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Rural

Sem produto e custos nas alturas

Valor do adubo mais que dobrou do início do ano para cá, além de não ter disponível no mercado. Boa notícia é que a maioria já comprou

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Não tem adubo disponível no mercado
“Agora, nem com dinheiro se compra mais adubo”, afirma Alderico José Campesato
Adubo mais que dobrou de preço, saindo de R$ 80 para R$ 190, comenta Tiago Polese
“Compromete um valor muito maior do que comprometeu na safra anterior”, afirma coordenador geral da
Por Ígor Dalla Rosa Müller
Foto Divulgação

O produtor de soja e milho que ainda não comprou os insumos para safra 2021/2022 corre o risco de ficar sem um dos componentes básicos para fazer a lavoura: o adubo. Há outro agravante nesta situação, além de não saber se vai receber o adubo para fazer o plantio, os preços mais que dobraram de valor do início do ano até o momento. A boa notícia é que a maioria dos produtores da região, atentos as oscilações do mercado, já garantiram os insumos no início do ano.      

Campesato

Segundo Alderico José Campesato, que vende adubo há 30 anos, em outros anos já havia ocorrido falta de adubo para entregar. “Mas nada comparado ao que se vê hoje”, afirma, e acrescenta, “é o primeiro ano que está faltando adubos para o agricultor, já que, hoje, não tem para entregar. Os fornecedores não estão vendendo”.

Além disso, explica Campesato, o saco de adubo de 50kg variou de R$ 85 para R$ 190 em alguns meses, os preços variam um pouco conforme a fórmula. “Houve ano em que o adubo chegou a subir até 50%, mas não para faltar o produto. De um ano para o outro mais que dobrou o preço do adubo, isso nunca tinha acontecido”, explica.

“Agora, nem com dinheiro se compra mais adubo. No meu caso não tenho como vender porque a fábrica não tem o produto. Hoje, o custo subiu e a margem de lucro é pequena, nivelou de novo”, disse.

Campesato afirma que não tem perspectiva para receber adubo. “A empresa promete entregar no começo de dezembro, quando o plantio das culturas de verão já terminou. No entanto, a maioria dos produtores já compraram os adubos no início deste ano”, disse.

Ele explica que o custo de lavoura deste ano vai ser normal, perante o preço da soja e do milho, não vai ter grande margem de lucratividade. “Porque o preço histórico do adubo sempre foi um saco de soja por um saco de adubo e dois de milho por um de adubo. Agora está praticamente igual com os preços bem maiores, com risco maior para o produtor”, disse.

Kesoja

Segundo o responsável pelas vendas de adubos e sementes da Kesoja, Tiago Polese, o adubo mais que dobrou de preço, saindo de R$ 80 para R$ 190. “Hoje, não tem disponível adubo para entregar e a empresa não está mais fazendo vendas novas”, afirma.

Tiago explica que um dos problemas foi com o componente cloreto, e por isso as empresas fizeram alterações nas fórmulas dos adubos. “Entregando aquelas que contém menos cloreto”, explica.  

Ele afirma, no entanto, que na região em torno de 95% dos produtores já compraram os adubos para lavoura deste ano. “Faz oito anos que trabalho com a parte de adubo e sementes, e é a primeira vez que acontece, ainda não tinha visto isso”, comenta.

Conforme Tiago, outro problema é conseguir frete para trazer o adubo do porto de Rio Grande, o transporte nos últimos dias teve aumento significativo.

Entidades

O coordenador geral da Fetraf-RS, Douglas Cenci, afirma que a maioria dos insumos no plantio de grãos subiram e isso tem preocupado os agricultores. Ele explica que, embora tenha tido uma elevação no preço da saca de soja e milho e carnes, há outros segmentos em que o preço não acompanha, como é o caso da bovinocultura do leite. “Em que o preço do milho, da ração e também do adubo, que serve para utilização nas pastagens, subiram muito mais que o preço do leite, reduzindo a margem de lucratividade do agricultor, que precisa fazer investimentos cada vez mais altos”, disse.

Douglas observa que se o produtor conseguir produzir bem, ele vai pagar os custos da lavoura, mas se tiver problemas com seca, por exemplo, o investimento é maior e o produtor vai perder mais. “Compromete um valor muito maior do que comprometeu na safra anterior. Isso tem preocupado e é um cenário que deve perdurar pelo próximo período e tem pouca condição de se alterar por conta do dólar e do aquecimento do mercado internacional também”, afirma.

Emater

Segundo engenheiro agrônomo, Luiz Angelo Poletto, assistente técnico regional em Sistemas de Produção Vegetal da Emater/Ascar, mais de 90% dos produtores da região já compraram os insumos para plantar a safra de verão 2021/2022. “Os agricultores compraram cedo, eles aproveitaram os preços bons dos produtos em janeiro, fevereiro e março”, comenta.

Na avaliação do engenheiro agrônomo, o problema maior está por vir na próxima safra. A área de milho deve aumentar na região em torno de 7% em relação ao ano passado, isto é, vai ficar em torno de 47.000 hectares de milho para grão, 15.000 hectares para milho-silagem. “A área de soja se mantém até o momento, igual à do ano passado, 234.000 hectares. A cultura de verão deverá aumentar uns 2 mil hectares na região”, disse.

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