As abelhas são pequenos insetos voadores muito significativos para a vida, de modo geral, e também a economia do país. Um dos principais motivos de sua importância é porque são polinizadoras, isto é, responsáveis pela reprodução de diferentes espécies de plantas e alimentos consumidos pelas pessoas. Não somente isso, as abelhas servem de parâmetro para medir o equilíbrio do meio ambiente, as variações em seu comportamento indicam ameaças emergentes e desequilíbrios nos ecossistemas. O problema atual é que elas vêm morrendo em função de alguns tipos de defensivos agrícolas.
Região
A região Alto Uruguai tem cerca de 844 apicultores com 11.110 caixas em produção, que geram uma média de 17,6 quilos de mel por caixa/ano, resultando numa produção anual regional de 195.549 quilos.
Estratégia para proteger as abelhas
O apicultor, Rodrigo Coser, da Linha Monte Claro, interior de Viadutos, utiliza uma técnica simples, mas muito eficiente para proteger as abelhas. Ele explica que os apiários estão localizados dentro da mata nativa e isso acaba contribuindo para proteger as abelhas, fazendo o controle dos produtos químicos utilizados nas lavouras.
“A mata nativa serve como uma barreira para o inseticida não chegar até as abelhas e o apiário. Acredito que é desta forma que a gente está conseguindo manter nossas colmeias sem mortalidade, sendo que trabalhamos há 9 anos com apicultura, e neste período todo, nunca tivemos problema de mortalidade de abelhas. A não ser em alguns anos que faz muito frio, não conseguimos controlar a temperatura dentro das colmeias, aí sim ocorre algum tipo de mortalidade, mas por intermédio de inseticida aplicado na soja, milho e outras culturas não tivemos nenhum problema”, explica.
Outra questão importante é não utilizar na propriedade produtos que possam levar a morte das abelhas. “Na minha propriedade agrícola eu não uso 2,4 – D e outros inseticidas que causam mortalidade nas abelhas, e que ainda são muito utilizados na agricultura”, afirma.
Produção
As estratégias de produção estão dando certo. Rodrigo conta que, no ano passado, as suas colmeias produziram cerca de 12 toneladas de mel. “Esse mel é embalado em tambores de 300 quilos e enviado para São Paulo para a empresa Apidouro, que faz um processo de filtragem desse mel que vai para Espanha e Alemanha”, comenta.
Avaliação
Segundo o engenheiro agrônomo, mestre, Valdir Pedro Zonin, supervisor regional da Emater/RS Erechim, a Associação Apícola Monte claro, que o Rodrigo faz parte, utiliza boas tecnologias de manejo e comercializa cerca de 170 toneladas de mel por ano. “Maioria exportação”, afirma.
Zonin explica que a mortandade de abelhas não é uma preocupação apenas da região Alto Uruguai, mas também de vários países e continentes, que estão desenvolvendo políticas de proteção a esses importantes insetos que fazem a polinização de mais de 70% das plantas do planeta.
“A França, por exemplo, proibiu, desde 1918, a categoria dos inseticidas Neonicotinoides (derivados da nicotina), a maioria fabricados pela alemã Bayer - imidacroprid, clotianidina, tiametoxam, tiaclopride e acetamiprida. Os 3 primeiros também foram proibidos na União Europeia a partir de dezembro de 1918”, explica.
Conforme Zonin, a Secretaria da Agricultura, Pecuária e Desenvolvimento Rural (SEAPDR), em levantamento realizado neste ano, mais de 77% das colmeias mortas analisadas no Rio Grande do Sul apresentavam presença do inseticida Fipronil, utilizado geralmente para controlar insetos em lavouras de soja.
“Os herbicidas a base de 2,4 - D utilizados no controle de inços folha larga, além de afetarem culturas vizinhas de folha larga como videiras, oliveiras, hortifrútis, erva-mate, etc., também afetam as abelhas, desnorteando elas, de modo a não retornarem às suas colmeias”, explica.
Coloração do mel
Segundo Zonin, recentemente, a população assistiu matérias sobre mel com alteração de coloração. “Esta questão não está associada à agrotóxicos, mas sim ao descarte de restos de fábricas de doces, balas, pirolitos. Muitas vezes os produtores rurais recolhem esses restos energéticos para complementar as rações animais como a de suínos. Esses resíduos, mal armazenados atraem abelhas que acabam levando esses corantes para a colmeia e, consequentemente, alterando a cor do mel. Já presenciei esse fato também aqui no Alto Uruguai”, observa.