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Economia

Gás: consumidor e revenda saem perdendo

Política de preços das distribuidoras faz com que erechinense pague um dos preços mais altos do estado por um botijão de gás de 13kg. Ontem, no fim do dia a engarrafadora anunciou mais um reajuste

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Gás em Erechim tem valor médio de R$ 108 e máximo de R$ 110
"Está difícil, e comida então, nem se fala, tudo subiu e está caro”, diz Analice
Por Ígor Dalla Rosa Müller
Foto Ígor Dalla Rosa Müller

O cidadão brasileiro viu, nos últimos meses, o poder aquisitivo cair drasticamente em função de vários reajustes em bens e serviços essenciais para se viver, como alimentos, energia elétrica, água, combustíveis, e o gás de cozinha de 13 kg (GLP). Em Erechim, esse item indispensável para se cozinhar está entre os mais caros do Rio Grande do Sul, segundo a Agência Nacional do Petróleo, com valor médio de R$ 108 e máximo de R$ 110.

Segundo a varredora de rua, Analice Fátima da Silva, moradora do bairro Poletto em Erechim, o preço do gás está muito alto. “Eu pago R$ 110. Eu uso bastante, cozinho em casa, para eu e meu esposo, e gasto um botijão por mês. Está difícil, e comida então, nem se fala, tudo subiu e está caro”, conta. Ela comenta que ganha vale alimentação e deixa acumular para fazer todo o rancho de uma só vez, porque se fizer só naquele mês não dá. “Tem que economizar e comprar o mais barato para fechar as contas”, afirma.

“Eu pago R$ 120 o gás. Eu uso bastante para fazer comida, pão”, afirma a moradora do bairro Cerâmica, Laide Alves dos Santos, que trabalha na Vigilância Sanitária, em Erechim. Ela comenta que está tudo com os preços elevados, gás, comida, luz, água. “Tudo aumenta, mas o nosso salário não. Se o salário aumentasse, também, seria mais fácil”, disse.       

Revenda

De acordo com o responsável técnico de uma revenda de gás de Erechim, Maico Roberto Moura, o consumidor paga esses valores em função da política de preços das distribuidoras. “Tem municípios vendendo direto ao consumidor mais barato do que eu pago o gás, patrocinados pelas distribuidoras”, afirma.

E o problema não é da logística, segundo Maicon, e isso se confirma porque ao comparar com o valor do gás em Balneário Camboriú (SC), por exemplo, que fica a menos de 20 km da engarrafadora, vai ver que ele também está sendo vendido a R$ 110. “O que historicamente sempre foi, no mínimo, R$ 20 a R$ 30 mais barato que aqui em Erechim”, afirma.

Maico explica que além da política de preços das revendedoras, tem também a burocracia brasileira, impostos e políticas públicas que oneram muito as revendas. “Como por exemplo a legislação ambiental”, observa.

Mas o que mais chama a atenção diante dos atuais valores do gás de cozinha para o consumidor, comenta Maico, é que a margem de lucro é a menor dos últimos 10 anos. Outro detalhe, os valores de infraestrutura para o atendimento mais que triplicaram.

Mercado fechado

Maico observa que o mercado brasileiro de gás é muito fechado e, atualmente, existem seis engarrafadoras de gás no Brasil, e são essas empresas que definem o preço do gás. “Não tem concorrência entre elas”, afirma. Ele explica que em outros países há vários engarrafadores, por exemplo, na Argentina, tem mais de 100, nos EUA passam de 2200, e no México são em torno de 1800 engarrafadores.

Conforme ele, o Brasil é o quinto maior consumidor de gás de cozinha do mundo e está na mão de seis engarrafadoras. Atualmente, são engarrafados em média, por cada empresa, 19 milhões de toneladas de gás por mês no Brasi.

Outro grande problema relacionado ao preço do gás são os impostos que incidem sobre esse produto, e em determinado momento chega entre 71% a 73% do valor do gás. Em torno de 60% do gás de cozinha consumido no Rio Grande do Sul é importado da Argentina, Angola e outros países.

No fechamento da edição, ontem à tarde, Maico informou que a engarrafadora comunicou mais um reajuste no preço do gás, previsto para esta semana, no mais tardar início da semana que vem, mas sem alíquota definida ainda.

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