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Economia

“Pobre não pode comer mais carne”, diz dona de casa

Variação nos preços dos alimentos impactam diretamente no bolso e na qualidade de vida das pessoas. Cesta básica do estado foi a segunda mais cara do país, no mês de junho, ficando em R$ 642,31

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Alimesnto
Os alimentos estão muito caros e a situação não está fácil, afirma pensionista Nelci de Fátima Prado
“O que mais subiu foi o óleo, depois arroz e carne”, disse aposentada Odete Cigerza
“Pobre não pode comer mais carne”, afirma a dona de casa, Lurdes Loci Pinto
“Estamos fugindo do mercado”, diz aposentada Ana Maria Revers Szady
Por Ígor Dalla Rosa Müller
Foto Divulgação

Quem costuma fazer as compras dos alimentos para a família sente, a cada ida ao mercado, que os preços parecem não parar de aumentar. Parece que o dinheiro não vale mais nada, porque os valores sobem e as compras diminuem. Para conseguir atender as necessidades é necessário criar estratégias pra driblar a perda do poder aquisitivo. Entre elas, ficar atento aos dias de promoção, mudar a marca, a quantidade comprada, quando não, reduzir o consumo dos alimentos, enfim, se reinventar para viver com o que se ganha.       

Bairro Cristo Rei

Segundo a pensionista Nelci de Fátima Prado, que mora no bairro Cristo Rei, em Erechim, os alimentos estão muito caros e a situação não está fácil. “Sou pensionista e moro de aluguel, não temos muitas condições. Só a minha filha trabalha e eu fico em casa cuidando do meu neto”, explica.

Ela comenta que o arroz está com preço alto, assim como o feijão, óleo de soja, sem falar na carne, que está custando muito. “Praticamente, todos os alimentos subiram”, disse. Nelci explica que a situação financeira se complica, em grande parte, pelo fato de elas morarem de aluguel.

Para a aposentada, Odete Cigerza, também moradora do bairro Cristo Rei, viver com salário mínimo não é fácil, e os preços dos alimentos aumentaram nos últimos meses. “O que mais subiu foi o óleo, depois arroz e carne”, disse.

Odete comenta que a opção no caso do óleo é trocar pela banha de porco, mas que também está cara, quase o mesmo preço. Segundo ela, no caso da carne, a ideia é recorrer, às vezes, a conhecidos, amigos da colônia, que vendam carne num preço mais acessível. “Isso torna mais barato. E, também, comprar sempre a carne mais barata, frango, e ir driblando como dá”, afirma.  

Conforme a erechinense, Lurdes Loci Pinto, que reside também no bairro Cristo Rei, os alimentos estão todos muito caros. “Principalmente, a carne, pobre não pode comer mais carne”, afirma.

Lurdes conta que sempre trabalhou em casa, é do lar, e que o casal vive só do salário do esposo, que está aposentado. “Está difícil de viver. Além dos alimentos, o gás também subiu muito. Estamos remando para sobreviver”, comenta.

Linha América

Para a aposentada, agricultora, Ana Maria Revers Szady, que mora na Linha América em Erechim, afirma que os alimentos aumentaram muito nos últimos meses. “Os alimentos principais, farinha, açúcar aumentaram muito. A a carne está um absurdo o preço, óleo”, ressalta.

Ela conta que na colônia se produz alguns alimentos, mas o custo para produzi-los também é muito grande. Ana Maria enfatiza que só compra no mercado os alimentos essenciais. “Estamos fugindo do mercado”, diz.  A aposentada observa que o governo precisa rever suas atitudes porque a população está a ver navios.

Cesta básica

A referência para o custo médio da cesta básica para o Rio Grande do Sul e, também, para a região Alto Uruguai, é Porto Alegre, a capital do Estado. E segundo o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), das 17 capitais pesquisadas, Porto Alegre foi a segunda mais cara do país, no mês de junho, ficando em R$ 642,31.

O que é

A cesta básica é formada por 13 diferentes tipos de alimentos, são eles: carne (6,6 kg); leite (7,5 litros); feijão (4,5 kg); arroz (3 kg); farinha (1,5 kg); batata (6 kg); legumes – tomate – (9 kg); pão francês (6 quilos); café em pó (600 gramas); frutas – banana – (90 unidades); açúcar (3 kg); banha/óleo (900 gramas); manteiga (750 gramas).

Tempo

Conforme o Dieese, o tempo necessário para adquirir os produtos da cesta básica, em junho, foi de 128 horas e 28 minutos no RS. Quando se compara o custo da cesta com o salário mínimo líquido, ou seja, após o desconto referente à Previdência Social (7,5%), verifica-se que o trabalhador remunerado pelo piso nacional comprometeu, em junho, em Porto Alegre 63,13% do salário mínimo líquido para comprar os alimentos básicos para uma pessoa adulta.  

Salário mínimo necessário

O Dieese estima que o salário mínimo necessário deveria ser equivalente a R$ 5.421,84, valor que corresponde a 4,93 vezes o piso nacional vigente, de R$ 1.100. O cálculo é feito levando em consideração uma família de quatro pessoas, com dois adultos e duas crianças. O salário mínimo necessário visa atender às necessidades vitais básicas do trabalhador e às de sua família com moradia, alimentação, educação, saúde, lazer, vestuário, higiene, transporte e previdência social, com reajustes periódicos que lhe preservem o poder aquisitivo.

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