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Economia

Conta absurda, diz consumidora

Reajustes nas tarifas aumentam significativamente os valores de um mês para outro

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Mais aumentos
“Está pesando no orçamento da casa”, afirma Idorvalene Rodrigues
A conta da luz aumentou R$ 1.273 de um mês para outro, afirma Renato Moura
Por Ígor Dalla Rosa Müller
Foto Divulgação

Mais um aumento na conta da luz. Os valores destoam completamente da realidade e do rendimento do trabalhador e do empresário, em plena pandemia, crise sanitária e econômica, sendo que os ganhos não variam na mesma proporção. Como pagar tantos reajustes? Onde isso vai chegar? Perguntas que ficam sem respostas.          

Casa

A funcionária pública municipal, Idorvalene Rodrigues, que estava aposentada está voltando a trabalhar, afirma que a conta de luz aumentou muito de um mês para cá. “Subiu muito o valor que a gente pagava”, disse.

Segundo ela, no mês passado o casal desembolsou R$ 120 de luz e, neste mês, chegou a R$ 220. “Está pesando no orçamento da casa. E isso que os dois trabalham fora o dia todo, não se gasta muita luz, só de noite, e mesmo assim, veio esse valor. Já reduzimos o tempo do banho, e mesmo assim subiu. Para duas pessoas é muito R$ 220”, afirma.

Idorvalene comenta que tem uma inquilina, que paga aluguel, também moram duas pessoas, num espaço pequeno e a conta de luz era R$ 130 e foi pra R$ 260. “Não sei o que aconteceu. Essa conta é um absurdo, muito pesada”, ressalta.         

Empresa

Segundo o empresário, Renato Moura, a conta de luz do seu negócio, empresa que vende lanches, bebidas e lazer, o boliche, aumentou de um mês para outro R$ 1.273, sendo que a energia elétrica é essencial para todos os serviços e produtos. Ele comenta que depois de um ano se está voltando a trabalhar com mais público, com clientela, já que a pandemia restringiu a circulação de pessoas e abertura do comércio. “E vem mais esse absurdo”, disse.

Renato afirma que o jeito é escolher qual conta vai pagar no mês. “Não tem como pagar tudo de uma só vez para ir tocando o negócio. Tudo aqui é movido pela luz. E dizem que vai ter mais um aumento. Aí vai fazer como”, questiona.

Ele explica que não tem como repassar esses aumentos para os clientes, fazer com que os preços dos produtos acompanhem essa variação. “Não tenho como repassar esses aumentos nas porções ou nas bebidas. Já está difícil ganhar, eu vou ter que tirar do meu lucro para pagar essa conta”, afirma.

A presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) de Erechim, Rosângela Spiazzi Truylia, observa que todo aumento de custos interfere no preço de venda ou na lucratividade do lojista. “Então, isso não é bom, porque, ou o lojista absorve e diminui a sua margem de lucratividade, ou coloca no preço de venda e aumenta o preço do produto. É um dificultador, o aumento não é bem-visto pelos lojistas, e consequentemente interfere no seu planejamento e orçamento mensal”, disse.

Lógica dos aumentos

Conforme explica a Agência Brasil, órgão de comunicação ligado ao governo federal, “desde o último dia 1º, os brasileiros estão sentindo no bolso os impactos da escassez de chuvas nas usinas hidrelétricas. Com a criação da bandeira de escassez hídrica, o consumidor passará a pagar R$ 14,20 extras a cada 100 quilowatts-hora (kWh) consumidos”.

Segundo Agência Brasil, a cobrança extra será feita até 30 de abril de 2022 e encarecerá a conta de energia, em média, em 6,78%, segundo a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). A bandeira de escassez hídrica substitui a bandeira vermelha 2, em vigor desde junho e que sofreu reajuste de 52% em julho.

“Inicialmente, o patamar 2 da bandeira vermelha estava em R$ 6,24 para cada 100 kWh. Com o reajuste, o valor havia subido para R$ 9,49 em julho. Na prática, a bandeira de escassez hídrica cria outro patamar, com a cobrança de R$ 14,20. O aumento não é calculado sobre o valor total da conta de luz, mas a cada 100 kWh consumidos”, diz a agência.

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