A pandemia do novo coronavírus trouxe uma série de problemas e prejuízos para todo o setor produtivo e comercial, em função das restrições de circulação das pessoas, produtos, e a perda de empregos. Por outro lado, estimulou certos segmentos, como a compra de alimentos via redes sociais ou aplicativos e a entrega dos produtos em casa.
A família de produtores de hortifrútis, de Paulo Bento, Jucimar Daniel Zinkiewicz e Graciela Smiderle Zinkiewicz, há anos vem praticando o comércio de porta em porta no município. No entanto, na pandemia, o casal viu a demanda por seus produtos aumentar.
“Começamos a vender de porta em porta faz uns 10 anos, mas somente em Paulo Bento. Em Erechim, iniciamos a venda neste formato um pouco antes da pandemia, com poucos clientes”, afirma.
Ele explica que a venda feita diretamente em casa se intensificou, neste período de pandemia, porque as pessoas se acomodaram com as restrições impostas, e, também, porque gostam de receber o produto fresquinho na porta de casa. “Com a pandemia, só tem aumentado as vendas”, disse.
Caderninho ou PIX
Depois de receber a encomenda, o cliente pode utilizar o PIX e fazer uma transferência, ou até mesmo, anotar a compra no caderninho, ao modo antigo. “Tem clientes que adquirem R$ 100 por semana, a cada entrega”, diz.
Vendas
A família faz, também, há mais de 10 anos a feira tradicional de Paulo Bento. “Fizemos a feira itinerante em Jacutinga, toda a quarta à noite, e na sexta à noite vendemos em Erechim e Barão de Cotegipe. Fizemos as entregas nas casas. O pessoal faz os pedidos via WhatsApp, ou a gente leva e a pessoa escolhe na hora os produtos”, explica.
Redes sociais
A família utiliza as redes sociais como ferramenta para divulgar os alimentos e o município. “Estamos sempre movimentando as redes sociais com fotos da cidade, quando saímos passear, e das verduras que a família produz. Isso acaba impulsionando as vendas, uma coisa ajuda a outra”, comenta.
Produção
O produtor explica que eles possuem as estufas para cultivar os alimentos dentro do município de Paulo Bento, num terreno de mil metros quadrados, onde 750 metros quadrados são destinados para as estufas.
Neste mês de setembro faz 9 anos que está em funcionamento o sistema de produção hidropônica, antes disso, o casal cultivava as hortaliças na terra, alface e tomate, principalmente, mas em função das doenças eles resolveram mudar a maneira de produzir e investiram nas estufas.
Conforme Jucimar, além das hortaliças, faz cinco anos que a família resolveu investir na produção de morangos. Assim, hoje, eles cultivam, ainda, agrião, rúcula, salsa, cebolinha, alguns pés de pimentão e pepino, que está produzindo direto há uns três anos. A família tem capacidade de produzir cerca de 4 mil pés de alface por mês, e conta com 3,8 mil pés de morango plantados.
Captação de água
O produtor ressalta que a falta de chuva, dos últimos dias, não interfere muito na produção, porque a família tem uma captação de água, reservatório de 5 mil litros, com filtros, que utiliza essa água para irrigar os morangos. “Fora isso, a gente tem conseguido produzir bem neste inverno, porque precisamos de bastante luminosidade, que está acontecendo. Nos outros anos, que foi mais chuvoso, com menos luz as plantas não se desenvolveram”, disse.
Familiar
Ele afirma que a produção toda é familiar. “Eu cuido a parte de manutenção e marketing. A minha esposa cuida da produção junto com o filho mais velho, Felipe, que estuda à noite, e está terminando o Ensino Médio, e ajuda bastante. O outro filho, Gilberto, está no segundo ano do Colégio Agrícola, estuda o dia inteiro”, afirma.
Qualidade
Conforme Jucimar, a família preza muito pela qualidade dos alimentos, e que eles sejam cultivados da maneira mais saudável possível. “Não temos certificação de alimentos orgânicos, mas usamos muitos produtos naturais para combater, por exemplo, os insetos”, afirma.
Retorno
A produção de hortifrútis é parte significativa da renda da família. Além disso, Jucimar trabalha como servidor municipal e realiza as entregas dos produtos. “Movimentamos mais que o dobro do que eu ganho com o salário da prefeitura, com a venda dos produtos, e assim conseguimos ter uma boa qualidade de vida, e trabalhando não de uma forma pesada”, afirma.