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Economia

Extrema pobreza: no Alto Uruguai, 3.752 famílias vivem com até R$ 89 por mês

Levantamento do Jornal Bom Dia revela o ranking dos 32 municípios que compõe a AMAU. De 2019 até junho de 2021, o crescimento foi de 154,75% em Erechim, como um dos reflexos da pandemia

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O município de Erechim, maior da AMAU, lidera no ranking com 1.205 famílias nestas condições, seguid
Número por municípios
Por Nathan Breitenbach
Foto Rodrigo Finardi

 

A pobreza é multifacetada, embora desenhada pelas linhas de renda: pobreza extrema (menos de R$ 89,00 per capita) e pobreza (R$ 178,00 per capita mensais). A explicação é da secretária de Assistência Social de Erechim, Clarice Moraes. Um levantamento realizado pela reportagem revela que nos 32 municípios da região Alto Uruguai, 3.752 famílias vivem na extrema pobreza. Os dados foram extraídos do Cadastro Único para Programas Sociais e referem-se à junho de 2021. O município de Erechim, maior da AMAU, lidera no ranking com 1.205 famílias nestas condições, seguido de Benjamin Constant do Sul (361), Charrua (266) e Erval Grande (192). No fim da lista, estão Três Arroios (3), Ponte Preta e Carlos Gomes (6 famílias cada), Ipiranga do Sul e Barra do Rio Azul (com 9 famílias em cada município).

“Carência de direitos”

Para Clarice, é na desigualdade social que a pobreza se expressa, pela carência de direitos, de oportunidades, de informações, de possibilidades, de esperança e se agrava quando gira em torno de gênero, cor, local de moradia e nascimento. Explica que a redução desses números passa por políticas públicas que enfrentem essas desigualdades e gerem oportunidades, garantindo os mínimos sociais (educação, moradia, saúde, emprego, entre outros).

Erechim

Em junho de 2019, a Capital da Amizade contabilizava 473 famílias com menos de R$ 89,00 per capita. Dados de junho de 2021, mostram que Erechim aumentou 154,75% neste indicador, passando para 1.205 famílias. No mesmo período deste ano, a cidade tem cadastradas 905 famílias que têm de R$89,01 até R$178,00; 2.597 famílias de R$178,01 até 1/2 salário mínimo (R$ 550); e 2.903 famílias que contam com mais de 1/2 salário mínimo para passar o mês. “O cenário da pandemia gerou um cenário complexo. Além da crise sanitária, agravou lacunas estruturais como a fragilidade da informalidade no trabalho e o aumento do desemprego, a sobrecarga principalmente das famílias geridas por mulheres, as perdas educacionais e o aumento do abandono escolar que sim, geram uma crise econômica em níveis mundiais”. Explica ainda, que no caso de Erechim, os índices aumentaram pela perda de renda tanto formal quanto informal, pela necessidade das mulheres permanecerem em casa nos cuidados dos filhos, diminuindo ou a renda principal ou a renda suplementar da família e na busca ao acesso ao Auxilio Emergencial com a sub declaração de renda.

Redução das desigualdades

A política de assistência social é para quem dela necessitar independentemente da situação econômica, embora seja mais relevante e priorizado o atendimento das famílias em pobreza e extrema pobreza, conforme Clarice. De forma mais urgente, a secretaria de Erechim reduz as desigualdades com os benefícios eventuais (alimentação, transporte, etc.), com ações parceiras com o Desenvolvimento Econômico, secretarias de Educação e Saúde e com a execução a nível municipal da política da assistência social no acompanhamento das famílias através de equipe multidisciplinares nos CRAS e CREAS do município e na garantia ao acesso ao Cadastro Único e Programas Sociais.

Má distribuição da riqueza

 Perguntada sobre a má distribuição da riqueza, a secretária pontua que sempre existiu e foi alimentada pela exploração do capital. Projeta que necessita de reestruturação e reformas no sistema nacional de gerenciamento dos recursos públicos. Visto que, estes são decididos por quem não compreende a realidade de quem necessita das políticas. “A Política Nacional de Assistência Social não tem piso de recursos orçamentários, o que denota o olhar e a importância que o Governo Federal dá a esta tão importante e necessária política pública. Enquanto município podemos garantir que o olhar da gestão vem suplementando o orçamento a fim de minimizar os agravos sociais”, aponta.

Aumento dos números

Dessa forma, para os próximos anos estes números tendem a aumentar. Primeiro pela fragilidade do Estado em garantir o bem-estar social, aumentando a busca por programas de transferência direta de renda.

Segundo que a maior fragilidade das relações de trabalho irá diminuir o acesso a renda que supra o mínimo das famílias e a recuperação da economia tende a ser lenta, sem ações que impulsionem o crescimento econômico em um cenário tão inseguro

Porta de entrada

O Cadastro Único é a porta de entrada para acesso aos programas sociais nas três esferas de governo. Podem participar qualquer família com renda familiar total de até três salários mínimos, no entanto cada programa tem sua regra de acesso e permanência. É necessário que a mulher, responsável pela família, se dirija até os CRAS ou Secretaria de Assistência social com comprovante de endereço, identidade e CPF de todas as pessoas residentes na casa para realização do Cadastro.

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