, mas que não necessariamente se traduz em resultados para os garagistas, revendedores. Os carros anoitecem com um valor e amanhecem com um plus a mais, para ser bem redundante. A pandemia está na base como um dos fatores de toda esta valorização, já que com ela as fábricas diminuíram a produção de peças e carros e direcionaram os insumos, componentes, para áreas que estavam vendendo bem, como smartphones.
V8 AutoKar
O empresário de seminovos, Leandro Finardi, da V8 AutoKar, em
Erechim, observa que a venda desse tipo de veículo está num período de muitas dificuldades, principalmente, para comprar os carros usados. “Mas está, aos poucos, retomando a normalidade”, afirma.
Ele explica que o período da pandemia está sendo muito ruim para o comércio, já que as fábricas, montadoras, pararam, e isso gerou um efeito cascata, faltando matéria-prima para os carros novos e, automaticamente, não tendo produto para entregar. “Com isso, supervalorizou os carros usados e aqueceu o mercado. Por outro lado, não tem carro por causa desta supervalorização”, observa.
Leandro avalia que, gradativamente, está melhorando essa situação. “Temos bons carros na loja, estamos conseguindo vender, mas acredito que logo ali na frente teremos sucesso de novo”, destaca.
Mais Veículos
Segundo o empresário, Daniel Ortigara Maciel, também de seminovos, da Mais Veículos, esse mercado está num momento diferente. “Nós nunca vivemos uma situação assim. E meu pai trabalha com carros há 22 anos, e eu estou há 8 anos na venda de carros”, observa.
Ele explica que a procura está muito grande, mas está se deixando de vender porque não tem carro. “Não tem mercadoria para comprar”, disse.
Daniel ressalta que é a primeira vez que isso acontece nestes anos todos em que trabalha com vendas. “Temos vendas perdidas, por não ter mercadoria”, comenta.
Daniel observa que essa situação se originou em função da covid, quando as fábricas pararam, e por não ter o carro zero quilômetro a demanda do seminovo aumentou, e junto com ela os preços dos usados. “Maior demanda, maior o preço”, disse.
“Na quarta-feira compramos um carro por um valor e na quinta-feira já estava R$ 4,5 mil a mais. De um dia para o outro e seguindo a tabela Fipe”, comenta.
“Hoje, estamos perdendo vendas por falta de veículos. Para se ter uma ideia, tenho 12 clientes esperando, e não tem onde achar, camionetes na faixa de R$ 80 mil a R$ 100 mil”, ressalta.
Ele observa que tem fornecedores fora de Erechim, mas está difícil conseguir carros bons. “Vendemos carros bons, para não se incomodar. E esperamos que a situação se normalize. É um momento único”, destaca.
Redecar
Segunda a empresária de veículos novos e seminovos, da Redecar, Ana Inês dias, de um ano para cá, a realidade deste mercado está em transformação. E um dos fatores é porque não existem mais carros novos, baratos. “Os veículos mais em conta, que saem da fábrica, custam a partir de R$ 70 mil. Então, o consumidor passou a procurar por seminovos”, explica.
Conforme Ana, esse mercado também foi aquecido pela falta de veículos novos nas concessionárias e a sua alta nos preços. “Como começou a faltar carros novos, os consumidores começaram a migrar para os seminovos, aí os preços subiram”, comenta. Além disso, explica Ana, houve também aumento nos valores dos veículos novos, e isso puxou para cima, também, o valor dos seminovos. “Hoje, um cliente compra um carro usado por R$ 30 mil, num mês, e no outro, aumenta para R$ 35 mil”.
Assim, observa Ana, os carros usados estão numa situação diferente do que ocorria anos atrás, já que estão aumentando o seu valor de mercado. “Virou um bom negócio, e as lojas de seminovos estão procurando muito por carros usados, porque tem muita procura nas lojas, garagens. Aqueceu muito este mercado, em função da falta e do aumento do valor dos novos, e, também porque começaram a comprar seminovos mais completos”, ressalta.