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Rural

Sucessão no campo: muitos desafios pela frente

Há renovação do trabalhador no meio rural, principalmente, nas famílias com propriedades mais estruturadas, independente da atividade. Mas a situação ainda é preocupante, de modo geral

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A agricultura está envelhecendo e há pouca mão de obra e, nesta atividade, o trabalho braçal é essen
Por Ígor Dalla Rosa Müller
Foto Divulgação

Por mais óbvio que isso possa parecer, os alimentos precisam ser cultivados, por pessoas, num trabalho diário e incessante, que inicia, às vezes, de madrugada e se estende até a noite, e requer conhecimento e muito esforço físico. Os alimentos não vêm da prateleira do mercado, o leite não dá na caixinha, nem a carne no balcão do açougue. Muitas famílias se dedicam a sua produção no meio rural, no entanto, para que não falte comida na mesa é necessário ocorrer a sucessão familiar. Qual é a situação da renovação do trabalho rural no Alto Uruguai?  

Alto Uruguai

Segundo o gerente regional da Emater/Ascar, Gilberto Tonello, a questão da sucessão familiar nas propriedades rurais, na região do Alto Uruguai, é ainda bastante preocupante. “Nas famílias que já estão bem-estruturadas e que tem rentabilidade, não importa a atividade ou o setor, se for mecanizada, fruticultura, suinocultura, gado leiteiro, é mais fácil ter a sucessão familiar. Nestas famílias, a gente percebe que os jovens ficam na propriedade e irão permanecer no campo”, observa.

Por outro lado, explica Tonello, as famílias que não estão bem-estruturadas, com menos condições financeiras, está sendo um pouco mais difícil ocorrer a sucessão familiar no campo. “Porque os filhos querem ter renda. E é isso que move o ser humano”, afirma.  

Tonello comenta que esteve em Barra do Rio Azul, recentemente, visitando propriedades rurais que participam do programa municipal de fomento à modernização das salas de ordenha de gado leiteiro, e numa determinada família com a produção bem-estruturada, os filhos irão permanecer e tocar a atividade da família. “Assim, não importa a atividade, portanto que tenha rentabilidade”, afirma.

“E as tecnologias estão aí, as empresas integradoras exigem, de certa forma, esse aperfeiçoamento, a utilização das novas tecnologias na propriedade rural. E isso é salutar. Onde os pais estão de acordo com os investimentos, para melhorar a atividade, aumentar a rentabilidade ali na frente, depois de pagar os investimentos, os jovens vão ficar, já estão ficando”, afirma.  

Sucessão

O produtor erechinense, Ederson Szady, da Linha 3 América, faz parte da sucessão familiar no meio rural. Ele explica que decidiu seguir os passos da família e continuar no trabalho rural porque nasceu na agricultura, segue o exemplo da família. “Me esforçava nos estudos na escola para quando precisasse ficar em casa ia trabalhar na lavoura com meus pais”, comenta. Ele acrescenta que estudava na cidade, no Colégio Mantovani, mas residia com seus pais, na área rural.

No entanto, observa Ederson, também pesou na decisão para ficar no campo a falta de recursos para estudar e, também, mudar de ramo. “Estudava ou trabalhava”, afirma.

Atualmente, a família produz soja, destaque para o milho, feijão, suínos, gado de corte, entre outros alimentos para subsistência da casa.

Segundo Ederson, a sucessão familiar é muito importante porque a agricultura está envelhecendo, há pouca mão de obra e, nesta atividade, o trabalho braçal é essencial. “Muitos produtores estão migrando para soja e milho porque é mecanizável ou indo para a cidade”, observa.

Entre os desafios da sucessão familiar e da atividade rural está a administração da propriedade rural com poucos recursos; o custo, cada vez mais alto, dos insumos; e, também, por ser uma atividade realizada a céu aberto, no tempo, e sempre suscetível às intempéries climáticas. Além disso, se insere nos desafios a logística, ter estradas maiores para escoar a produção e transitar com as máquinas agrícolas. “A maior parte do ano as estradas estão em péssimas condições”, afirma. 

Na avaliação de Ederson, a agricultura ainda tem pouco reconhecimento  financeiro. “Também somos profissionais e estamos sempre nos atualizando, e a tecnologia custa muito caro. Precisamos agregar valor aos produtos que produzimos para manter as atividades”, observa.

Erechim

Conforme o engenheiro agrônomo, chefe do escritório da Emater de Erechim, Adriano Szynkaruk, hoje, tem cadastrado na Emater 277 jovens de até 29 anos que residem nas propriedades rurais. Que se dividem entre aqueles que trabalham na propriedade ou na cidade e retornam para a área rural. “Temos casos de jovens que vieram trabalhar na cidade, perderam o emprego e retornaram para o campo”, disse.

Na avaliação de Adriano, a sucessão familiar está ocorrendo em Erechim, os jovens estão voltando para o interior para assumir a propriedade da família, aquelas que estão dando abertura. Segundo ele, um dos motivos é porque está difícil conseguir emprego na cidade, assim, eles estão voltando para o meio rural, fazendo algumas inovações e atuando nas mais diferentes áreas como fruticultura, bovinocultura de leite, entre outras.

O engenheiro agrônomo observa que tem muitos casos de jovens que fizeram a sucessão familiar, em que a família abriu a propriedade para os jovens, e eles implantaram agroindústrias, pomar de frutas, verduras, turismo rural. “Houve vários exemplos que empreenderam nisso e a família deu oportunidade para esses jovens trabalhar”, disse. No entanto, acrescenta ele, “muitos saíram e não voltaram, estão trabalhando na cidade”.  

Por outro lado, há jovens em que a família não abriu a propriedade. “E, ainda hoje, é o pai que comanda e não dá renda para ele que acaba saindo e não voltando mais”, afirma.

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