“Quem canta seus males espanta”, já dizia o autor dessa famosa frase. Imagina então quem ensina! Além de espantar a negatividade, também transmite a relíquia de fazer parte do mundo da música.
Só quem já estudou ou praticou música, conhece a alegria dessa prática. “Cantar é coisa de Deus”, como reflete os versos de Os Monarcas. Não existe idade para aprender. Seja na infância, adolescência, fase adulta ou durante a melhor idade, quem almeja praticar um instrumento musical ou aulas de canto, deve procurar um profissional que possa lhe ensinar, nem que seja para cantar no chuveiro!
O início de tudo
Diego Savegnago, é formado em Música e pós graduado em Educação Musical. A música sempre esteve presente em sua família, pois cresceu neste ramo. “Sempre tive a certeza que queria viver da música. No primeiro momento, meu maior sonho era tocar na mesma banda que meu pai, Banda Os Cometas de Três Arroios. Aos 15 anos entrei para o grupo, depois de uma passagem por bandas da região”, conta.
O profissional afirma que se sentia realizado em integrar a banda, pois acreditava que fosse o ápice de suas conquistas. “O tempo foi passando e fui percebendo que eu queria utilizar a música para sensibilizar as pessoas, para poder por meio dela, levar alegria, emoção”, revela.
Especialização
Em função de sua percepção, Diego buscou especializar-se por intermédio da graduação, unindo estudo com a prática, que já estava enraizada em sua geração. “Decidi cursar a faculdade de Música, algo completamente novo para aquela época, desconhecido, porém, tendo a certeza de que transformaria meu futuro e que através dos ensinamentos aprendidos, iria poder mudar a vida das pessoas”, explana.
Cursar uma faculdade, não é nada fácil. Exige esforço, dedicação e organização financeira, no caso das particulares. Para Diego, não foi diferente. “Minha formação foi como da maioria, desgastante, sofrida, - aqui me refiro a parte financeira, pois não era fácil, por ser um curso muito caro para a época -, com aulas em turnos variados, tudo isso tendo que conciliar com meu trabalho na banda”, relata.
Empecilhos
Após anos de muito aprendizado, o músico concluiu o curso e partir do fato, nasceu o “Professor Diego”. “Foram anos difíceis, mas de um aprendizado que levarei para a vida. Quantas vezes saía para viajar à trabalho na sexta, sábado e domingo, voltando de madrugada, e pela manhã estudava, sem dormir, mas muito feliz por ter um trabalho e poder estudar música”, ressalta.
(OLHO) “Aqui abro um parêntese para dizer que, quando você faz ou trabalha no que gosta, isso não se torna um sofrimento, e sim um prazer”
Aulas
Com relação à inspiração para ministrar as aulas, o professor afirma que se doa e recebe muito dos alunos, por intermédio da felicidade, encantamento, dedicação, e vendo que consegue tornar a vida das pessoas melhor com as aulas. “Hoje trabalho com vários grupos, do 0 aos 97 anos - sim já tive alunos com essa idade -, e vi como a música pode ajudar a ter uma qualidade de vida mesmo na velhice”, releva.
“A música transforma realidades, muda a vida das pessoas”, afirma o profissional
Pandemia
Todos que vivem da arte foram afetados, durante a pandemia da covid-19. Alguns profissionais mudaram de ramo, outros reinventaram-se. “Para mim foram momentos de dificuldade, a maior delas financeira, pois nosso trabalho foi um dos primeiros a parar. Com esforço e entendimento do poder público, da necessidade de manter o vínculo com esses grupos, fui me adaptando e reinventando”, salienta Diego.
Modo remoto
Muitos profissionais como Diego, migraram para o modo remoto, para manter intactas as atividades, dando segmento ao trabalho de anos. “No primeiro momento trabalhei de forma on-line e não pensava em criar novas canções ou ensinar novas melodias, meu objetivo era apenas manter o vínculo com as turmas que conduzia”, expressa.
Diego tinha medo de não conseguir manter os grupos vivos, unidos, ocasionando na desistência dos alunos. “Nesses dois anos de pandemia, vi turmas acabarem, justamente por não ter esse vínculo ativo, entretanto, após receber as duas doses da vacina e tomando todos os cuidados exigidos e necessários, iniciei um novo projeto: visitar todos os integrantes dos meus grupos para levar um pouco de alegria, música e esperança em dias melhores”, enfatiza.
Gratidão que transborda
Mesmo com tantas pedras encontradas no caminho, o professor consegue coletá-las para construir um castelo. “A música transforma realidades, muda a vida das pessoas. Ver meus alunos se tornando pessoas mais conscientes e humanas por meio da música, faz com que tudo valha à pena”, finaliza Diego.