21°C
Erechim,RS
Previsão completa
0°C
Erechim,RS
Previsão completa

Publicidade

Cultura

Vivo e ainda tátil

Pandemia estimula venda de livros de maneira tradicional, nas livrarias, mas desafios vão se acumulando. E não são poucos

teste
Parece que enquanto houver pessoas haverá livros
“A pandemia nunca chegou a afetar as vendas”, afirma a sócia da Bankath, Anelise Holzmann
“O pessoal ficou mais tempo em casa e acabaram comprando mais livros”, disse a sócia da Livros & Cia
A competitividade das grandes redes é um problema, disse o proprietário da Espaço Cultural, Jacir Lu
Por Ígor Dalla Rosa Müller
Foto Divulgação

Será que o livro irá desaparecer? As livrarias irão sumir? A tradição se manterá, assim como o leitor faz, indo na livraria, comprando no formato de papel, grande ou pequeno? É difícil responder a essas questões, principalmente, num mundo cada vez mais virtual, interligado e mediado por tecnologias. Por ora, o livro, essa expressão cultural milenar, tátil, sobrevive e vai rompendo desafios, como a pandemia do novo coronavírus (covid-19). Parece que enquanto houver pessoas haverá livros. Essa é uma afirmação um tanto quanto profética, mas que vai se mantendo ao longo da história.    

Livraria Bankath

Conforme a sócia da Livraria Bankath, Anelise Holzmann, no início da pandemia, as pessoas buscaram muito os livros. Houve uma procura maior pelos os exemplares físicos. “Que não diminuiu. A pandemia nunca chegou a afetar as vendas”, afirma.   

Ane explica que o carro-chefe da Bankath são os livros. “Temos uma variedade bem grande de títulos, clássicos, focado em literatura, negócios, autoajuda, biografias, romances”, disse. E, acrescenta, “o nosso negócio não se inseriu no comércio eletrônico de livros, tem que estar presente na livraria para fazer a compra do livro físico”.

Segundo Anelise, a livraria está em funcionamento há 21 anos, e no início se via o mundo digital como concorrente, mas se percebeu que, em todas as faixas etárias, o pessoal ainda busca o livro físico. “Não sei se é utopia da minha parte, mas eu acho que isso nunca vai parar”, disse.  

Ela explica que existe reflexo nas livrarias das compras feitas pela internet, já que tem grandes redes que acabam pegando um título ou outro e colando preços mais baixos. “E como os livros são tabelados, temos uma margem pequena, e precisamos batalhar sempre para vender em quantidade. A margem é muito pequena, e não tem variação, o livro tem tabela fixa, nacional, o preço que eu recebo é o que eu vendo”, afirma.

A livraria tem uma clientela bem variada, já que está há 21 anos no mercado erechinense de livros. “Tem gente que ‘nasceu’ aqui dentro e vem até hoje, e mesmo quando vão embora voltam. O público de Erechim é bem legal na questão da leitura”, conta.

Na sua avaliação, por um bom tempo as livrarias irão se manter, porque as pessoas continuam procurando informação, enriquecimento interior. “O livro nunca vai parar”, afirma.

Livros & Cia

Segundo a sócia da livraria Livros & Cia, Aline Scheila da Silveira, a pandemia estimulou a venda de livros. “O pessoal ficou mais tempo em casa e acabaram comprando mais”, diz.    

Além da venda de livros, a livraria trabalha também com material escolar e para escritório, assim como presentes. No período da pandemia, explica Aline, se vendeu muito para o público infanto-juvenil, mas também romances e edições de autoajuda. “A faixa etária varia muito”, observa.  

Aline afirma que utiliza as redes sociais para vender, o comercio eletrônico como suporte nas vendas, que tem bons resultados. “Ajuda bastante. Quando recebemos um livro, a gente já posta ele nas redes sociais e acaba vendendo, na hora”, disse.

A Livros & Cia tem 23 anos de atuação, e em função da suspensão das aulas diminuiu as vendas de material escolar, que integra a receita da empresa. “Vendemos bastante livros, mas o material escolar é importante para a livraria, e decaiu muito na pandemia”, comenta.

Para ela, o mercado de livros vai se manter porque, ainda, tem muita procura. “O cliente quando vem até a loja fica admirado com tantas opções de títulos, livros”, afirma.

Conforme Aline, o grande desafio das livrarias hoje, do mercado de livros, são as compras on-line, pela internet. “Mas ainda realizamos boas vendas”, observa.

Espaço Cultural

Segundo o proprietário da livraria Espaço Cultural, Jacir Luiz Rossett, a venda de livros, em específico, vem se mantendo na pandemia, mas uma das dificuldades, nesta área, é a competitividade das grandes redes. “Que colocam preços absurdos, que a gente não consegue entender. Fazem promoções que a gente não entende de onde tiram”, disse.

A livraria atua há 23 anos neste ramo, e há 8 anos, Jacir está à frente da empresa, quando decidiu investir neste negócio, que hoje tem mais de 10 mil itens na loja, entre livraria, papelaria e presentes.

Ele comenta que o público ainda procura os grandes clássicos da literatura, livros de autoajuda, romances, administração e ficção. “Mas não dá pra viver só da venda do livro, porque há muita concorrência”, observa. 

De acordo com Jacir, a venda pela internet é outro concorrente, mas que também está sendo muito utilizado pela empresa para alavancar as vendas. Ele enfatiza que se está trabalhando muito com informações na internet e pelas redes sociais voltadas para o comércio eletrônico. “A ideia é fazer uma página virtual da livraria”, afirma.  

“Pessoas de todas as faixas etárias compram livros, mas é um mercado complicado, se trouxer um livro para a livraria, que não vender, vai ficar na prateleira”, disse.

Um fato destacado por ele é a influência dos programas de televisão na venda de livros. “Se num programa, à noite, disser que o livro ‘A’ é um espetáculo, ele vende absurdamente. No outro dia tem gente correndo querendo este livro, mesmo que ele não seja tudo aquilo. Mas tem também o leitor seletivo que sabe o que quer”, comenta.    

Jacir fica indignado com a proposta de criar um imposto sobre o livro, que atualmente é isento. Na sua avaliação, isso representa mais um impedimento para a venda. Além disso, o livro subiu de uma forma desproporcional. “Como tudo”, afirma.

Leia também

Publicidade

Blog dos Colunistas

;