21°C
Erechim,RS
Previsão completa
0°C
Erechim,RS
Previsão completa

Rural

“Com o preço dos insumos, já estamos pensando em reduzir a área plantada para o próximo ano”

Afirmação é do produtor, Delcio Cecconelo, de Sertão, que dobrou área de trigo na safra 2021 e está colhendo em torno de 70 sacos por hectare

teste
Segundo Delcio, o preço está satisfatório, mas somente se for calculado tendo os valores quando a ár
Rafael vai iniciar a colheita, na próxima semana, e são boas as perspectivas de produtividade. “Devo
Por Ígor Dalla Rosa Müller
Foto Divulgação

A colheita das culturas de inverno está em andamento no Alto Uruguai. O município de Sertão foi o que mais plantou trigo na safra 2021 destinando seis mil hectares para o cereal e três mil hectares para cevada. Neste ano, o trigo ocupou 45.775 hectares das terras agricultáveis na região, o que representa um aumento de 28% em relação à safra passada.  

Sertão

O produtor, Delcio Cecconelo, de Sertão, da localidade São Pedro, esse ano apostou mais no trigo, em função de ter produzido bem na safra anterior, desta forma, dobrou a área na safra 2021 e plantou cerca de 200 hectares da cultura.    

“A colheita iniciou na semana passada, a produção não está ruim, vai ficar em torno de 70 sacos por hectare, mas menos do que se esperava. Naquele período que choveu bastante, quando o trigo estava florescendo, deu muita giberela. A primeira colheita estava boa, mas a próxima, mesmo com os tratamentos, vai ter uma produção menor do que a safra passada”, explica.

Ele acrescenta que a expectativa, para esta safra, é fazer um caixa com a produção deste ano para investir em outras lavouras. “O trigo está bom, não como o do ano passado, mas ainda dá para fazer pão, de excelente qualidade, vai produzir um pouco menos”.

Preço satisfatório, porém ...

Segundo Delcio, o preço está satisfatório, mas somente se for calculado tendo os valores quando foi plantada a área. “Agora, para a próxima safra, com o preço dos insumos, principalmente, adubo, aí já estamos pensando em reduzir a área plantada por causa dos custos. Na minha região tem muito trigo plantado, mas os produtores estão assustados com o custo dos insumos. Esperamos que tenha uma mudança”, afirma.  

Nesta safra, o agricultor, Rafael Fontana, da Linha Caçador, também de Sertão, plantou em torno de 110 hectares, a mesma área que no ano anterior em função dos bons preços do cereal. Ele vai iniciar a colheita, na próxima semana, e são boas as perspectivas de produtividade. “Devo colher em torno de 65 sacas por hectare”, afirma. Há anos ele investe no trigo devido a sua importância para fazer a rotação de cultura e para não deixar o maquinário ocioso na propriedade, nesta época do ano.  

Colheita no Alto Uruguai

“A produtividade está sendo boa, por enquanto, e girando em torno de 55 sacos por hectare de média, mas tem também lavouras produzindo 70 sacos por hectare”, afirma o engenheiro agrônomo, Luiz Ângelo Poletto, assistente técnico regional em Sistemas de Produção Vegetal da Emater/Ascar.

Ele comenta que em algumas regiões a produção caiu em função dos temporais, chuva de pedras e acamamento da lavoura. “Aquele trigo que foi plantado nas áreas mais baixas, a produtividade está diminuindo um pouco, então, a média deve fechar provavelmente em 55 sacos”, explica.

Segundo Poletto, o andamento da colheita está sendo muito boa e 60% da área total já foi colhida na região. “O tempo ajudou, na última semana, e o início desta também está favorável à colheita”, comenta.

Preço e custos

O engenheiro agrônomo observa que o preço do trigo está satisfatório ao produtor, em torno de R$ 84 a saca. “Hoje, ele consegue ter lucro com a atividade colhendo 55 sacos por hectare, com esse preço. Sobram pelo menos 20 sacos por hectare, já que o custo médio das nossas lavouras entre 35 a 40 sacos por hectare. Então, tem boa expectativa a cultura de trigo neste ano”, observa.         

Tendência

“Acreditamos que se permanecer esse preço, há tendência de aumento de área cultivada do trigo, na próxima safra. Em relação ao ano passado houve crescimento de 28% na área. O que é bem significativo”, disse.  

Essa tendência se deve também, além do valor da saca, observa Poletto, a especialização dos produtores no cultivo do trigo, implantação de novas tecnologias, parcerias entre entidades, cooperativas, agropecuárias, empresas e produtores, que estão mais tecnificados e buscando lucratividade nas lavouras.

Cevada  

A região tem 11.368 hectares plantados de cevada e houve um incremento de área de 19% em relação à safra passada, comenta Poletto. “A lavoura de cevada está com 95% da área colhida, e nesta semana deve terminar. A produtividade deve ficar em torno de 50 a 55 sacos por hectare de média. Tem vários casos de produtores que colheram 80 sacos por hectare, mas também áreas que sofreram com intempéries climáticas”, afirma.

Conforme Poletto, a produção de cevada, basicamente, é vendida para a Ambev, e hoje, o valor da saca gira em torno de 25% a mais que a de trigo, isto é, R$ 104 a saca.

Leia também

Publicidade

Blog dos Colunistas

;