Quem costuma fazer as compras dos alimentos para a família sente, a cada ida ao mercado, que os preços parecem não parar de aumentar. Parece que o dinheiro não vale mais nada, porque os valores sobem e as compras diminuem. Para conseguir atender as necessidades é necessário criar estratégias pra driblar a perda do poder aquisitivo. Entre elas, ficar atento aos dias de promoção, mudar a marca, a quantidade comprada, quando não, reduzir o consumo dos alimentos, enfim, se reinventar para viver com o que se ganha.
Bairro Cristo Rei
Segundo a pensionista Nelci de Fátima Prado, que mora no bairro Cristo Rei, em Erechim, os alimentos estão muito caros e a situação não está fácil. “Sou pensionista e moro de aluguel, não temos muitas condições. Só a minha filha trabalha e eu fico em casa cuidando do meu neto”, explica.
Ela comenta que o arroz está com preço alto, assim como o feijão, óleo de soja, sem falar na carne, que está custando muito. “Praticamente, todos os alimentos subiram”, disse. Nelci explica que a situação financeira se complica, em grande parte, pelo fato de elas morarem de aluguel.
Para a aposentada, Odete Cigerza, também moradora do bairro Cristo Rei, viver com salário mínimo não é fácil, e os preços dos alimentos aumentaram nos últimos meses. “O que mais subiu foi o óleo, depois arroz e carne”, disse.
Odete comenta que a opção no caso do óleo é trocar pela banha de porco, mas que também está cara, quase o mesmo preço. Segundo ela, no caso da carne, a ideia é recorrer, às vezes, a conhecidos, amigos da colônia, que vendam carne num preço mais acessível. “Isso torna mais barato. E, também, comprar sempre a carne mais barata, frango, e ir driblando como dá”, afirma.
Conforme a erechinense, Lurdes Loci Pinto, que reside também no bairro Cristo Rei, os alimentos estão todos muito caros. “Principalmente, a carne, pobre não pode comer mais carne”, afirma.
Lurdes conta que sempre trabalhou em casa, é do lar, e que o casal vive só do salário do esposo, que está aposentado. “Está difícil de viver. Além dos alimentos, o gás também subiu muito. Estamos remando para sobreviver”, comenta.
Linha América
Para a aposentada, agricultora, Ana Maria Revers Szady, que mora na Linha América em Erechim, afirma que os alimentos aumentaram muito nos últimos meses. “Os alimentos principais, farinha, açúcar aumentaram muito. A a carne está um absurdo o preço, óleo”, ressalta.
Ela conta que na colônia se produz alguns alimentos, mas o custo para produzi-los também é muito grande. Ana Maria enfatiza que só compra no mercado os alimentos essenciais. “Estamos fugindo do mercado”, diz. A aposentada observa que o governo precisa rever suas atitudes porque a população está a ver navios.
Cesta básica
A referência para o custo médio da cesta básica para o Rio Grande do Sul e, também, para a região Alto Uruguai, é Porto Alegre, a capital do Estado. E segundo o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), das 17 capitais pesquisadas, Porto Alegre foi a segunda mais cara do país, no mês de junho, ficando em R$ 642,31.
O que é
A cesta básica é formada por 13 diferentes tipos de alimentos, são eles: carne (6,6 kg); leite (7,5 litros); feijão (4,5 kg); arroz (3 kg); farinha (1,5 kg); batata (6 kg); legumes – tomate – (9 kg); pão francês (6 quilos); café em pó (600 gramas); frutas – banana – (90 unidades); açúcar (3 kg); banha/óleo (900 gramas); manteiga (750 gramas).
Tempo
Conforme o Dieese, o tempo necessário para adquirir os produtos da cesta básica, em junho, foi de 128 horas e 28 minutos no RS. Quando se compara o custo da cesta com o salário mínimo líquido, ou seja, após o desconto referente à Previdência Social (7,5%), verifica-se que o trabalhador remunerado pelo piso nacional comprometeu, em junho, em Porto Alegre 63,13% do salário mínimo líquido para comprar os alimentos básicos para uma pessoa adulta.
Salário mínimo necessário
O Dieese estima que o salário mínimo necessário deveria ser equivalente a R$ 5.421,84, valor que corresponde a 4,93 vezes o piso nacional vigente, de R$ 1.100. O cálculo é feito levando em consideração uma família de quatro pessoas, com dois adultos e duas crianças. O salário mínimo necessário visa atender às necessidades vitais básicas do trabalhador e às de sua família com moradia, alimentação, educação, saúde, lazer, vestuário, higiene, transporte e previdência social, com reajustes periódicos que lhe preservem o poder aquisitivo.