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Rural

Peste suína: é fundamental atenção de toda cadeia produtiva

Caso seja introduzida no país, doença poderá trazer inúmeros prejuízos econômicos para o setor

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Crédito: Michele Maroso
Por Ígor Dalla Rosa Müller
Foto Divulgação

O Alto Uruguai tem, hoje, cerca de mil suinocultores em atividade. A região é a quarta colocada em número de abates de suínos no Rio Grande do Sul, com destaque para os municípios de Aratiba, Severiano de Almeida, Barra do Rio Azul e Três Arroios. Toda essa cadeia de produtores precisa estar atenta, segundo a Secretaria da Agricultura, Pecuária e Desenvolvimento Rural, que faz um alerta sobre focos de peste suína africana (PSA), na República Dominicana.

Muitos prejuízos

Segundo a médica veterinária e fiscal estadual agropecuária, Andréia de Oliveira Becker, da Inspetoria de Defesa Agropecuária de Erechim, a peste suína africana é uma doença viral, exótica para o Brasil, e caso seja introduzida no país, poderá trazer grandes prejuízos econômicos para a suinocultura.

Altamente contagiosa

A médica veterinária explica que a peste suína africana (PSA) é uma doença altamente contagiosa, que não acomete o homem, e afeta, exclusivamente, os suídeos, porcos domésticos e selvagens, como javalis e seus cruzamentos com suínos domésticos.

Notificação obrigatória e sem vacina

“É uma doença de notificação obrigatória aos órgãos de defesa sanitária animal, não possuindo vacina ou tratamento, e cuja introdução nos rebanhos suínos pode levar a significativos prejuízos socioeconômicos”, afirma.

Incubação e efeitos

Ela explica que PSA tem período de incubação que vai, de modo geral, de 4 a 19 dias, e se caracteriza, principalmente, por sua forma hemorrágica. “Contudo, as manifestações clínicas podem variar entre doença hiperaguda (morte súbita), aguda (febre alta de 40 °C a 42°C, perda de apetite, letargia, hemorragias na pele e em órgãos internos e alta taxa de mortalidade), e crônica (febre ligeira, apetite reduzido, depressão, sinais respiratórios e aborto)”, explica.

Infecção

Andréia observa que entre as principais fontes de infecção estão a carne e subprodutos cárneos, carcaças, secreções e excreções de suínos domésticos ou asselvajados, infectados pelo vírus da PSA. “Desta forma, esta doença pode ser transmitida, principalmente, pelo contato direto entre suínos infectados e suscetíveis (domésticos ou asselvajados) ou através da ingestão de produtos de origem suína contaminados com o vírus”, ressalta.

Atenção total

A médica veterinária salienta que a atenção dos produtores rurais e técnicos da iniciativa privada é fundamental, para se prevenir da introdução da doença no estado e a sua detecção precoce. “Suspeitas de PSA, no Rio Grande do Sul, devem ser imediatamente notificadas ao serviço veterinário oficial da SEAPDR”, destaca.

Trabalho em conjunto

O Rio Grande do Sul é, atualmente, reconhecido internacionalmente como área livre de febre aftosa sem vacinação. Tendo isso como exemplo, esse novo status sanitário só foi possível, segundo a fiscal estadual agropecuária, Michele Maroso, da Inspetoria de Defesa Agropecuária de Erechim, porque existiu um trabalho em conjunto que envolve produtor rural, serviço veterinário oficial, cooperativas, indústrias, toda a parte de beneficiamento. “A sanidade animal é compartilhada”, diz ela. Assim, qualquer suspeita deve ser imediatamente notificada.  

Nota técnica

A Secretaria da Agricultura, Pecuária e Desenvolvimento Rural emitiu uma nota técnica para dizer que mantém o alerta e está acompanhando as ocorrências mundiais.

A secretaria reforçou as ações de vigilância de PSA no Rio Grande do Sul, entre elas: a vigilância ativa em propriedades de suínos (comerciais e de subsistência); identificação e intensificação da vigilância em criações de suínos em áreas de risco; vigilância em “lixões” e aterros urbanos, a fim de evitar o acesso de suínos a restos alimentares não tratados; fiscalização da alimentação dos suínos em propriedades rurais comerciais e de subsistência; educação sanitária de agentes de manejo populacional de suídeos asselvajados mediante capacitações on-line, promovidas pela SEAPDR, que abrangem informações sobre esta doença; e, sensibilização de técnicos, estudantes de veterinária e produtores rurais quanto à importância da implementação da biosseguridade, mediante palestras do Serviço Veterinário Oficial da SEAPDR, em reuniões e eventos relacionados à suinocultura.

Ocorrência

Em 29 de julho deste ano, a República Dominicana reportou à Organização Mundial de Saúde Animal (OIE), a ocorrência de Peste Suína Africana em suínos do país. Desta forma, a ocorrência da doença no continente americano mobilizou a atenção dos serviços veterinários oficiais e privados do Brasil, bem como da iniciativa privada.

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